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Do Ultrajante Silêncio Do Ministro Face Às Agressões Contra Professores

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O que levará um Ministro que representa a pasta da educação, a não proferir uma palavra sequer, relativamente à forma desprezível e vil com que são tratados os professores que representa?!!

Padecerá de um mutismo autista ou será mera incapacidade revestida de ignorância pacóvia?!

Não raras vezes me tenho questionado de onde terá saído esta criatura, travestido de ministro, obedecendo cegamente a ordens que acata sem levantar os olhos do chão?
Deixassem-no estar, lá bem longe, nas suas investigações, vá-se lá saber do quê! Sobre educação não seriam certamente.

Só em Lisboa, a violência contra docentes levou o Ministério Público a abrir 87 inquéritos no ano passado.

No ano letivo passado, foram registados 22 casos de agressões físicas ou psicológicas a professores por parte de alunos, encarregados de educação e pais. Este ano, são já conhecidos 17 casos, no entanto os números de agressões conhecidos serão muito inferiores ao real. Há casos de professores que não comunicam nem pedem ajuda.

Na semana passada, o tema voltou à discussão com mais um caso entre tantos outros, de violência contra um professor da Escola Básica Francisco Torrinha no Porto.

Os docentes são vítimas de agressões físicas e psicológicas, de chantagem por parte dos alunos e dos familiares, de forma perpetuada e constante.

Os danos são incomensuravelmente graves e com um enorme impacto na vida dos docentes e consequentemente no bom funcionamento da escola e no desempenho dos alunos. Ora, num ambiente que se quer de paz e harmonia, a substituição de um professor origina instabilidade escolar no seio da sala de aula, nos alunos e restante comunidade educativa!

Caso o professor se mantenha em funções, o ambiente propício a uma boa aprendizagem estará irremediavelmente comprometido, quer pelo inevitável estado anímico do professor, quer pelo desconforto dos alunos face à situação, quer ainda em relação às expectáveis sanções daí resultantes e que originam alterações na mecânica da sala de aula.

A classe docente encontra-se há muito mergulhada num imenso desgaste emocional.

Segundo estudos realizados, “As agressões aos docentes afetam, a auto-estima, a imagem do professor e o seu desempenho profissional. Não são raros os casos de “…depressões graves, de profissionais que não conseguem voltar a trabalhar”.
Os professores ficam arrasados, deprimidos, doentes. Por vezes, não têm capacidade para dar continuidade à “profissão”, exemplo desta situação são as inúmeras baixas médicas de Professores que vítimas do síndrome de Burnot se sentem extenuados e incapazes de continuarem a desempenhar a sua função capazmente.”

Está claro que muitas associações de pais ( e eu também sou mãe e também pertenci a algumas associações de pais), desvalorizam a situação.
Quando a preocupação é a escola a tempo inteiro e meramente um depósito, mais olho negro, menos olho negro, o assunto banaliza-se e é de somenos importância.

Por outro lado temos os diretores dos agrupamentos que tentam a todo o custo escamotear a situação, abafando o assunto de forma a que “não seja do conhecimento público o que prejudicaria a escola”, no seu entender. Mentes limitadas e de caráter duvidoso ao não salvaguardarem, quer um espaço que se pretende seguro, quer os colegas que merecem respeito e apoio principalmente em momentos difíceis e de ruptura, preferindo não relevar a situação.

Acresce o facto de termos um primeiro ministro que ignora escandalosamente a situação e um Ministro que ao saber que, os “seus melhores professores do mundo”, foram agredidos, assume uma postura de mudez e alienação, reveladora de uma incompetência e falta de sensibilidade gritante.

Uma agressão é sempre ilícita e condenável, a moldura penal para este crime encontra-se tacitamente expressa no código penal, cap.III, art.143, que pode configurar uma pena de prisão até 3 anos.

Um governo democrático, num Estado de direito, não deveria ter quaisquer dúvidas a este respeito.

Por último, uma imensidão de sindicatos, tão “defensores dos professores”, mas completamente cegos por algumas causas, que os fazem ignorar desonestamente muito do que se passa nas escolas, nomeadamente a indisciplina.

É vergonhoso ficar calado e não escrever uma única linha, proferir uma única frase, lamentando o sucedido e exigindo medidas de responsabilização de alunos e encarregados de educação. Exceção louvável para o STOP que tem primado pela coerência e pelo respeito pelos Professores.

Reinvocando Durlheim, a maior parte da indisciplina escolar provém de uma patologia social originada pela falta de diálogo intergeracional pais-filhos e pela falta de amor, tanto na família, que se transformou numa unidade afectivamente atópica e intemporal.
Importante na minha opinião, a análise da conceção da educação de Durkheim e as suas interfaces com o ensino.

De facto, ser professor em Portugal, é sem duvida alguma, exercer uma profissão de risco.

Mesmo admitindo que nenhuma lei opera transformações sem a construção de postura social que a legitime, é necessário legislar a favor do trabalho docente em ambiente escolar socialmente saudável.

Uma classe desprezada, ultrajada nos seus direitos, desrespeitada, abandonada à sua sorte, é uma classe tristemente desmotivada, cansada, exausta e sem ânimo ou motivação para desempenhar capazmente a sua função…

Consequências a curto prazo?
Um ensino medíocre, uma Escola Publica moribunda, inexistência de Professores a curto prazo e pior que tudo Sr.s governantes, uma futura classe trabalhadora mal preparada e medíocre com as consequências que daí advirão… o que não será certamente preocupação que vos cause insónia, pois haverá sempre lugar para os primos, mulheres, filhas e genros na vossa República Oligárquica.

Pobre do país que despreza seus próprios mestres.
É nas crianças e nos jovens em formação que está o país que podemos ser. Mas não se enganem, é urgente: antes, há que cuidar de quem os forma.

Florbela Mascarenhas

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1 COMENTÁRIO

  1. Esse ministro é do mais cobarde possível. Nem mais um voto nessa gentalha. Também podemos falar da cumplicidade da geringonça…

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