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Dicas para diminuir drasticamente os índices de indisciplina escolar.

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dicasComo prometido, vamos hoje abordar algumas dicas que reforçam e potenciam a disciplina na escola.

Muito frequentemente ouço que a culpa do estado das (in)disciplinas nas escolas se deve às famílias, à falta de proatividade das famílias e outros tantos argumentos que sustentam “um problema de sociedade sem cura” (será?).

Naturalmente e numa ótica de prevenção, vários estudos indicam que as famílias com menor prevalência de conflitos, revelam determinadas características sociais e contextuais, nomeadamente um envolvimento mais acentuado da figura paterna, uma articulação estreita com a direção da escola e/ou diretor de turma e professores em geral e os pais que se envolvem ativamente nas atividades de lazer e extracurriculares dos alunos. Por isso, sem dúvida que a família e a escola têm responsabilidades compartilhadas na educação e no desenvolvimento dos alunos, sendo essencial a existência de uma comunicação cooperativa entre todos os agentes educativos, pela influência positiva que tal interação tem na melhoria do clima geral da escola.

É fundamental pensar estratégias junto das famílias, mas não nos podemos esquecer do que nós, que estamos nas escolas, podemos fazer também.

A pensar nisso decidi elencar alguns tópicos que permitem pensar e repensar os nossos modelos de ação na escola:

  • Apresentar as aulas com recurso a materiais ou formatos de apresentação apelativos;
  • Cooperar no estabelecimento de regras disciplinares e punições;
  • Proferir com grande frequência elogios e expressar expetativas positivas acerca do desempenho dos alunos;
  • Transformar as aprendizagens em projeto: criar opções e não expectativas.
  • Exigir trabalho regular e planificado (e monitorizar);
  • Não etiquetar alunos como “bons” ou “maus” (evitar comentários tipo “tinhas de ser tu”);
  • Demonstrar aproximação e preocupação pelos problemas dos alunos;
  • Valorizar a sua carreira e opção profissional (investir em competências pedagógicas, interpessoais e sociais);
  • Manter-se calmo, sereno e seguro, no sentido de modelar o comportamento dos alunos;
  • Ser flexível, desde que coerente e estável, na forma de atuação, podendo alguma surpresa no comportamento do professor em relação aos alunos permitir uma maior eficácia na influência sobre estes (por exemplo, o professor pode aproveitar e manifestar humor nalgumas situações inesperadas em vez de se mostrar perturbados com elas);
  • Por vezes é preferível fingir que não percebe algumas situações e deixá-las passar, do que tentar controlar tudo e perder a eficácia de intervenção quando realmente é necessário;
  • Não distanciar-se dos alunos ditos indisciplinados, isto é, só falar com eles quando têm comportamentos inadequados – lembrem-se que nenhum aluno é indisciplinado durante todos os minutos da aula;
  • Atuar no sentido do empowerment dos alunos – mostrar que acredita na capacidade de estes terem resultados positivos;
  • Orientar, valorizar e incentivar à participação dos alunos;
  • Identificar os casos de alunos com problemas familiares e fazer parte da construção de uma solução para o mesmo;
  • Trabalhar em equipa, com partilha de experiências e num clima de autenticidade, empatia e cooperação.

Acima de tudo, o que importa é encontrar uma motivação para nos orientar naquilo que nós acreditamos ser a nossa função enquanto adultos e educadores.

Uma boa semana!


Mónica Nogueira Soares

 Psicóloga | Mediadora Familiar e Escolar | Formadora
cultura-de-convivencia

2 COMMENTS

  1. Parabéns pelo exposto, concordo plenamente. Mas sem dúvida nenhuma reforçaria a importância do exemplo que vem de casa, do bom exemplo. Os tópicos para eventual alteração dos modelos na escola apresentados, acho que estão bem estruturados e coerentes, a questão é que mais uma vez têm especial atenção para com as crianças mais “indisciplinadas”, como captar-lhes a atenção, como ajudar a resolver os seus problemas, etc, etc. Mas onde ficam os alunos, em que esse trabalho é feito em casa? Que têm regras, métodos de estudo, educação? Não é que se tratem de beneficiados, nem de sortudos, se eles têm uma boa prestação escolar é porque se esforçam e muito para isso, eles e a família. Será que esse esforço é merecidamente valorizado? Vejo que há muita dedicação e “perde-se” muito tempo em estabilizar uma turma derivado a meninos mais indisciplinados (sei que não é tempo perdido, é importante), mas o que é feito aos outros que têm esses problemas resolvidos? Não será também difícil para eleslidar com essa realidade? Será que há a mesma preocupação em potenciar as suas aptidões? Não creio. E nesse ponto há muito que acho que algo deve ser feito.

    • Isso é verdade Paula, se “perdêssemos” tanto tempo com os alunos disciplinados como com os alunos indisciplinados, estes teriam certamente melhores resultados. Por vezes o que mais me chateia é a sua ingratidão…

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