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Duas Dezenas De Escolas Suspeitas De Inflacionar Notas

Inspeção abriu mais dois processos disciplinares no Externato Ribadouro. Inflação de notas subverte acesso ao ensino superior

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Que se apure a verdade! Que seja inocentado quem é inocente e que seja afastado quem for culpado. Este é um assunto que está acima da questão Ensino Privado vs Ensino Estatal e não se deve confundir Instituições com pessoas.

Tão grave é aquele que adequa critérios de avaliação para garantir o sucesso pleno, como os que pressionam professores a subir notas para que tudo pareça um mar de rosas.

A competitividade é importante no ensino, mas a Educação nunca poderá ficar refém de interesses pessoais, rankings, ou de certos bolsos cheios…

É de louvar a atitude do Ministério da Educação e da Inspeção Geral de Educação, que finalmente parece estar disposta a por um travão a estes abusos que descredibilizam por completo o nosso ensino.


Duas dezenas de escolas suspeitas de subir notas

O inquérito ao estranho caso das turmas de 10º ano do Externato Ribadouro, no Porto, em que 95% dos alunos tiveram 19 e 20 valores a Educação Física e a classificação mais baixa foi de 18, está concluído e aquele que é um dos maiores colégios do país vai enfrentar mais dois processos disciplinares: um sobre a administração e outro sobre a diretora pedagógica.

A responsável enfrenta um segundo processo, noticiado pelo Expresso em novembro, e que decorreu também da averiguação da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) sobre as classificações dadas pelos professores. Neste caso, foi a atribuição de um “número significativo de classificações elevadas em disciplinas do 12º ano não sujeitas a exame nacional” que gerou a suspeita. Além desta investigação, o Ministério da Educação (ME) indica que “estão cerca de duas dezenas de processos em curso”, relacionados com a mesma prática.

No caso das cadeiras sujeitas a exame, o controlo sobre a inflação de notas é mais fácil. De acordo com os dados do ME, o que se verifica é que há escolas em que sistematicamente as notas internas dos alunos afastam-se de forma significativa das dos restantes colegas do país que têm as mesmas avaliações nos exames nacionais. Ou seja, no mínimo pode dizer-se que estão a usar critérios de avaliação mais generosos. Há 18 secundárias que nos últimos cinco anos letivos estiveram sempre nesta lista. A maioria (15) são privadas e nenhuma fica a sul de Coimbra.

“Nenhuma das 30 escolas privadas de Lisboa entra nesta lista da inflação repetida e no distrito do Porto 10 em 28 estão lá. Era importante que houvesse uma intervenção do ME”, defende Cristina Santos, docente da Faculdade de Medicina do Porto e autora de um estudo sobre o desempenho dos alunos nesta escola e a secundária que frequentaram. Nele constatou que os jovens que vinham de estabelecimentos onde a inflação de notas era prática acabavam por se sair pior do que os outros. Ou seja, tendo tido notas mais generosas podem ter ultrapassado injustamente outros estudantes no acesso à universidade que, eventualmente, trabalharam tanto ou mais do que eles, mas não conseguiram as décimas adicionais para entrar em cursos tão disputados como Medicina, alerta.

Quanto à concentração a Norte, acredita tratar-se de uma questão de contágio e competição pelos alunos. A IGEC tem realizado várias ações junto destas escolas e está agora a olhar para as notas nas disciplinas não sujeitas a exame.

Fonte: Expresso

6 COMMENTS

  1. Essa questão será eliminada, em boa parte… Enquanto a Escola Pública era exigente, a leitura era correta, agor, com o 54, o privado continuará a ser exigente com os alunos, com ou sem inflação de notas, e o Público irá afundar-se no laxismo até ser privatizado, ou, então, aberto à gestão privada de alguns agrupamentos… O próximo passo, senão com a atual legislação os resultados serão catatróficos… será acabar com os exames do 9º ano e de acesso à universidade… Presumo um concurso com os alunos a terem de prestar provas em cada uma das instituições… Imaginem quando, por exemplo, as universidades mais prestigiadas exigirem, como devem, sólidos conhecimentos, nos exames de Matemática , Língua Portuguesa, ou Filosofia? Quem ficará à porta??? Os alunos do Colégio Alemão ou os que frequentam os Salesianos do Estoril?
    Chamam alguns a isto escola inclusiva e para o sucesso… Espero que alguns fervorosos apoiantes do SE Costa e companhia não tenham a amarga surpresa de ver os seus filhos à porta do ensino superior porque frequentaram uma Escola Pública para o poucochinho e só se apercebem que os rebentos não sabem patavina quando se confrontarem com a realidade da exigência… Pena tenho eu em ver miúdos que andam , já agora, a ser enganados com notas inflacionadas no Ensino Público , com atividades e avaliações que roçam a indigência e, se mesmo assim não conseguirem, os senhores directores ainda mandam ir um bocadinho mais abaixo para que o sucesso seja total! Isto já está, já é , uma bandalheira a única coisa que me pena os meus descendentes terem de ”levar” com toda esta ”palhaçada”! A única coisa que ainda vai valendo para a catástrofe não ser maior é o facto do corpo docente ser velho e”tarimbado” e alguns directores não se deixarem embalar pelo canto da sereia…
    Mas nisto que é tão grave como inflacionar as notas no privado , e ainda mais grave, não interessa falar porque o proselitismo e a crença abafam a realidade…

    • O que se passa é exatamente o contrário, as notas inflacionados são as do privado. É só ver os resultados obtidos pelos alunos do 1° ano a universidade. Dos do público sem sombra de dúvida.

  2. O que interessa denunciar se quando os inspetores chegam ás escolas privadas durante os exames todo o esquema é desmantelado?

  3. Inflacionar notas?!
    Isso aconteceu agora nos Conselhos de Turma do 1º período dos 2º e 2º ciclos. Nos do 3º período, vai haver uma explosão. O SE não vai caber em si de tanta felicidade!
    Há professores de disciplinas onde tradicionalmente há insucesso, totalmente imbuídos do espírito da escola de sucesso, que não atribuíram uma única negativa!

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