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Diferenças na Avaliação de Professores em Portugal e no Estrangeiro

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A avaliação dos professores é um tema complexo e muitos preferem não falar dela com receio de ressuscitar professores titulares e outras ideias brilhantes ao estilo Maria de Lurdes Rodrigues…

A avaliação dos professores é uma necessidade nas escolas, assumo-o sem qualquer complexo, o sistema atual não incentiva o mérito, não o premeia e é um poço de conflitos. Uma avaliação séria teria como consequência natural uma melhoria na qualidade dos professores, afastando o comodismo e o conforto dos lugares comuns…

Porém, uma avaliação de professores que tem como principal (única?) premissa motivos económicos,  está condenada à contestação. Imaginem o que seria os professores terem cotas para a atribuição de notas, que motivação teriam os alunos? Talvez assim quem não é professor consiga entender a revolta e frustração que os professores sentem por não verem o seu trabalho valorizado/reconhecido.

Pouco me importa o que fazem lá fora, sou da opinião que uma avaliação séria de professores tem de respeitar três ideias fundamentais:

  • avaliação em contexto de sala de aula, pois é para isso que os professores foram formados. A avaliação não se pode limitar a 1 ou 2 aulas, devem ser pelo menos 6 e espaçadas ao longo do ano. Algumas das observações não devem ter aviso prévio e deve ser realizada em turmas diferentes;
  • o avaliador tem de ser professor do ensino básico ou secundário,  com formação específica em avaliação de professores e de preferência com uma carreira separada da docência;
  •  avaliação sem cotas, o mérito deve ser sempre premiado.

Se queremos ter professores motivados estes têm de ser recompensados e quem nos governa precisa de entender isso. Por outro lado, os professores/sindicatos têm de aceitar a avaliação como parte integrante do seu trabalho e parar de dizer que os professores são todos iguais. Não, não são…

Fica um excerto da notícia do Público onde podem constatar algumas diferenças na avaliação dos professores.

Avaliação de professores é obrigatória em toda a Europa, mas geralmente não é supervisionada

(Clara Viana – Público)

A avaliação de desempenho docente é obrigatória em quase todos os países europeus e na maioria (33) é regulamentada pela administração central, mas os seus resultados raramente são monitorizados pelas autoridades. Portugal está entre os 16 países que constituem a excepção, embora esta monitorização seja apresentada como “ocasional”.

A monitorização da avaliação dos professores é apresentada como uma forma de verificar “a sua qualidade e consistência”, mas só em oito países é feita pelas autoridades centrais de forma regular. Irlanda e Malta estão neste grupo. Em outros oito, entre os quais Portugal e França, esta prática encontra-se identificada, embora seja descrita como “ocasional”.

Em Portugal, os professores do ensino básico e secundário são obrigados a apresentar um relatório anual de auto-avaliação, mas estes só são, geralmente, classificados de quatro em quatro anos (o que corresponde, em média, ao tempo de permanência em cada escalão). Em dois escalões para se progredir é também necessária a observação de aulas, que é feita por avaliadores externos às escolas. O Ministério da Educação tem indicado que não existem dados centralizados sobre os resultados da avaliação docente.

Estes procedimentos, que não estavam até agora a ser postos em prática de forma sistemática, vão voltar a ser necessários com o descongelamento das carreiras, uma vez que o resultado da avaliação é uma das condições para a progressão. Só passa de escalão quem tiver no mínimo um Bom.

Dos 33 países europeus em que a avaliação é regulamentada pelas autoridades centrais, em 24 esta é apresentada como um exercício regular. Mas no Luxemburgo, por exemplo, só é feita por duas vezes: ao fim de 12 e de 20 anos de serviço.

Na Irlanda, Grécia, Malta, Islândia e Turquia não existe avaliação dos professores que já se encontrem a dar aulas. Só os candidatos à profissão são avaliados. E na Dinamarca, Estónia, Finlândia e Noruega são as escolas e os municípios que decidem se os professores são ou não avaliados e o modo e os prazos em que a avaliação se faz.

Quanto aos instrumentos de avaliação, os mais utilizados são entrevistas com os directores das escolas e a observação de aulas, que é obrigatória em 21 países. Já os resultados obtidos pelos alunos só contam obrigatoriamente para a avaliação docente na Irlanda, Lituânia, Albânia e  Macedónia. Em Portugal, esta foi uma das medidas mais contestadas no modelo de avaliação proposto pela ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, não tendo sido depois contemplada no modelo que foi posto em prática.

21 COMMENTS

  1. Claro… concentro-nos, ao longo do ano escolar, na avaliação e mandemos às malvas o ensino… E passemos o ano a ver quem monta os melhores circos pedagógicos, no final uma pitada de arbitrariedade das direções e é ”Excelente”, nem preciso de avaliar…
    Acreditar que a qualidade do ensino de um país depende de uma grelhas e , uns quantos iluminados a assistir é, no mínimo, inocente… Uma coisa dessa nataruza traria, como é facil de ver, muitos mais problemas que vantagens!
    Essa da avaliação sem cotas é uma anedota? O objectivo da avaliação tem , primordialmente, objetivos orçamentais!
    Uma coisa é certa… há gente a salivar quando você propõe um sistema dessa natureza… e não são os melhores professores, nem sequer são os professores… Chama-se a isso, Alexandre Henriques, tiros nos pés!

    • Tiros nos pés é deixar tudo como está e ter professores que não estão aptos para a docência nas salas de aula. Que solução propõe o Afonso para os incompetentes, ou acredita que no mundo docente é tudo perfeito???
      Agora estou curioso com a proposta do Afonso para a avaliação de professores… fico a aguardar…

  2. A avaliação já existe. Há países, dos supostamente avançados, que nem sequer têm avaliação nenhuma! E, se a têm é formativa e não inquisitorial… Para mim uma avaliação é boa se não perturbar as atividades da escola e as aprendizagens dos alunos… Tudo o resto…
    Quando alguém se propõe em tirar as maçãs podres do sistema … eu sei bem no que isso dá!
    Eu proponho um sistema: avaliar professores por resultados dos alunos em exames nacionais, tendo em conta as questões sócio-económicas do meio onde se encontra a Escola… Se acho esta avaliação boa? Não, mas vejo logo fugir alguns com ” o rabo à seringa” quando se fala em avaliar pelo que os alunos aprendem… Normalmente são alguns que gostam de fazer das aulas, e da escola , um happening … E sim, eu sou a favor de exames!

    • Avaliar professores pelos resultados dos exames… Bem… Tendo em conta os inúmeros fatores que influenciam a nota do exame, seria curioso deixar os exames ditar a nota de um professor. Vamos partir desse pressuposto… Os professores das escolas do fundo dos rankings são piores que os professores do topo? Os professores do privado são mais competentes que o do público? E o que dizer dos professores das disciplinas com as médias mais baixas, como a física e a matemática, esses professores são piores que os restantes???
      Pense bem se é esse o sistema que quer para a nossa escola…
      Caro Afonso, um professor tem de ser avaliado por aquilo que faz no seu local de trabalho, a sala de aula. Qual é o problema??? Por mim venham quando quiserem…
      E sim, a avaliação de professores tem de ter um objetivo pedagógico e não punitivo.

    • Se não têm avaliação nenhuma – o que duvido, mesmo que se esteja a referir a países centro-africanos ou do corno de África – é porque têm resultados. A questão que lhe peço que me explique, se quiser, é como é que têm resultados do desempenho dos professores sem avaliação. Obrigado.

      • Não me interessa entrar nesse tipo de discussão. O que digo é que existem situações diversas, até avaliação que só é feita a pedido do professor. Mais, não sou nenhum especialista em avaliação de professores e ela interessa-me pouco! Dou-lhe, três países, que me lembre, que não têm o tão amado crivo da justiça pedagógica, não estão em África, embora nos devêssemos aprender algumas coisas com África… A Islândia , Irlanda, Malta.

          • Mas não me diz que modelo propõe para a avaliação de desempenho dos professores. Só diz que não concorda com o actual – e com este, actualmente em vigor, pomposamente chamado “relatório”, eu também não concordo porque finge que avalia e não avalia, pelo menos o que é preciso avaliar.

    • Duas questões:
      1- Há países onde nem há avaliação. São poucos, mas mesmo assim são rigorosamente avaliados à entrada do sistema e logo aí filtrados. É um princípio que resolveria muita coisa.
      2- Avaliação pelos resultados dos alunos a nível nacional. Muito bem; vá dar aulas ali para a Trafaria (onde quase metade dos professores já estiveram ou estão de baixa médica) e eu vou dar aulas aqui no centro de Lisboa. E depois levamos os alunos ao exame nacional. Quer que lhe dê já o resultado…? Você está “lixado”…

  3. Avaliação não passa de uma forma de destruir a solidariedade e a cooperação entre os professores (e entre os outros trabalhadores).
    Vou ajudar os outros a ter melhor e ser eu prejudicada com isso? Pois sim, vou já ali a correr.

    Não abram os olhos, não…

  4. Aconselho, vivamente, a leitura do relatório Eurydice que deu origem ao artigo no Público, nomeadamente os graficozitos da avalição , das suas consequências e objetivos… O sistema Português, sim o que existe, é bem mais restritivo e implicante, a vários níveis, que a maioria dos outros países…

  5. Boa noite. Avaliação sim, depressa mas séria. Se os amigos e conhecidos se continuarem a avaliar, é impossivel separar o trigo do joio! O lema será sempre “a velhice é um posto”…. Há muito tempo que defendo a formação especializada em avaliação docente. Grupos de pessoas idóneas e com formação adequada, percorreriam o país para avaliarem a classe docente, para fazerem a observação de aulas. No meu entender, a proposta apresentada faz todo o sentido.
    O sistema está viciado e necessita de uma remodelação urgente.

    • Claro, com a observação de aulas o sistema vai por aí fora… O problema é mesmo dos velhos… não falta aí juventude com sangue na guelra à procura de justiça, de separar o trigo do joio, tudo a bem do interesse da Pátria…
      Já agora…a experiência é muito importante em qualquer profissão e até há estudos sobre isso em diversas áreas profissionais!

      • O problema não é dos velhos….é do sistema que está viciado, porque existem professores com 60 anos de grande valia. Mas quando existem cotas e avaliações feitas por amigos há mais de 30 anos, parece-me que não há muito a dizer….Relativamente à experiência, concordo….é sábia e muito importante, mas quando utilizada em prol da educação.

  6. E PORQUE NÃO FAZER A FORMAÇÃO DE PROFESSORES SÓ EM TRÊS OU QUATRO UNIVERSIDADES COMO NA FINLÂNDIA..DEPOIS PROFESSORES SÓ COM MESTRADO OU DOUTORAMENTO…AH PARA ACEDER À PROFISSÃO MÉDIA DE 17 MÍNIMO….está bem assim?

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