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Do confinar ao desconfinar: uma questão de ‘fiducia’.

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O fecho das escolas foi uma luta tremenda dos professores e de elementos da sociedade civil para contrariar a visão obstinada do governo que o fecho das escolas ia acentuar a desigualdade entre alunos, pelo que não foi equacionada com seriedade, pelo lado do factor pandemia. Assistimos ao aumento de casos na sociedade e nas escolas, ao tratamento diferenciado dos contactos dos casos positivos (umas vezes ia toda a turma, outras vezes só os colegas que circundavam, outras ainda ninguém), o que provocou insegurança para todos os que estavam na escola e cereja em cima do bolo, a uma política de esconder o número de casos. Esta visão do governo «otimista» (ou negligente) não aconteceu só na educação, mas também no Natal, na elaboração de planos de contingência em que não foram acautelados  cenários mais pessimistas. Mas na educação a esta visão otimista juntou-se a vontade de ter as escolas abertas a qualquer preço, pelo que os planos de contingências não previram a aquisição de meios de trabalho (computadores e net) a tempo e horas e nem sequer houve preocupação em fornecer as condições de teletrabalho aos professores. Se há ensino à distância é com os equipamentos dos professores, pelo que estes já pagam um imposto escondido, através do aumento da despesa (equipamentos extra, reforço da internet, acréscimo nas despesas de luz), portanto não são os professores que são os ‘aristocratas’ do teletrabalho, nem os beneficiados pela crise (telecomunicações, indústria dos computadores, etc).

Agora a escola está outra vez na berlinda, por pretenderem ser a primeira a desconfinar, provavelmente até aos 12 anos, isto é, até ao 2º ciclo. Não me oponho, mas com testes antes da reabertura, a todos, repetidos com regularidade, com uma política de transparência de casos positivos covid em ambiente escolar e protocolo de quem faz quarentena igual para todas as situações, escolares ou societais. Os professores não se importam de dar aos alunos as condições ideais, que passam pelo ensino presencial, mas querem sentir-se seguros, não a 100% que é impossível, mas dentro de medidas razoáveis e que já foram anunciadas, como o testar cada vez mais e ser transparente na divulgação dos casos e  quarentenas necessárias. A vacinação também seria importante, mas com a escassez de vacinas, aceito esperar pela minha vez – havendo vacinas disponíveis acho que devia haver uma prioridade intermédia para as escolas. Contudo, tenhamos consciência que a abertura das escolas dá um sinal à sociedade de melhoria substancial das condições pandémicas (Guinote à SIC), criando condições subjetivas para comportamentos que ignoram a situação pandémica.

A grande questão que se levanta é saber se podemos confiar (fiducia – confiança) num governo e num ministro da educação que tem falhado sistematicamente aos professores?  

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