Home Editorial É Mais Grave Agredir Um Médico Ou Um Professor?

É Mais Grave Agredir Um Médico Ou Um Professor?

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O leitor deve ter pensado, mas que título mais estúpido. Concordo plenamente. Não há coisa mais estúpida do que dar mais importância ou destaque a algo semelhante, neste caso agressões a profissionais.

Porém, não é isso que se está a verificar…

Aceito com total naturalidade quando dizem que um médico é mais importante do que um professor, pois este salva vidas enquanto o professor não. Mas também aceito com a mesma naturalidade quem afirma, sem um professor não existiam médicos… É um pouco como a história do ovo e da galinha, nunca teremos a certeza absoluta de quem chegou primeiro

E ainda bem que assim é, estar a discutir a berma da estrada ou a estrada da berma, são ninharias de mentes pequeninas, mais preocupadas com os seus cotovelos do que com o elefante estacionado no meio da sala.

Como referi no passado, só uma sociedade doente é que agride médicos, professores, enfermeiros, assistentes operacionais, etc. Estamos perante uma crise de valores e de respeito pelas instituições, com um sentimento de impunidade em níveis estratosféricos.

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, dramatiza e bem, atirando para cima do Governo a responsabilidade de uma futura morte de um qualquer médico em serviço. Na Educação, a importância que os principais sindicatos dão à violência contra professores é apenas de interesse momentâneo, pois vivem obcecados com a carreira, talvez por já não darem aulas e assim não correrem o risco de levar uns tabefes na cara. Ainda ontem constatámos que a greve marcada para dia 31 de janeiro, não contempla a indisciplina e a violência contra professores, quando todos sabemos, tal como o sol irá nascer amanhã, que um dos principais problemas, se não mesmo o principal problema nas salas de aula, é a indisciplina dos alunos.

A comunicação social e a sociedade em geral, está naturalmente a valorizar mais as agressões aos médicos, pois existe uma enorme saturação da mesma sobre os problemas dos professores. Tornou-se banal, um padrão e como tal, o interesse caiu a pique.

Talvez um dia, que esperemos que nunca chegue, quando um professor morrer em serviço, este assunto seja levado a sério pelo Ministério da Educação e principais sindicatos.

Uma coisa tenho a certeza, bater a um médico, professor, juiz, lixeiro ou padeiro, é exatamente a mesma coisa, pois todos são seres humanos que um dia vão voltar à terra sem qualquer tipo de estatuto. Porém, outra coisa ficou clara, que diferença faz ter uma Ordem em vez de uma dúzia de sindicatos que usam sempre a mesma cassete e tocam sempre a mesma música, com maestros gastos que a sociedade já nem os pode ver nem ouvir…

Se queremos que os professores tenham a importância de outras “elites”, convém olhar para o que as “elites” têm e as estratégias que utilizam para marcar posição…

Alexandre Henriques

(carregar na imagem para aceder)

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