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do programa do governo – a educação e a escola

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progr xxi governoConfesso que no decorrer da semana, enquanto pensava sobre o que escrever, que tema escolher, que assuntos abordar, me senti dividido, indeciso, quase que a entrar em stresse perante as diferentes opções que se me colocavam pela frente.

Acresce que tenho alguns artigos alinhados, pré cozinhados, passíveis de ir buscar sempre que exista alguma carência (ou carestia) de ideias ou imaginação, de pretextos ou de simples texto. Mas não era uma questão de pobreza ou dificuldade imaginativa. Pelo contrário, proliferaram temas e assuntos que sobram para alimentar muitas crónicas, caso não perdessem a oportunidade, o cabimento ou simples o momento.

A questão de dúvida e de alguma ansiedade girou em torno de duas questões, algo distintas mas que se conjugam (e encontram) aqui, no ComRegras.

Por um lado, colocou-se-me a necessidade de, em face da minha ideia sobre os suportes digitais, adaptar a minha escrita ao espaço onde ela acontece, antes, no meu entendimento, numa perspetiva (ou sentido) de revista digital, agora mais numa perspetiva de blogue. Entre um e outro considero que os suportes digitais são rápidos, fluídos, algo imprecisos no olhar e na atenção. Face a essa ideia, considero essencial não me estender muito, procurar criar e escrever um texto que, de alguma forma, oriente e segure o leitor na e pela escrita que se  desenrola. Em termos práticos significa tão só escrever textos mais pequenos e, eventualmente se assim o conseguir, mais densos, de forma a prender atenções e olhares no decurso de uma leitura de ecrã.

Por outro lado, o tema. Entre dúvidas e oportunidades ele há tanta coisa que decorrem da semana que fico na dúvida sobre o que divagar, o que aproveitar como pretexto para uma escrita, curta, eventualmente sintética, possivelmente pertinente ao passante por este sítio.

Pronto, fico-me manifestamente pelo mais óbvio, pelo programa do governo na área da educação. Afinal é  o pretexto mais evidente no decorrer da semana. Isto apesar de tudo o que foi dito, escrito, televisionado e blogado, pois considero que é um tema por onde e em face do exposto, não convém grandes alongamentos, por mera questão de saturação (seja ela política ou educativa), ou simples devaneio de escrita.

Há duas situações que considero essenciais à escola do século XXI, flexibilidade e competência. Registo que, no meu entendimento, não tem existido nem uma nem outra (falo e considero o meu contexto educativo de Alentejo) e que agora surgem no programa de governo. Como se operacionalizam é uma  situação que aguardo para ver (e perceber).

Flexibilidade por que as situações escolares e educativas são cada vez mais diversificadas, difíceis de encaixotar em normas e regulamentos padronizados para um todo nacional. As situações e as respostas (localmente consideradas) são diferentes de contexto para contexto, de aluno para aluno. Esta flexibilidade vai num assumido sentido de alfaiate pedagógico (e curricular) e não de um pronto a vestir escolar que a todos serve mas que deixa de fora (cada vez mais) situações que nela não encontram resposta.

Competências expressas na capacidade de gerir e negociar projetos, interesses e objetivos, de lhe dar sentido, por que de papel estamos conversados. Mas também competência (e não só autonomia) de adequar os recursos de que se dispõem aos objetivos que se desenham, de criar mecanismos e instrumentos de avaliação que não sejam grelhas cerceadoras (por que normalizadoras) da imaginação, mas elementos que despertem a criatividade de oportunidades e ideias.

Neste contexto, destaco duas ideias centrais do programa do governo:

«A nossa política educativa (…) promoverá o sucesso educativo de todos (…)». Para efeito, centrar-se-á «na escola e na sua organização, autonomia e iniciativa, para a identificação das estratégias mais eficazes» mediante o incentivo à «(…) flexibilidade curricular, desde o 1.º ciclo»

Para o efeito, irá «criar condições para que as escolas e os agrupamentos, em articulação com os centros de formação, as instituições do ensino superior e outros intervenientes, se assumam como espaços privilegiados para a formação contextualizada dos seus docentes»

Só isto, assim, seria uma pequena grande revolução. Significava que o Estado (central e habitualmente desconfiado e distante) confiaria e aceitaria o local como lócus de políticas. Mas, para isto, são precisas competências e não voluntários ou voluntarismos.

Desculpem lá se me estendi em demasia. Mas deste tema, gosto eu.

Manuel Dinis P. Cabeça

07 de dezembro, 2015

1 COMMENT

  1. …entrar na máquina do tempo e recuperar toda a m….que o sr. Crato fez aos professores de par pedagógico e 3º Ciclo de Educação Tecnológica!

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