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Dói Mais A Falta De Apoio Da Direção Do Que Uma Agressão De Um Aluno/Enc.Ed

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Seguramente que alguns que irão ler estas palavras recordam-se do dia em que foram chamados à atenção por parte [email protected] diretor(a), devido a uma queixa de um encarregado de educação ou aluno. Outros irão recordar-se daquela escola onde a chefia desculpabilizava os alunos em demasia, ao mesmo tempo que apontava com rapidez de far west o dedo aos professores.

Chamo a isto a pirâmide invertida. Quando um aluno/Enc. Educação é colocado no topo e o professor é atirado para a base. Há uma inversão da ordem natural das coisas e a palavra do professor passa a valer menos que a palavra do aluno/encarregado de educação.

Existe a dor física, momentânea, de uma agressão ou insulto, mas a dor emocional, essa permanece pois fica incrustada na nossa massa cinzenta. A forma como a escola, em particular a direção apoia os professores vítimas de atos extremos de indisciplina, determinam muitas vezes o futuro do professor, quer ao nível profissional, quer ao nível da sua própria saúde.

O que vão ler de seguida é o testemunho (mais um) de uma professora que em 2008 foi ameaçada na sua escola, lá para os lados de Guimarães. Apesar do email que recebi identificar a escola e a professora, a mesma solicitou anonimato com medo de represálias e exposição pública. Esta atitude só por si, reflete bem o receio de parte da classe docente para com o seu órgão de gestão, mostrando mais uma vez a necessidade imperiosa de reequilibrar forças, com um processo eleitoral bem mais democrático.


Corria o ano de 2008, dava aulas a uma turma de 4° ano pela primeira vez pois só tinha sido colocada nessa escola nesse ano.

Num recreio, duas alunas insultam- e e regressam à aula a chorar. Resolvo a ” briga” e mando recadinho escrito para casa a contar o sucedido.  No dia seguinte,  esperam-me no portão da escola às 9h, uma dessas alunas, toda chorosa e agarrada ao colo de uma mulher já idosa. Aproximo-me delas e a avó  diz-me:

– “Não sabe? A minha neta nem queria vir para a escola.”
Respondo que não sei de nada e pergunto de que é que a rapariga se queixa.  A senhora continua:
-” Ontem você bateu-lhe ou berrou-lhe e castigou-a sem razão nenhuma “… interrompo a senhora e digo que nem bati, nem berrei nem castiguei, viro costas entro na escola e a velha (a partir de agora já não é senhora nenhuma) vomita-me:
– ” Anda que quando te apanhar vou-te partir o focinho”.
Desesperada olho para trás ainda com medo que ela entre pelo portão e me venha bater…
Já nas aulas, no intervalo ( sim, dei a aula àquela rapariga mentirosa que fez queixa  de mim em casa, como se nada tivesse acontecido) as colegas revelam-me que a rapariga já tinha vindo de outra escola devido à avó ter dado uma bofetada na professora de 2° ano.  Fiz queixa ao Coordenador da escola que tentou falar com a velha mas só conseguiu enfurecê-la mais ainda por não lhe terem dado razão.  Quando terminámos as aulas nesse dia, lá estava a velha à minha espera. Esperei que se fosse embora. No dia seguinte a mesma coisa. De manhã,  a ameaçar-me com porrada e chamava-me cabra.  Nesse dia, chamei a PSP. Fiz queixa da velha. Durante semanas, dias a fio esperava por mim do outro lado da estrada em frente ao portão da escola ( a mando do agente, que num dia até a levou a casa e me disse que não havia agressão física, só ameaça por isso…nada a fazer). A Diretora do meu Agrupamento decidiu abrir um inquérito depois da queixa da velha. Interrogou pais e alunos da minha turma.  Queria saber se eu agredia os alunos.  Não teve nem uma queixa e quando lhe pedi para abrir um processo disciplinar à aluna por ter sido mentirosa negou- me o pedido.  Aliás negou-me tudo: apoio, proteção e a justiça.  Durante todo o ano comentou-se no agrupamento e entre os enc. de educação se eu era ou não culpada. Chegou o julgamento e a velha foi sentenciada a uma pena suspensa de 8 meses de indemnização em dinheiro a uma instituição de solidariedade pelo crime de injúria, difamação e ameaça à integridade física. Lamento a indeminização não ter sido para mim pelo sofrimento e angústia que passei naqueles meses todos cheia de medo de ir trabalhar e ter que aturar aquela fedelha estúpida dentro da sala de aula.
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