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Do Covid19 à falta de professores: muitos alunos sem aulas presenciais.

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Este início de ano letivo tem sido muito duro nas escolas, para toda a comunidade escolar, professores, assistentes operacionais, mas especialmente para os alunos sem aulas presenciais e sem professores.

O principal problema é sem dúvida a pandemia. Em primeiro lugar porque não compreendemos porque somos a exceção na aplicação de medidas de combate à pandemia. Quem argumenta que os professores, como os médicos, devem estar na primeira linha, para salvaguardar o futuro das crianças e jovens, tem razão, mas depois ignora deliberadamente que os profissionais de saúde têm medidas de proteção que nós não temos, como os fatos, enquanto para nós exigem que nem as regras mínimas sejam cumpridas, como distanciamento de segurança, falta de arejamento entre aulas com turmas grandes, professores de risco com doenças associadas sem teletrabalho, etc. Sim devemos estar na primeira linha mas com medidas de proteção adequadas e não sermos carne para canhão. Além disso, temos dualidades de critérios para situações de covid19 como só irem para isolamento profilático uns quantos alunos nuns casos, a turma toda noutros casos, mas nunca o professor. A rácio disto é manter a escola aberta a qualquer preço, o que não tem impedido que esteja a aumentar os alunos com ensino à distância, que é considerado um parente pobre e bem.

Andámos a planear o ensino misto para as turmas terem aulas só de manhã ou de tarde, com redução das aulas presenciais para 3/4, mas esta modalidade ainda não foi aplicada nem está prevista nos concelhos em emergência. Na educação planeámos, ao contrário da saúde onde claramente o planeamento falhou, mas agora que era preciso passar ao ensino misto não se avança. Sr. Presidente planear significa estudar vários cenários onde se coloca hipóteses e abordagens a ter face às mesmas, desde as mais favoráveis às com maiores dificuldades. Não aceito com tanta gente nos gabinetes que não haja uma previsão de um cenário pessimista. Se o staff dos gabinetes não serve para planear, o que está lá a fazer? Só tem direito às mordomias?

Mas se na educação se planeou um sistema misto e agora se hesita em aplicá-lo, temos de dizer que o problema de falta de professores resulta de um deixar andar, ir navegando à vista e não planear as falhas sistémicas que possam vir a acontecer no sistema de ensino e a falta de professores é a mais grave. O facto de terem estado previstas ajudas de custo para professores deslocados num dos últimos orçamentos e nada ter sido feito mostra que o problema foi equacionado mas deliberadamente ignorado. O problema de falta de professores está a provocar um ano letivo anormal com muitos alunos sem aulas às disciplinas mais carenciadas de professores (cerca de 400 – professores em falta – a multiplicar por duas turmas – média de turmas por professor que podem ter horário reduzido – vezes 25 alunos por turma, dá cerca de 20000 alunos).

Concluindo a normalidade do ensino está a ser perturbada pela pandemia, com muitos estudantes em casa, em ensino à distância, pois se as escolas não são na maioria dos casos a origem dos surtos, estão a ampliá-los, porque as condições são propícias à transmissão ao não se respeitarem regras impostas a toda a sociedade. Há um estudo europeu que aponta para cerca de 25% de novos casos o impacto das escolas abertas na pandemia, enquanto por cá se insiste num impacto residual.

Outro problema do início deste ano letivo é a existência de alunos sem aulas por falta de professores que não foram colocados. Este é um problema de desleixo do ministério que preferiu não atuar, mesmo tendo já sido previsto a existência de ajudas de custo num OGE anterior.

Rui Ferreira

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