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Do Que Se Fala – Somos não-democratas em democracia

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falsa democraciaA cada dia mais se sente e vive, esta democracia que tem os alicerces para o ser, mas com as pessoas para a não deixarem prosseguir.

O regime no “papel” mudou do que havia há 41 anos, mas as atitudes e mentalidades são as mesmas, logo dá para entender –se quisermos, se conseguirmos pensar por nós – que “isto” não está a funcionar, e cada vez pior vai ficar.

A nossa atitude egoísta, de não consensos, intolerante, agressiva, faz com que sejamos em força não-democratas em democracia, e não deixemos que esta funcione.

E se “isto” se vem a assinalar já há uns dez anos, nestes últimos 5 agravou-se e hoje pior está. A diferença de atitudes entre o Norte Europeu e o Sul, está aqui, e se não tivermos vontade – e parece não termos – de mudar, não vamos lá.

Não sabemos ser maturos, achamos sempre ter toda a razão – a nossa – , e estamos completamente nos marimbando para alguém que possa pensar diferentemente de nós – é democraticamente proibido pensar diversamente do que nós pensamos.

O que conta é o que nem pensamos, ou melhor o pensamento que por uns quantos nos é formatado, e ficamos por aí, e nem permitimos que outros possam – tentar- pensar, ou no mínimo actuar de forma diferente da nossa.

E até, mas não só, nos temas fracturantes – aborto, testamento vital, morte assistida – nos bloqueamos nas nossa ideias e nos formatamos a essas mesmas ideias, não tendo a mínima tolerância com quem possa pensar de outra forma, seja de que lado possamos estar, “todos!” a reagir da mesma forma.

Se não for dito o que achamos ser a nossa única e exclusiva “razão”, está mal, não pode ser aceite, é intolerável que se pense, e teremos de “barrar”. Sim, colocamos “barreiras” em todos os lados, muitas ao pensamento, muros à tolerância, muros ao diálogo.

E se assim achamos que é a única forma de ser e estar, continuaremos a cavar o fosso onde iremos enterrar a democracia, dado que não irá aguentar muito mais sem democratas. Pode ficar a “casca” mas o interior está a apodrecer. E somos nós – todos, todos – que estamos a fazer com que tal aconteça.

E esperemos, nestes 4 anos que se seguem, num tempo que temos uma dívida pública de 130% do PIB – sem falar, aqui, na dívida dos privados! – em que a nossa Economia não arranca há 10 anos, em que o Emprego não sobe, sejamos se não ser democratas  – não sanemos como? – cuidadosos com o nosso futuro colectivo e individual, para não estourarmos de vez, espalhando antidemocraticamente culpas uns aos outros, de todos os lados sendo sempre , nós, umas “virgens” delicadas quanto a culpa própria e erros graves perpetrados.

Augusto Küttner

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