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É preciso proteger (mais) o ensino

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O país confinado continuará em pleno funcionamento do Pré-escolar ao Ensino Superior.

Todos estamos conscientes da extrema gravidade sanitária em que nos afundámos, mas os estudantes e os professores permanecerão nos estabelecimentos de ensino. Em nome da igualdade de oportunidades e da sustentabilidade económica do país. No entanto, a escola precisa de mais acompanhamento. E apoios.

Comecemos pelo Ensino Superior. Em muitas universidades e politécnicos, é tempo de testes e exames. Convinha que a divisão por turnos, criada para a lecionação das aulas em nome da prevenção, não fosse subitamente desfeita para enfileirar em anfiteatros pouco arejados turmas que podem rondar uma centena de estudantes. Também seria preciso organizar o segundo semestre com idênticos cuidados àqueles adotados agora, porque a situação poderá não melhorar muito… Neste contexto, as reitorias respondem por toda esta gestão, mas a autoridade sanitária não pode excluir-se de responsabilidades neste domínio.

Nos ensinos Básico e Secundário, seria prudente acautelar mais os intervalos e as refeições nas cantinas e bares. Anteontem, o primeiro-ministro anunciou um reforço de testes antigénio nas escolas. Ao longo do primeiro trimestre, diretores de vários agrupamentos queixaram-se de falta de apoio para testar a sua comunidade escolar. Nestes dias tão sensíveis, é preciso não falhar a este nível, não retirando dessa equação o ensino privado. Ouvimos reiteradamente dizer que as escolas são lugares seguros, mas convém não esquecer que é aí que cada um partilha todos os contactos que traz do exterior. E se os mais novos não têm sido muito afetados por esta pandemia, podem ser transmissores da doença para a sua família.

Todos os dias, quando vou buscar o meu filho à escola, não consigo deixar de ficar apreensiva ao ver ali avós de idade avançada. Estão ali no lugar dos pais que, àquela hora, se encontram a trabalhar. Estão ali, porque os mais pequenos não têm outro apoio. Quando o portão abre, os netos prontamente estendem-lhes a mão e lá vão rua fora em enorme cumplicidade. Aqueles id00osos nunca farão parte das estatísticas dos surtos das escolas, mas a sua vulnerabilidade àquilo que aí se passa é real. E isso deveria suscitar também reflexão.

Desta vez, o Governo não optou por um confinamento tão severo como em março. Essa decisão fará circular muitas pessoas pelo espaço público, o que multiplica o risco. Cabe ao Governo avaliar em permanência o que se passa. E travar mais a fundo, se os números não descerem nas próximas duas semanas.

Felisbela Lopes

Fonte: JN

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