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Docentes do Privado ultrapassam docentes do Público

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Se a porta está aberta do Privado para o Público, então que se abra a porta para os dois lados com um concurso para todos.


O Governo abriu pela primeira vez a porta a que professores do privado que nunca lecionaram em escolas públicas possam vincular este ano aos quadros do Ministério da Educação (ME), ultrapassando os docentes do público. Em causa estão as regras para o concurso externo extraordinário – cujas candidaturas arrancam esta segunda-feira -, que poderá deixar centenas de professores do público de fora e permitir a entrada nos quadros de docentes das escolas privadas com contrato de associação.

“Um concurso que deveria permitir a vinculação de docentes precários contratados repetida e abusivamente pelo Estado viu o seu objetivo ser desvirtuado e vai ajudar a vincular docentes que nunca deram aulas no Estado”, diz ao CM Vítor Godinho, da Fenprof, apontando o dedo ao Governo por “não ter negociado regras próprias para o concurso externo extraordinário”. O ME espera vincular aos quadros mais de 3300 docentes.

Há 1236 professores que efetivam através da norma-travão, por terem três anos de contratos completos e sucessivos. Restam 2084 vagas. Para aceder às mesmas, é preciso ter, nos últimos seis anos, 365 dias de serviço no público ou 730 dias no privado.

“É mais fácil somar tempo de serviço no privado, enquanto os professores do público correm o País, fazem sacrifícios e muitas vezes ficam com horários incompletos. E agora vêm outros docentes, não funcionários do ME, vincular à frente”, acusa o dirigente sindical, ironizando: “É como se o Jumbo vinculasse ao quadro os funcionários contratados a termo pelo Continente e despedisse os seus próprios funcionários”. A Fenprof nota que depois destas vinculações será mais difícil conseguir contratos a termo.

Mais de 60 mil professores arrancam esta segunda-feira com candidaturas aos concursos

São mais de 60 mil os professores que começam esta segunda-feira a participar nos concursos externo, interno e externo extraordinário, tendo um prazo de sete dias para o fazer. “Costumam ser 10 dias mas o ME optou este ano pelo período mínimo. A plataforma informática é pouco amigável mas os professores estão habituados”, diz Vítor Godinho, da Fenprof. Candidatos a dar aulas a contrato e efetivos que querem mudar de escola terão todos de concorrer.

Fenprof vai expor “grave violação” no Parlamento

A publicação do aviso de abertura dos concursos sem negociação prévia com os sindicatos é “uma grave violação da negociação coletiva, que será denunciada junto da Assembleia da República”, afirmou a Fenprof. “Já percebmos que o ME está com uma atitude de ‘quero, posso e mando’ semelhante aos mandatos de Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato. Embora com Crato nunca tenha havido concurso externo extraordinário sem regras negociadas”, diz Vítor Godinho.

Fonte: Correio da Manhã

5 COMMENTS

  1. Será o contrário?,
    Alguns docentes do público querem ultrapassar os docentes do privado.
    ,
    Ambos recebem dinheiros públicos para o mesmo trabalho.
    ,
    Ambos têm sido professores.

    • Sim, mas conheci famílias inteiras a trabalhar no mesmo colégio (pai, mãe e filha) ou irmãos. Como é que foram lá parar? Por concurso????? Todos sabemos bem como é que se entra num colégio!!!! É só cunhas e compadrio!!!!!!

  2. Gostaria de saber se sendo professora do privado sou menos professora do que alguém que trabalha no público. Além disso, não pago as mesmas cotas ao sindicato? Por fim, os professores de contratos associação trabalhavam em escolas tuteladas pelo ME, logo o patrão é o mesmo!

    • O problema está na falta de equidade. Enquanto o concurso para professores é centralizado, o privado não o é. No privado as regras não são as mesmas, logo quem entra no privado pode estar muito atrás da fila e passados uns anos passar à frente dessa mesma fila. Somos todos professores, e a culpa não é dos colegas do privado, a culpa é do Ministério da Educação que permite esta confusão de regras.

  3. Agradeçam ao Bloco de Esquerda… como sempre, deu com os burros na água. Mania de universalizar a asneira e achar que a democracia participada nas tascas resolve todos os problemas. Se o anterior concurso causou injustiças, esprrem pelos resultados deste: horários zero com fartura… depois digam que há injustiças. Os professores privados nem têm culpa, vão é ter uma boa oportunidade para deixar o precário… Força!!!

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