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Do Que Se Fala – Não, não é um boneco, é uma criança afogada! Morta no mar!

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criança afogadaUma criança de três anos “morta”, na primeira página dos jornais pelo Mundo e nos nossos, afogada nas águas turcas. Não é um boneco, com que as crianças “normais” brincam, é um ser humano, morto. Igual aos nossos filhos, aos nossos netos. E “isto” vende jornais, abre telejornais, mas não é uma ficção, não é uma telenovela, não é um concurso, é a realidade que nos assola e que fingimos não ver. Ou achamos ser uma telenovela. Não, não é!

E a União Europeia que é tudo menos união, deveria ter vergonha, e se não outorga de outra forma, que sejam as capitais europeias – dado que não é possível retirar os países da Europa – que decidam individualmente, e façam qualquer coisinha por esta tragédia. Claro que já temos muitas desgraças cá dentro, fome, sem-abrigo e desemprego, mas façamos mais por todos como Pessoas que são. E somos!

Deixemo-nos de dar aos animais de estimação – o que não damos a seres humanos, Pessoas, sem abrigo, de dentro e de fora – que fazem cocó nos jardins públicos. Claro que não se devem tratar mal os animais de estimação – nunca, mas há limites- e dê-se de comer a ser humanos, a Pessoas que morrem à fome. Não se desperdice um grão de arroz da nossa comida, uma migalha de pão, que faz tanta fala a estas Pessoas: Velhos, Crianças, Mulheres, Homens como nós, que morrem como nem animais ditos irracionais, devem morrer.

A Síria desfaz-se sem nada ligarmos, e apareceu o ISIS. A Líbia foi por nós ajudada a depor um Kadhafi, que tantos aqui na Europa admiraram e nada ficou lá, o Iraque foi decapitado pelo Bush com apoio de europeus, e não há culpas, nem culpados, mas há, esta tragédia!

Claro que não podemos deixar “entrar” tudo à balda cá dentro, mas não podemos fazer de conta, não podemos erguer muros de morte. Não podemos – não devemos – continuar a fazer o que tem sido feito nos últimos anos. E por muito que indigne muitos, a comparação volta aqui e agora, não criemos como há mais de 70 anos, de outra forma, campos de concentração, campos de morte, Auschwitz ao contrário, matando gente antes de a deixar entrar, em vez de a concentrar para matar.

E com as campanhas eleitorais cá e não só, e até sem campanhas eleitorais, façamos todos “qualquer coisinha” enquanto não nos embrutecemos, sem regeneração.

E façamos crescer a economia – de facto, que não aumentar o crédito para compra de automóveis e casas novas – para haver espaço com trabalho para todos.

E estando nesta Europa esfrangalhada a envelhecer, tratemos bem os nossos Velhos, muito melhor do que hoje tratamos, mas acolhamos jovens não os colocando em guetos, e façamos futuro com Pessoas, como Pessoas, e não façamos novelas, nem primeiras páginas de jornais e aberturas de telejornais com crianças, afogadas como se nada fosse connosco, e depois vamos dormir descansadamente!

 Basta, tenhamos humanidade de facto. Ou estamos demasiado imbecilizados para já nem isto saber fazer?

Augusto Küttner de Magalhães

Nota: Guia prático para cada um fazer a diferença na ajuda aos refugiados

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