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Disciplina de Cidadania e Desenvolvimento será obrigatória e vai contar para avaliação

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Os conceitos de igualdade, de cidadania, de educação ambiental, direitos humanos, literacia financeira, sexualidade, voluntariado, etc,  são essenciais para a formação das nossas crianças e jovens.

Se é verdade que os pais devem ter um papel central na transmissão destes valores, concordo que a escola não pode ignorar a educação das suas crianças e jovens. Muitos são os casos onde os pais simplesmente não são capazes ou não estão para aí virados.

A única coisa que me faz confusão é colocarem os professores (mais uma vez) na linha da frente sem que tenham uma preparação prévia para o efeito. Alguns até podem dizer que os professores não precisam, discordo, apesar dos professores serem cidadãos atentos e com uma cultura geral acima da média, não é garantia por si só que estejam aptos a ensinar tudo o que lhes aparece. Somos especialistas pedagógicos nas nossas áreas de especialização mas não somos especialistas em temáticas que estão muito distantes dos currículos. E para ensinar, nada melhor que um especialista…

É uma boa ideia, seguramente, mas convém dar condições para que ela seja efetivamente uma mais valia.

Podem consultar em baixo algumas das características da nova disciplina Cidadania e Desenvolvimento.

Escolas abrangidas são as mesmas que estão já no projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular. A partir do próximo ano letivo, o objetivo é alargar a disciplina a todas as escolas do país.

Na fase piloto, o ensino da Cidadania e Desenvolvimento abrangerá os anos iniciais de cada ciclo de ensino, ou seja, 1.º, 5.º, 7.º e 10.º anos.

No primeiro ciclo, a disciplina tem uma natureza transdisciplinar e nos segundos e terceiros ciclos será uma disciplina autónoma e com avaliação, tal como qualquer outra unidade curricular, como por exemplo português ou matemática.

No primeiro ciclo do ensino básico a avaliação é qualitativa e nos segundos e terceiro ciclos do ensino básico e no ensino secundário será quantitativa, contribuindo também para a média do aluno.

Em termos curriculares, o ensino será organizado por três grupos com implicações diferenciadas; o primeiro é obrigatório para todos os níveis e ciclos de escolaridade e tratará de temas como os direitos humanos, a igualdade de género, a interculturalidade, o desenvolvimento sustentável, a educação ambiental ou a saúde.

O segundo grupo deverá abranger pelo menos dois ciclos do ensino básico e tratará de temas como os media, instituições e participação democrática, literacia financeira, educação para o consumo, sexualidade e segurança rodoviária.

Já o terceiro grupo tem aplicação opcional em qualquer ano de escolaridade e deve abordar as temáticas do empreendedorismo, mundo do trabalho, risco, segurança, defesa e paz, bem-estar anima, voluntariado, entre outras.

Serão desenvolvidos projetos específicos que podem ser articulados com outros projetos escolares e contar com o apoio de instituições parceiras, numa perspetiva de trabalho em rede.

Disciplina de Cidadania e Desenvolvimento avança em 235 escolas do país

(TSF)

Igualdade de género vai ser um tema obrigatório no ensino básico e secundário

(Público)

7 COMMENTS

  1. Apesar de uma sintaxe algo encavalitada, até merece um comentário atento. Isto porque o que está em causa, neste excerto, é nada mais do que a própria profissionalidade e profissionalismo docente. A profissionalidade é o conjunto de características que distinguem uma profissão de outra qualquer atividade. Ora, o que distingue a profissão de professor – ou então não é uma profissão – é, precisamente, a especializada capacidade desenvolvida, através de uma formação inicial e contínua séria, de se preparar para ensinar quaisquer matérias afins à sua área científica de formação, que, aliás, naturalmente evolui, se altera e avança, bem como a capacidade, no caso do importantíssimo docente do primeiro ciclo do ensino básico, de ensinar tudo aquilo que se vai percebendo que uma criança precisa de aprender nos primeiros anos de escolarização – conhecimentos e competências básicas que lhe permitam adaptar-se ao mundo em que vive. Neste sentido, não se pode admitir a amadora desculpa, segundo a qual «apesar dos professores serem cidadãos atentos e com uma cultura geral acima da média, não é garantia por si só que estejam aptos a ensinar tudo o que lhes aparece»! Além de uma “cultura geral” nem sempre visível, todo o professor deve ter uma cultura profissional que lhe permita não escrever esta barbaridade! «E para ensinar, nada melhor que um especialista…» Precisamente: o único especialista que se conhece em ensinar o que é preciso aprender é mesmo o professor!
    Depois, o profissionalismo consiste no nível de qualidade de exercício da profissão, no que toca a valores éticos que lhe estão implicados. No caso, o professor detém uma obrigação ética de ensinar, o melhor possível (e não, simplesmente, o melhor que sabe!), tudo quanto as crianças e jovens necessitem de aprender para melhor se adaptarem ao mundo em que vivem. O excerto em análise é uma negação infundada desta básica obrigação profissional!
    Portanto, de qualquer modo, este texto – repito: com sintaxe duvidosa –, provavelmente escrito por um “professor”, revela que há muito pó a limpar do universo da atividade profissional docente, para fazer resplandecer esse brilhante múnus de fazer ser humano, que é a atividade formada e informada de ser professor!

  2. Artigo 43.º

    Liberdade de aprender e ensinar

    1. É garantida a liberdade de aprender e ensinar.

    2. O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.

      • Os meus filhos NÃO frequentam essa disciplina. Não aceito que seja obrigatória. No ensino público TEM que me ser dada liberdade de não querer, da mesma forma que ninguém obriga os meus filhos a terem Religião e Moral.

        • Um estado de Direito tem leis, não se confunda liberdade com vontade individual. Se não aceita é o seu direito, arcará com as consequências… A disciplina de Religião e Moral é facultativa. Eu também não concordo com o ensino obrigatório até aos 18 anos, mas os meus filhos e os meus alunos vão ter de frequentá-lo.

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