Início Editorial É Mais Seguro Dar Aulas Em Prisões Do Que Em Determinadas Escolas

É Mais Seguro Dar Aulas Em Prisões Do Que Em Determinadas Escolas

2882
0

Um colega meu referia-me que numa escola lá para os lados da capital, os professores têm medo de sair da sala dos professores e só atravessam os corredores aos pares. Outro colega meu referia-me que um dos melhores momentos da sua semana é quando dá aulas a reclusos e sente a essência da função docente: transmitir algo que é recebido por alguém que o quer efetivamente receber.

Realidades distintas que são paradigmáticas do que se passa em determinadas escolas, onde todo o conceito de segurança foi virado de pernas para o ar.

A imagem que temos da prisão, é de um local de elevado risco, onde quem vem de fora é controlado e quem lá está dentro não tem os mesmos direitos de quem está cá fora. As grades, os guardas e os muros altíssimos, não estão lá por mero acaso…

Filinto Lima referiu que as escolas não são campos de batalha, verdade, até aceito que a maioria não o sejam, mas mesmo essas não estão imunes a episódios de violência, onde uma faca ou uma pistola entram num recinto escolar sem controlo, ou mesmo onde um encarregado de educação pede explicações aos professores em modo “Terminator”. As escolas não têm agentes à porta, não têm muros altos, não têm autoridade nem capacidade para utilizar a força como método disciplinar, é uma escola para crianças e jovens que não necessitam, perdão, deveriam necessitar, deste tipo de condições ou estratégias.

Não deixa de ser irónico que os professores que lecionam nas prisões tenham direito a um subsídio de risco, onde os seus alunos não têm telemóveis no bolso, não andam armados, estão em grupos reduzidos e existe um guarda presente na sala ou a poucos metros de distância. Enquanto que em certas escolas, os professores sabem e sentem que a qualquer momento a sua sala de aula pode tornar-se num autêntico campo de batalha, onde a sua pessoa pode ser o alvo prioritário ou um mero dano colateral.

Quantos destes professores permanecem nesta ou naquela escola, apenas com o intuito de cumprir tempo de serviço, desejosos de sair de um espaço onde os conteúdos são acessórios e a prioridade é inserir jovens em sociedade, substituindo pais que muitas vezes são mil vezes piores que os seus filhos?

Quantos destes professores não sentem apreensão e medo ao entrarem na escola?

Quantos professores não ficam a semana toda a pensar naquela turma ou naquele aluno que lhe vai dar cabo da aula e até pode colocar em risco a sua segurança?

Quantos professores sabem que o pai do “Manel” e do “Toni” são criminosos à solta e que protegem os seus futuros criminosos de qualquer chamada de atenção do desafiador professor?

Afinal, quantos destes professores não sonhariam dar aulas numa prisão, com ou sem subsídio de risco?

É isto que queremos? É para isto que pagamos impostos???

Alexandre Henriques


 

Detido por agredir agente da  PSP em escola de Viseu 

Aluno de 15 anos agredido em escola de Matosinhos e hospitalizado “em estado grave”

Contador De Agressões A Docentes E Não Docentes

COMPARTILHE

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here