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E pausa para férias

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ferias3Última conversa, ou monólogo, antes de ficar distante das máquinas, suspender compromissos, desligar gadgets e demais coisas que se fazem quando se está de férias. Se regresso ou não isso ao Alexandre cumpre responder e indicar. Por esta altura faço o meu próprio balanço e uma qualquer espécie de auto avaliação do que por aqui escrevi, das ideias que procuro afirmar, das leituras e dos contributos em termos de comentários, que recebi.

O primeiro apontamento que aqui deixei, depois do convite do Alexandre, data de setembro, dia 3 desse mês. Um princípio quinzenal, por orientação do editor que mesmo antes de terminar aquele mês se tornou semanal. Um total de 44 artigos, contando já com este. Se estivessem todos juntos, diria que se constituiria um pequeno livro, com qualquer coisa entre as 70 e as 100 páginas. Nada de monta.

Tendo como pano de fundo os comportamentos escolares (e não a indisciplina) poucos foram os meus apontamentos onde o tema teve destaque central (expresso, por exemplo, no conceito de comportamentos ou indisciplina presente em título). Ou, por outro lado, também não foi elemento chave da temática que rodeia o blogue e que o torna referência nacional (neste caso, enquanto uma das palavras chave do artigo). No primeiro caso, conceito em título, “apenas” 11% dos meus apontamentos continham indisciplina ou comportamento como referência. Valores muito idênticos (pouco mais de 12%) enquanto palavra chave. Ou seja, globalmente os conceitos que remetem para a problemática central deste blogue apenas me ocuparam por um quarto dos apontamentos que aqui escrevi. Foi pouco? Foi o suficiente?

Contudo e no meu entendimento, nunca os comportamentos escolares deixaram de ser a minha principal referência/preocupação em toda a minha escrita. Apesar da escassa referência, os comportamentos escolares são, em toda a minha prática e ação profissional o cerne de uma preocupação que me leva a desenvolver pequenos apontamentos de investigação onde essa rubrica é central. São os comportamentos, sempre entendidos em sentido relacional e de formação social, que têm orientado o desenvolvimento de processos de análise onde meu contexto profissional é elemento privilegiado.

Um das minhas caraterísticas é entender os comportamentos escolares na direta relação com o contexto social e com o futuro que, a um tempo e num contexto, se entende como o melhor. Tem sido esta uma das minhas perspetivas de análise, o papel da escola na transformação do aluno naquele que designo como cidadão social. Este entendimento faz com que considere diferentes variáveis em processos de combinação e recombinação múltipla e não simples dicotomias – recuso e refuto as dicotomias que considero simplistas, bom/mau aluno, prevaricação/pena, crime/castigo. Os comportamentos escolares vão muito além dessas simples dicotomias ou relações de sala de aula. O facto de se apelar a comportamentos adequados (que o são sempre em face de um tempo, de um espaço, de saberes como de valores e ideias que se têm) faz com que se procurem e incutam conformidades, tanto sociais como políticas, tanto presentes como futuras. Vai daí e a pontualidade, a obediência, o respeito, entre muitas outras, mais não são que modelos de relação que se procuram incutir. A escola surge, desse modo, como um poderoso instrumento quer de conformidade, quer como dispositivo das maiorias dominantes assegurarem a sua reprodução e a sua sustentação – senão em termos políticos, pelo menos em termos morais e valorativos.

Vai daí e é também a forma de eu entender e aqui ter escrito sobre a sala de aula, a decoração desse espaço, o papel social da escola, o papel de mediador do docente, as tecnologias educativas, os sentidos de regulação do trabalho docente entre todos os demais termas e assuntos.

No meio de toda esta escrita deu para entender que nem sempre é fácil conjugar uma ideia de longa duração no meio de dispositivos fluidos como o é a internet. Nem sempre é fácil fixar olhares quando as tentações são tantas e a cacofonia diversa e dispersa. Mas faz parte e há que (re)criar equilíbrios entre a escrita (pretensamente) marcante e as dimensões fluídas dos tempos.

De igual modo gostei de sentir, em particular nos comentários que foram feitos que ajudei a pensar, a considerar outras perspetivas e outras dimensões de análise. Como gostei de um comentário do meu editor fruto de evidências. Apesar da pouca afluência dos meus artigos, não faço parte do top 25 dos mais deste blogue, deram-me conta que ainda assim percebo da escola e das questões educativas. Vá lá.

Talvez regresse, ou não, em setembro. Mas quase sempre presente nas minhas coisasdasaulas.blogspot.com.

Agora vou descansar disto e de outras coisas mais.

Manuel Dinis P. Cabeça

18 de julho, 2016

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