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E que tal rebentarmos com isto tudo?

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Bomba AtomicaEu por vezes fico um pouco cansado deste confronto ideológico entre os apologistas do chumbo e os apologistas das transições automáticas… É uma discussão eterna e até já dei por mim a concordar com ambos os lados.

A Finlândia quis rasgar horizontes, dando um salto vanguardista que poucos se atrevem a dar. Confesso que gostaria muito de assistir ao vivo e a cores ao modelo que entrou agora em vigor, só assim poderia afirmar com conhecimento de causa as suas virtudes e defeitos. Por cá continuamos com uma elevada taxa de insucesso escolar, apesar dos “cheirinhos” a Finlândia que vamos tendo aqui e ali como a Escola da Ponte e a Área de Projeto (que descanse em paz).

Mas…E que tal rebentarmos com isto tudo e começarmos do 0?

É impossível eu sei, era um erro também sei. A nossa escola e a sociedade em geral não estão preparados para uma tão grande mudança e a mudança gera sempre resistência e os governos sabem bem que mexer na educação é como mexer em nitroglicerina… Talvez por isso é que todos os que lá entraram saíram de lá tão queimadinhos… Mas por vezes dá-me vontade de fazer um Format C: e siga para bingo. Talvez assim certos vícios cairiam, talvez assim certos preconceitos ficavam para trás, talvez assim a escola passasse a ser de todos nós e não de apenas alguns que a utilizam como arma de arremesso entre rosas, azuis, vermelhos e laranjas. Uma escola livre, uma escola nova…

A entrevista que se segue é muito interessante e vale a pena ler. É um principio de algo, se é que realmente estamos interessados em virar a página.

Fica o link e algumas passagens:

“O nosso modelo escolar é do séc. XVIII e não está adaptado à realidade”

É necessário um acordo de regime?

Sim. Pelo menos um entendimento entre algumas forças sociais e políticas. Aliás, o que revela esta geringonça da avaliação, por exemplo – para usar um termo na moda – é que tem muito que ver com isso. Vamos às escolas, trabalhamos com as famílias e o que mais pedem é: “Entendam-se, por favor!” O povo quer que os dirigentes políticos se entendam e os dirigentes políticos preferem fazer da educação um campo de batalha política. Isto é dramático!

E é seguro?

É muito seguro porque já está a ser experimentado. Como o modelo é muito descentralizado e municipalizado, a cidade de Helsínquia já o tem aplicado em larga escala. Quando a decisão foi tomada já estava trabalhada e consensualizada, em termos políticos. As instâncias que refletem sobre estes temas já produziram muitos documentos. Quando, no próximo ano letivo, o modelo tiver aplicação nacional, já há muito trabalho feito e há segurança. É um passo importantíssimo. Tenho um texto sobre os casos da Catalunha e da Finlândia, que se chama Há uma brecha no dique. Essa brecha só pode alargar

O que é diferente no novo modelo?

Na Finlândia, a mudança é ao nível da organização do trabalho escolar, que tem repercussões muito idênticas à Catalunha. O ensino passa a ser organizado por projetos… chamam-lhes fenómenos ou temas. Os professores, antes do início do ano letivo, organizam-se e estruturam uma boa parte do currículo – não é necessariamente a totalidade do currículo, porque é muito difícil fazer isso. Mas, por exemplo, 60% do currículo, é estruturado em torno de grandes temas agregadores, tendo em conta os interesses dos miúdos nas idades respetivas e a experiência que os professores têm com eles.

As escolas superiores de educação não devem também espelhar isto tudo?

Deviam. Uma das coisas mais em causa é a formação inicial dos professores e a formação contínua, porque uma grande parte dos professores já está no sistema. Dentro de 10 ou 15 anos haverá uma grande oportunidade porque vão sair muitos milhares. Vem aí uma nova vaga que já devia chegar à escola com esta nova mentalidade. É também um problema político, porque está em causa o acesso à profissão. Eu tenho-me batido por isso e publicado pequenas coisas: é preciso dignificar mais a profissão docente, do ponto de vista da sociedade em geral. Tenho sugerido que a média de acesso aos cursos de formação inicial de professores tenha o mínimo de 16. E isto é uma decisão política.

Para que os melhores sejam professores?

É uma medida política! Não custa nada! É só publicar um decreto-lei, não tem interferência em coisa nenhuma a não ser nos cálculos para o acesso, que se podem colocar no computador. E pode dizer imenso. Se fizéssemos isso e revíssemos as regras de acesso à profissão docente e a formação inicial e contínua, podíamos estar a preparar os verdadeiros alicerces de uma educação diferente daqui a 20, 30 anos. Era isso que devíamos fazer. O que é que estamos a verificar? Nos últimos 20, 30 anos, acede à profissão docente um número razoável de jovens competentes mas também um número enorme de jovens que têm péssimas notas. E são professores. Entram com médias de 10, 11 ou 12… são pessoas com muitas dificuldades. A disputa que aqui se faz em torno da medicina, na Finlândia é em torno de ser professor, e o acesso à medicina fica a anos-luz do acesso à profissão docente.

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