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“É indescritível a sensação de ver os meus filhos a vir da escola felizes”

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Ele entrou no primeiro ano. Ela está no pré-escolar. Escola pública. Não estou a sentir diferença do pré-escolar para o primeiro ciclo em termos da fluidez de contacto com os profissionais. Em ambos os sítios entramos no espaço escolar com normalidade. Não somos obrigados a ficar ao portão. Várias vezes não entro na sala, não sinto necessidade. Mas também não sinto que não posso entrar se o quiser fazer. Outras vezes entro, digo olá aos amigos dele, dou-lhe um beijo antes de se sentar na carteira, troco dois dedos de conversa com a professora ou com a auxiliar.

Ontem fui dar um recado à professora no fim das aulas. Conversámos uns minutos e o meu filho a certa altura quis mostrar-me as coisas que já sabia fazer no quadro. Todo feliz, a escrever com o giz o “A” maiúsculo em letra cursiva e a mostrar à mãe dele o que ele fez durante o dia. Mais tarde, lá fora, a saltar na macaca pintada no chão com a irmã, que também entra na escola do mano sem problema, e a mostrar-lhe a ela a brincadeira do recreio. E ela a absorver com naturalidade e de forma positiva, através do irmão, o sítio para onde irá daqui a dois anos.

Valorizo tanto estes pormenores. Defendo tanto que não exista uma separação demasiado vincada entre escola e família e que as crianças sintam que há este tipo de comunicação, de articulação.

Não vejo pais a abusar, a não saber estar, a perturbar as actividades das crianças, só porque têm a liberdade de entrar. Geralmente os pais também têm a sua vida. Também vão trabalhar, também não pretendem fazer sala. E acredito que se já aconteceu, que se alguém teve ou tem menos tacto, soube-se lidar com isso e não se impediu ninguém de manter esta relação. Embora saiba que há locais em que é mais difícil gerir familiares das crianças no espaço escolar, continuo a não aceitar que os portões da escola sejam a materialização de uma separação que não deveria existir, por ser sobretudo uma separação afectiva que promove a superficialidade.

Crianças felizes, pais felizes. Pais felizes, crianças felizes. Crianças felizes, professores felizes. Professores felizes, crianças felizes.

Não acreditem nas teorias de que no 1ºciclo tem de ser diferente. E muito menos que já tem de ser assim logo na creche ou no jardim de infância, com crianças entregues à porta, proibindo-se a entrada, só com contacto no dia e horário de atendimento. Não infantilizem os pais que valorizam a entrada no espaço escolar, não para o perturbar ou porque se querem imiscuir mas porque sabem que é assim que faz sentido e que é assim que conseguem sentir e passar uma mensagem de tranquilidade aos filhos. Não argumentem que seria inviável que todos os pais quisessem falar diariamente com o professor e que a sala não pode albergar todos os pais porque isso simplesmente não acontece. Quando há abertura diária, as necessidades distribuem-se e diluem-se ao longo do ano e o que realmente acontece é que por volta das 9h15, quase sempre antes, já estão todas as crianças com os professores, sem os pais, a fazer as suas rotinas escolares para que apenas ao final do dia se voltem a encontrar.

É indescritível a sensação de ver os meus filhos a vir da escola felizes. Mas também é maravilhoso eu sair de lá feliz, porque também eu me sinto a fazer parte da escola.

Ana Rita Dias

2 COMENTÁRIOS

  1. Mas porque é que os pais terão de entrar nas salas de aula? Os meus filhos praticam artes marciais e dança e eu não entro nas salas; um dos meus filhos está num colégio privado e os pais não podem entrar nas salas? Qual é a necessidade de entrar nas salas? É para dar aquela ideia de que a escola é aberta e tal? Há pais com essa obsessão , pouco compreensível… Querem falar com o professor vão ao horário de atendimento … Pais a colaborar em actividades dentro da sala? Com sentido pedagógico? Claro que sim! Doutro modo é apenas uma forma de invadir o espaço profissional alheio e mostrar poder! Deve ser pura e simplesmente proibido pelas simples razão que os pais não são alunos. é simples!

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