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Dicionário de Valores

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In Educare, por Mestre José Pacheco.

O porquê de um Dicionário de Valores

Se as escolas são as pessoas que as fazem e se as pessoas agem em função dos seus valores, porque não refletir sobre valores? Se o professor não ensina aquilo que diz, mas transmite aquilo que é, porque não acompanhar companheiros de profissão na identificação da matriz axiológica dos seus projetos de vida pessoal e profissional?

Decidi partilhar a reflexão em torno de vinte e um valores, completando esse exercício com duas histórias “exemplares”. As Edições SM publicaram os textinhos e, generosamente, os colocaram-nos na Internet, à disposição do eventual leitor. Apesar da possibilidade (e facilidade) virtual de acesso ao conteúdo do livro, muitos educadores portugueses têm lamentado que ele não esteja publicado em Portugal. Achei por bem dá-lo a conhecer no EDUCARE.PT, na expectativa dos comentários que os meus compatriotas considerem oportuno fazer.

Precedo a partilha dos textinhos com excertos do prefácio, generosamente redigido pelo meu amigo Celso Vasconcelos:

A questão dos valores é absolutamente fundamental para o Homo Sapiens Sapiens, pois, no fundo, somos Homo Moralis, Homo Ethicus ou mesmo Homo Valens, qual seja, não é possível pensar-se com rigor a existência humana sem um conjunto de valores de referência. Pode-se questionar a relevância dos valores assumidos, sua consistência ou seu grau de coerência, mas não sua presença na vida concreta das pessoas. Valor é um fim, algo para o qual a ação humana pode e deve se dirigir, aquilo que “vale a pena”; valor é o que dá sentido à atividade e, no limite, à vida.

Olhando ao redor, vemos que a violência e a corrupção, por exemplo, são enormes chagas do nosso tempo. Como superá-las? Alguém poderia dizer: “Colocando um policial ao lado de cada cidadão”. Esta resposta aparentemente tão simples e eficaz pode ser confrontada com uma perguntazinha básica: “E quem controla o policial que controla o cidadão?”. Não tem saída. Ou melhor, a única saída é pela educação, pela assimilação, pela incorporação de valores. Na situação clássica do “troco a mais na padaria”, o sujeito não vai ficar com ele porque está sendo filmado e depois poderá ser descoberto. Não! O fundamento para a decisão de um sujeito devidamente educado é outro: não vai ficar com o troco a mais por uma questão de princípio, porque aquilo não é bom, não é justo, ele não vai se sentir bem, enfim, por uma questão de valor! E onde este sujeito aprendeu isto? Basicamente, na família e na escola elementar! Desta forma nos aproximamos da relevante temática deste livro: os valores na educação!

Valores, temos muitos. Quais assumir? Quais tomar como referência? As reflexões aqui partilhadas pelo professor e amigo José Pacheco expressam, antes de tudo, uma prática, uma vivência concreta (…) O relato que faz da importância da construção coletiva da matriz axiológica para a (re)configuração da escola é de um grande valor metodológico. (…) Embora não explicitada formalmente, creio que uma das intenções do autor é provocar para a construção coletiva deste Dicionário de Valores.

O meu amigo Celso sabe que escrever é dialogar…

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