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É preciso proteger os alunos mais frágeis, mas não fazer nada não protege ninguém!

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Se e quando optarmos por um ensino misto, os alunos que não têm casa, não têm família, ou que a ideia de voltar para casa é demasiado assustadora, precisam de saber que a escola não irá desaparecer para eles. A escola tem uma vertente social inegável, sendo em muitos casos a principal âncora para um futuro diferente e melhor.

Alguns julgam que quem critica a forma como a pandemia está a ser tratada nas escolas e na sociedade em geral, querem o confinamento de volta. Nada mais de errado! Eu sou um dos que tem criticado todo este processo, e tal como o Presidente Marcelo dizia ontem, tem sido um percurso cheio de “omissões, contraditório e em ziguezague”. Por exemplo aqui em casa, a “piquena” está sempre a dizer, “confinamento não! confinamento não!”. Só um masoquista pode querer algo que sabe ser prejudicial a tudo e a todos.

É preciso existir um equilíbrio, acima de tudo é preciso evitar o colapso do sistema de saúde que já está em rutura, a escola como parte importante da sociedade não pode fingir que está numa bolha, que como sabemos são meramente teóricas. Por isso defendo desde junho um sistema misto de ensino, com metade da carga letiva na escola e metade em casa em trabalho autónomo/orientado. Outra solução possível, é migrar o ensino secundário para ensino à distância, mas os mais novos, os mais frágeis, esses devem efetivamente permanecer na escola o mais possível e da forma mais segura possível.

Aquilo que me causa espanto, é saber agora, que mesmo que existam 400 surtos nas escolas (que afinal não chegam a 70), nada será feito para alterar o rumo dos acontecimentos.

Sinal que continuamos a navegar sem rumo, como se um míssil tivesse sido disparado e o novo avião está incapaz de realizar manobras de fuga.

É preciso acordar e agir, já!


60% dos alunos em risco o que mais privilegiam é o “contato com os colegas na escola”

Um inquérito realizado pela Associação EPIS a alunos em risco de insucesso que apoia confirma o valor social e relacional da escola presencial, entre pares e, no 1.º Ciclo, entre alunos e professores. A resposta “Sair de casa e poder ir para a escola” é valorizado por todos os alunos, mas a resposta mais relevante é, de longe, a que foi dada por mais de 60% dos inquiridos, afirmando que o que mais privilegiam é o “contato com os colegas na escola”.

Já de forma crescente com a idade, surge a importância “do contato com os colegas/amigos fora da escola”. Por sua vez, o “contato com os professores na escola” é mais significativo no 1.º Ciclo, com 37,8% a terem manifestado esta resposta, que decresce muito nos ciclos de escolaridade seguintes.

A maioria dos jovens disse que se sente “muito melhor” ou “melhor” com aulas presenciais. No entanto, no 3.º Ciclo, a percentagem de alunos que se sente “na mesma”, “pior” ou “muito pior” com as aulas presenciais é de 20,8%, que compara com 13,2% e 8,6%, respetivamente, no 2.º e 1.º Ciclo, o que pode mostrar uma tendência, embora não muito vincada, de que o bem-estar nas aulas remotas tende a aumentar com a idade, pelo menos para uma parte dos alunos.

O ensino presencial é igualmente valorizado pelos alunos quando questionados sobre a “participação nas aulas”: mais de 72% nos 1.º e 2.º Ciclos refere que prefere o modelo tradicional, assim como 61,6% no 3.º Ciclo. A percentagem desce significativamente no sentido inverso, já que apenas 4,2% no 1.º Ciclo, 7,4% no 2.º Ciclo e 11,1% no 3.º Ciclo preferem participar através das aulas síncronas à distância.

No que respeita à “compreensão da matéria explicada pelo professor, independentemente da idade, mais de 84% continua a preferir as aulas presenciais, com uma minoria de alunos, apenas 4% a 6% em todos os ciclos, a mencionar as aulas remotas.

“O risco de contágio de si e dos mais próximos” é o que mais preocupa os jovens, independentemente da idade, e numa percentagem bastante significativa (mais de 75%). Já “a possibilidade de perda de emprego ou dificuldades financeiras dos pais” é uma preocupação crescente com a idade, com expressão mais significativa nos alunos do 3.º Ciclo de escolaridade (25,5%), quando compara com 18,4% e 16,4%, respetivamente 2.º e 1.º Ciclos.

A EPIS – Empresários pela Inclusão Social foi criada em 2006 por empresários e gestores portugueses e apoia alunos do pré-escolar, 1.º, 2.º e 3.º Ciclos e Secundário em Portugal, que vivem em contextos socioeconómicos desfavorecidos, com risco acrescido de insucesso e abandono escolar e maior probabilidade de não chegarem ao fim da escolaridade obrigatória concluindo o 12.º ano de escolaridade.

Fonte: Jornal Económico

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