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E O Próximo Ano Letivo? – Adolfo Mesquita Nunes

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Agora que nos aproximamos do fim do ano letivo, é uma boa oportunidade para fazer um balanço da resposta de urgência e emergência que a escola pública deu em contexto de pandemia, e para fazer uma reflexão sobre o próximo ano escolar.

Foi evidente, e isso tem de ser realçado e louvado, a enorme, veloz e dedicada capacidade de resposta da escola pública às famílias e alunos, garantindo que o ano letivo não ficaria comprometido. Montar uma escola remota de um dia para o outro foi uma notável demonstração de capacidade que tem de ser realçada e, reafirmo, louvada.

Mas ficaram à mostra as principais debilidades de um modelo remoto de ensino, que o transformam numa opção de último recurso, uma resposta de emergência.

Na verdade, o ensino remoto é insuficiente do ponto de vista pedagógico, como aliás é natural que o seja. Se o não fosse, há muito que teria sido adotado. A aprendizagem depende da interação pessoal, da dialética, do debate e confronto, e também da convivência. Tudo isso, que é essencial, é insuficiente num modelo remoto, comprometendo sobretudo o desempenho dos alunos com mais dificuldades e que precisam de um acompanhamento mais presencial.

Mas não é só isso. O ensino remoto depende da capacidade de alunos e famílias terem à sua disposição o equipamento necessário, saberem utilizá-lo e saberem resolver as questões técnicas que inevitavelmente o mesmo suscita, mas também terem à sua disposição uma estrutura habitacional e familiar que favoreça o estudo, que promova o ambiente necessário para que este ocorra sem distúrbios.

Como sabemos, isso não é a realidade de milhares de famílias, o que transforma o ensino remoto (valioso enquanto solução de último recurso) num instrumento de perpetuação de desigualdades. Quanto mais tempo essa solução de recurso for aplicada, mais fundo fica o fosso que separa crianças com recursos e famílias estruturadas de crianças em situação de vulnerabilidade económica ou social.

É que a escola tem como essencial papel o de ser um elevador social, um mecanismo de mobilidade social. É na escola que os mais vulneráveis podem encontrar as armas necessárias para poderem cumprir com os seus projetos de vida e de felicidade. Se privarmos a escola desse papel, estaremos a comprometer o futuro de todos os alunos que contam com ela para poder subir na vida.

Ora, se assim é, temos de saber o que vai passar-se no próximo ano lesivo, porque se o ensino remoto serviu como solução de urgência, as suas insuficiências não o recomendam como nova normalidade.

Em todos estes meses, o que está a ser feito nas escolas, nos recursos técnicos e humanos a ela afetos, para que, tal como sucede com as restantes áreas da nossa vida, ela se adapte aos novos tempos e possa de novo contar com o ensino presencial (ou parcial, intercalando com remoto)? Vamos ter mais salas, mais professores, mais recursos, para poder ter aulas com distanciamento social? Qual é o plano de reabertura do ano escolar num contexto como o que temos agora? E que medidas de contingência estão a ser tomadas?

Esta discussão é essencial, não tanto como apontamento à retoma da economia, mas como elemento estrutural da função pedagógica e de mobilidade social da escola. E é uma discussão para que todos devíamos estar a ser convocados.

Fonte: TSF

1 COMMENT

  1. Boa noite,

    Parece que a microsoft com os impostos de todos nós já está a tratar do assunto…infelizmente.

    [Da Microsoft para o Governo: Vanda de Jesus assume direcção do programa Portugal Digital – Marketeer](https://marketeer.sapo.pt/da-microsoft-para-o-governo-vanda-de-jesus-assume-direccao-do-programa-portugal-digital)

    > Vanda de Jesus é a nova responsável pelo programa Portugal Digital, criado pelo Governo português tendo em vista a transformação digital do País através da capacitação digital das pessoas, da transformação digital das empresas e da digitalização do Estado. A profissional assume o cargo de executive director depois de ter passado os últimos oito anos na Microsoft Portugal. Desde Julho de 2016 era directora de Marketing, Comunicação e Relações Públicas.

    Enquanto os outros países começam a abandonar a dependência da empresa de Redmond, nós por cá continuamos alegremente a esbanjar milhões de euros em licenças.

    [Europa, a “colónia digital” dos EUA | Investigação | PÚBLICO](https://www.publico.pt/2017/04/09/politica/investigacao/europa-a-colonia-digital-dos-eua-1767844)

    > Dependentes de _software_ caro, e que é usado secretamente pelas agências de segurança de Washington para recolher informação sensível, os serviços públicos europeus estão “capturados”. Mas podia haver “um projecto Airbus” para a independência tecnológica da Europa. Já há alguns exemplos.

    Munique, Hamburgo entre muitos outros locais estão a mudar, nós que demos mundos ao mundo, agora andamos sempre atrás de toda a gente, triste.

    [Microsoft Dropped for Open Source Again in Germany: Hamburg Follows Munich’s Lead – Slashdot](https://linux.slashdot.org/story/20/06/07/0147255/microsoft-dropped-for-open-source-again-in-germany-hamburg-follows-munichs-lead)

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