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É A Primeira Vez Que A Escola Está Autorizada A Abandonar Os Seus Alunos

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Retirado das orientações para o regresso às aulas em regime presencial (11º/12º Anos E 2º/3º Anos De Cursos)

Não consigo compreender…

O dia 5 de maio de 2020, ficará na história como o dia em que um Ministério da Educação autorizou as suas escolas a abandonar os seus alunos. Podemos escrever com um tom rosa, de forma indireta, erudita, intelectual, mas em bom português, o que o Ministério da Educação fez foi entalar os pais. Ou autorizam o regresso às aulas presenciais, ou ficam sem aulas e aguentam-se à bronca. Basicamente o recado foi este este.

É um erro e uma profunda insensibilidade para com as inseguranças legítimas dos pais e alunos.

Caramba, estamos a falar dos nossos filhos! Não é algo que se arrisque ou teste e se correr mal, voltamos a fechar as escolas e pronto. É que ainda por cima, já viram qual é o prémio? O que está a ser dado em troca? O grande benefício? Se fosse algo imprescindível, se fosse algo que não pudesse ser adiado, se fosse algo que determinasse todo o futuro académico e social dos alunos, percebia esta insistência. Mas esta urgência, esta obsessão no regresso a 1 mês, repito, 1 mês, do final das aulas tem o foco único nos exames. Há anos que digo que as escolas são escravas dos exames, hoje acrescento que o Ministério da Educação é refém dos exames.

Existe o bicho e existe o bicho papão, e quem manda tem muito medo do bicho papão, como se o mundo académico acabasse se os exames fossem adiados ou até… esperem, tenho de dizer baixinho porque há muita gente que se assusta… cancelados! (era agora que surgia aquele efeito sonoro TAMTAMTAAAMMM!!!)

Considero uma sacanice o que se está a fazer aos pais, obrigá-los a fazer este tipo de escolha. Digo desde o início de todo este drama imposto pelo covid-19, que o bom senso precisa de imperar, onde a avaliação, os exames, as aulas, são o menos importante até que matemos o bicho. Ninguém morre se perder 2,3,6 meses de aulas, ninguém morre se os exames não se realizarem, mas se alguém for apanhado pelo covid, pode morrer e também pode matar.

Não compreendo, juro que não compreendo esta loucura à volta dos exames, onde até obrigam os alunos que só têm exames no ano seguinte a regressar às aulas presenciais.

Já sabíamos que o Ensino à Distância tinha suspendido a Inclusão, mas hoje sabemos que a Inclusão não passa de marketing, pois na hora “H“, arruma-se e mete-se numa gaveta.

E depois temos a questão legal, até que ponto é Constitucional abandonar alunos? Até que ponto os pais não podem processar as escolas, os diretores e o Ministério da Educação por este abandono? Atenção, o próprio Ministério da Educação afirma que as faltas estão justificadas, logo se estão justificadas, como pode a escola justificar o abandono dos seus alunos?

Por isso os professores e diretores terão de tomar uma decisão. Não quero acreditar que vão deixar de apoiar os seus alunos, não quero acreditar que vão cumprir com as ameaças veladas da Tutela. É nestas alturas que o sentido cívico e moral da Escola e dos seus professores, deve vir ao de cima, contra tudo e contra todos se necessário for. Não é por acaso que chamo aos professores faróis sociais, pois no momento certo, tomam a decisão certa!

NINGUÉM FICA PARA TRÁS! Estamos sempre lá, tentamos tudo, podemos não conseguir salvar todos e não conseguimos, mas não atiramos a toalha ao chão, somos os últimos a abandonar o barco e assim será também desta vez.

Se quem manda não teve o discernimento para agregar e compreender a dimensão do problema, a escola e os seus professores seguramente terão.

Alexandre Henriques

P.S – Partilho dois links com notícias dos jornais de hoje. O Diário de Notícias publicou os resultados do inquérito ComRegras, onde 60% dos encarregados de educação afirmou não autorizar o regresso dos seus educandos.

Professores não vão compensar aulas de alunos que faltem sem atestado

Diretores pedem dispensa do 11.º ano às aulas de disciplinas a que não têm exame este ano

 

11 COMMENTS

  1. O mesmo governo que quer apostar no teletrabalho…entala as escolas para “chantagearem” os alunos que de alguma forma optem por ficar em casa…eu consigo compreender pois foi a forma que o ME arranjou para puder justificar que o regresso às aulas presenciais desta maneira, será um sucesso e o melhor caminho a seguir…o que os professores poderão fazer é contornar as ordens e dar apoio aos alunos que optem por ficar em casa a estudar…é dificil? Claro que é,mas quem conseguiu se desdobrar de mil e uma maneira para chegar aos alunos em época de confinamento também consegue passar a perna a este tipo de ordem,basta se unirem pois de resto já sabemos que não podemos contar com mais ninguém…muita força para mais esta batalha 😐

  2. Continuo sem perceber por que é que não se suspendem os exames! Ainda vamos pagar essa insistência com Vidas Humanas !🤔

  3. Alexandre, também não compreendo esta obsessão com os exames.
    Com tantas realidades a acudir, voltam-se estes palermas para as aulas presenciais a cerca de 1 mês de terminarem.
    E depois, aquela confusão dos 11º anos e 12º anos terem aulas de disciplinas que não têm exames, é de tontos. Eliminaram as provas de equivalência à frequência (e bem) e chutam com exames.
    A logística para tudo isto não vai ser fácil e é um perigo que pode ser evitado.
    “Para os exames e em força!”, parece ser o lema dos inteligentes.

  4. Chegue-se à frente o SE Costa… o tal da escola toda às flexibilidades e exames debaixo da gaveta…
    PS- Só vim aqui afirmar o que disse, vão 4 anos, e fui vilipendiado… Dizia uma velha tia minha” se queres conhecer o vilão põe-lhe uma vara na mão”…

  5. Dão com uma mão e tiram com a outra. Andam às aranhas, não sabem o que fazer. Têm medo de ser acusados de laxistas e lá se vai o capital de mérito angariado. Estou para ver como se vão sair os alunos nos exames no meio de tanta algaraviada. A verdade é que os alunos não aguentam aulas presenciais e on-line ao mesmo tempo e os professores também não.

  6. As universidades não vão ter aulas presenciais e os exames até vão ser pela net. As escolas, para que os alunos e trem nas universidades, terão aulas presenciais… Um Ministério refém da burocracia, do IAVE e pouco interessado nas famílias! Tudo isto depois de ter apregoado um sistema, também ele refugiado nas “queridas” evidências, de ensino à distância, que nem quer avaliar! Há 5 anos e tal que se espera a mudança de filosofia dos exames, que até foi prometida, e… a montanha pariu um rato! Ao não querer as aulas à distância porque quer as presenciais, o Ministério demite-se do seu papel, que deveria ser extraordinário por razões de saúde pública.

  7. Não estou nadinha preocupado com os pais. Onde estavam/estão eles durante as lutas dos professores, que agora trabalham o triplo a expensas próprias (sim, quem paga o computador privado, a electricidade privada e a internet privada?). Nunca deram razão aos professores. Estavam/estiveram sempre do lado dos Costas e afins contra os professores, que injuriaram até mais não. Agora? Aguentem-se. Talvez abram os olhos e finalmente vejam o lobo.

  8. Concordo plenamente. Quando se tem 16, 17 anos qual é o problema de se perder 3 meses de matéria??? Ficam burros para o resto da vida? 🤔🤔 E a realização dos exames com máscara, viseira….Com um calor de rachar pedra em pleno verão naquelas salas “maravilhosas” sem condições e todos a suarem.😱😱😱… Linda imagem.sr ministro.

  9. Se os professores se revoltarem e fizerem greve já sabemos que vão ser apelidados disto e daquilo. E que tal pela primeira vez os Pais e Encarregados de Educação darem uma nega ao Governo e dizerem; basta, os nossos filhos não vão para a escola e não vão fazer exames. Os alunos para entrada no Ensino Superior já tem 2 exames do 11º ano e chega. Os que estão no 11º ano para o ano logo se vê. O Ministério que altere os critérios. Não se esqueçam que muitos podem estar doentes na época de exames e como vai ser? Temos que ser mais ativos e deixar de comentários partindo para a ação.

  10. Concordo plenamente que esta é a hora “H” para os pais ajudarem os filhos, a Escola e os seus professores, mantendo os filhos em casa, sem ida às aulas presenciais e sem realizar exames. Se fossemos todos unidos neste sentido…não haveria governo que nos aguentasse!!! Para quando o fim da obsessão dos exames nacionais? Para quando o fim de um ensino que valoriza mais o estudo para testes e exames do que o saber fazendo, agindo e interagindo? Um sistema de ensino secundário obsoleto, no qual a única forma de avaliar é mediante testes e exames, não prepara cidadãos para o futuro!!! Nós pais, temos de ser mais proativos…reclamar menos e fazer mais!!! UNÁMO-NOS nesta causa!!!!

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