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Diretora Pedagógica Do Externado Ribadouro Com Processo Disciplinar Por Inflação De Notas

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O Externato Ribadouro, no Porto, um dos maiores do país, com cerca de 1400 inscritos só no secundário, é conhecido por figurar habitualmente no topo dos rankings e por ser, a nível nacional, um dos colégios que mais alunos consegue fazer entrar em Medicina. Mas também tem sido notícia por indícios de inflação de notas. As suspeitas sobre a atuação do Ribadouro originaram já este ano dois processos de inquérito, conduzidos pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) e que foram recentemente concluídos. Um aguarda decisão da tutela, o outro levou à abertura de um processo disciplinar à diretora pedagógica da escola.

Em relação a este último está em causa a atribuição de um “número significativo de classificações elevadas em disciplinas do 12º ano não sujeitas a exame nacional”, explica ao Expresso o Ministério da Educação. Mas esta concentração de notas altas também se repetiu em turmas do 10º ano, em Educação Física, disciplina que voltou a contar para a média final do secundário e para o acesso ao ensino superior. O estranho caso das nove turmas do Ribadouro onde 95% dos alunos tiveram 19 e 20 valores nesta disciplina e a classificação mais baixa foi de 18 valores, isto no final do 2º período do passado ano letivo, foi tornado público em maio no blogue “ComRegras”, dedicado a temas de educação e criado por Alexandre Henriques.

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Fonte: Expresso


Fica o link do artigo publicado em Maio.

128 de 248 Alunos Foram Classificados Com 20 Valores No Externato Ribadouro (Porto) Na Disciplina de Ed. Física

10 COMMENTS

  1. Só é pena que tenha acontecido tão tarde.
    Muitos alunos ficaram para trás injustamente, a inflação de notas propagou-se (escola pública incluída).
    Algumas escolas viram-se ameaçadas e pressionadas pela fuga de alunos… Outras seguiram o exemplo sem questionar…
    Em Portugal, a corrupção continua a compensar porque não acontece nada ou demora tanto tempo que vale a pena.
    Por outro lado, a sociedade civil, porque é muito frágil, acomodou-se; alguns pais estimularam o negócio fraudulento ou deram ânimo para que o exemplo fosse seguido!
    Bem podem vir atividades de cidadania e desenvolvimento… Com estes exemplos a mensagem é clara, a fraude compensa!

  2. Não vale a pena erguermos a voz como virgens ofendidas. este não é um problema das escolas particulares. É um fenómeno que acontece igualmente nas escolas públicas, por pressão dos diretores que utilizam as armas de assédio que têm ao seu dispor:a avaliação de desempenho, atribuição de horários, atribuição de cargos, atribuição de turmas, atribuição de tarefas, etc.
    Somos todos peões num jogo. O problema está a montante: na forma como se processam as entradas nas universidades. Enquanto não mexerem nesse vespeiro, não adianta apontar o dedo a bodes expiatórios, pois estamos todos no mesmo barco a aguentar a maré, e nada é justo, por isso não vale a pena estar a contabilizar gramas de injustiça.

  3. Este problema está mais nos colégios que nas escolas públicas, embora algumas também o façam.
    Só não percebo, porquê só o Ribadouro? Colégio da Trofa, D. Diogo de Sousa ( Braga), Carvalho Araújo ( Braga)???
    Todas estas instituições têm feiro um inflacionamento das notas ao longo dos anos, basta olhar para o infoescolas.
    De que maneira serão compensados os alunos, cuja média interna foi inferior ao dos Ribadouro, e dos outros, e se viram fora do curso escolhido por umas décimas em detrimento dos que frequentaram estes estabelecimentos e foram beneficiados?

  4. Quero, ainda, acrescentar que uma percentagem elevada destes alunos, que frequentam estas instituições que referi acima, são filhos de professores. Os professores pagam para que os seus filhos sejam beneficiados.

  5. Mas as notas são só inflacionadas no Ribadouro? Não brinquem comigo!!! O que é a flexibilidade senão um apoucar da avaliação e subida artificial dos resultados??? Está bem porque uns, pelo menos alguns, são pobrezinhos e os outros são da classe média? Ou alta? Chamam a isto equidade? O modo justo é que a avaliação fosse o mais rigorosa possível e que todos os alunos aprendessem conforme o máximo das suas capacidades, recompensando o esforço, a autonomia, os hábitos de estudo e de trabalho, a capacidade, também, de trabalhar individualmente e em grupo…

  6. Os professores não precisam de pagar. Conhecem o meio, escolhem bem as escolas públicas, as turmas e os professores dos seus filhos, sabem escolher. em relação aos desvios nas classificações, existem situações iguais no público e no privado, em ambas as instituições existem alunos e professores que trabalham muito para alcançar resultados, e sobre os quais é injusto lançar o anátema. Esses servem, quer no público, quer no privado, de distração para situações pontuais menos claras. O que acontece com a disciplina de Educação Física é mais generalizado, e está relacionado com o sentimento de injustiça de alguém ser travado nos seus sonhos de ser exímio em construir pontes ou em fazer cirurgias de alto risco, por não ter jeito para saber dançar o “Vira” ou achar um tédio ter de saber as regras do basquetebol. Quando estamos a atravessar uma ponte ou estamos numa mesa de cirurgia é absolutamente irrelevante o porte atlético de quem cuida de nós. Mais uma vez, a culpa é da falta de discernimento do ME, que só sabe escolher entre duas opções: desvalorizar a disciplina de EF ou sobrevalorizá-la em relação ao projeto dos alunos, quando existem muitas outras opções intermédias, mais cordatas.

  7. Caro Alexandre Henriques,

    Escreve-lhe um antigo aluno Externato Ribadouro. O meu caso é, em quase tudo, igual ao da esmagadora maioria dos alunos que vão para o Ribadouro no secundário: fui bom aluno até ao 9.º ano, não sabia o que queria, os meus pais queriam o melhor para mim, sugeriram-me seguir Medicina, aceitei e fiz o secundário todo no Ribadouro. No entanto, como nunca estive particularmente interessado em ser médico (hoje não sou, graças a Deus), nunca me envolvi muito no ambiente competitivo que tal ambição, necessariamente, impõe. Por isso, é a perspectiva de quem, estando dentro, conseguiu “ver de fora” que lhe trago. Não escrevo a pedido ou a mando de ninguém, mas não posso ficar calado quando vejo uma sucessão de textos que pugnam por justiça serem, por paradoxo, tão injustos.

    Não vou entrar por questões ideológicas, porque, tendo a sorte de viver em democracia, cada um é mais do que livre de ter as opiniões que quiser. Embora, por exemplo, o facto de ilustrar a notícia “Escolas Do Ensino Público Preparam Melhor Para A Universidade” com uma fotografia do Ribadouro seja, de certo modo, revelador de que talvez seja mais do que uma questão de justiça o que o move. No entanto, contra isso, não há argumentos.

    Também não vou gastar o seu tempo a negar factos como as elevadas classificações dos alunos do Ribadouro, porque também o Alexandre não perdeu o tempo de quem o lê a negar factos como o inflação de notas por escolas públicas, não só em Educação Física e Inglês, como em disciplinas fulcrais como Português. Assim como não vale a pena dizer que alguns professores de disciplinas não sujeitas a exame ou opcionais por vezes se esquecem da importância secundária dessas mesmas disciplinas, porque isto não é segredo para ninguém.

    Vou ocupar-me do mais importante: o seu completo e absoluto desconhecimento do que é a realidade do dia-a-dia no Externato Ribadouro. Se tivesse perdido algum tempo a falar com alunos que conheçam alguém que estude no Ribadouro, saberia que a carga horária deste colégio é superior à esmagadora maioria das outras escolas (não digo a todas, porque não tenho a certeza). Para além disso, os alunos do Ribadouro têm mais momentos de avaliação do que a esmagadora maioria das outras escolas (uma vez mais, não digo a todas, porque não tenho a certeza). Ou seja, têm mais aulas e têm de estudar mais. Sendo que, note-se, não há “mini-testes”, a opção de “deixar cair” o pior teste, ou testes para subida de nota. Na verdade, nas disciplinas não sujeitas a exame, os testes têm a duração e a dificuldade normais e abrangem toda a matéria dada até então, ao passo que, nas disciplinas com exame, os testes são feitos sempre de acordo com o modelo do exame e com grau de dificuldade superior à prova final, ao que acresce que são feitos todos os “testes intermédios” do IAVE (na altura, GAVE) que, como sabe, são opcionais. No que respeita à inflação de notas, a única diferença que encontro entre o Ribadouro e outras escolas (mesmo públicas) é que talvez o colégio tenha dado o pontapé-de-saída, enquanto as outras começaram mais tarde.

    Quanto à aos exames finais do 11.º e 12.º anos, a sua realização é feita nos mesmos moldes e termos em que o é nas escolas públicas e não há, ao contrário do que escrevem pessoas que não sabem do que falam, professores a “soprar” respostas.

    Já as suspeitas de corrupção ou favorecimento, quando a comparação é com o ensino público, em que há, por exemplo, directores de escolas a aceitar que alguns pais paguem obras na escola, parece-me que a discussão não tem pernas para andar.

    Espero que tenha paciência para ler este comentário e que não o leve a mal, mas como uma ajuda para que, das próximas vezes que escrever sobre o Externato Ribadouro (que, estou certo, serão muitas) possa escrever ainda melhor, porque mais informado.

    Despeço-me com estima,
    José Ferro

    • Caro José Ferro.

      Fica registado o seu comentário, não vou questioná-lo pois como refere e bem, não conheço o externato Ribadouro, mas conheço quem trabalha lá e tive a oportunidade de perceber que muitos dos resultados obtidos na pauta surgiram pelos critérios de avaliação, dos quais discordo. Não sou polícia, não sou Inspetor e nem fui o primeiro a colocar essas pautas na praça pública. Uma coisa é factual, a diretora teve um processo disciplinar e um processo disciplinar só se levanta com fortes suspeitas. Se for inocente melhor ainda e cá estarei se for preciso publicar o que quer que seja a esse respeito.

      Já o escrevi e volto a escrever, a alegada inflação de notas não é um exclusivo do colégio Ribadouro, ou das escolas privadas. Nada me move contra o externado Ribadouro, como diz e bem, não o conheço, nem tenho qualquer relação emocional com o dito. Se teve uma boa experiência no colégio, excelente!

      Cumprimentos

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