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Notícias da educação: um dia no país do faz de conta …

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Começo por um texto do Público de sábado em que Luís de Sousa, presidente da TIAC, Transparência e Integridade, associação cívica escreve sobre o Código de Conduta que o governo fez por conta dos azares das viagens da GALP. Curioso o título: Faz de Conta.

Como se perguntou neste blogue: e se um professor aceitar uma prenda de 150 euros?

bandeira-da-espanhaMuitas vezes este é um país de faz de conta e não é só nessas condutas. Em Espanha, atua-se a sério: um tribunal multou pais em 1440 euros por 247 faltas acumuladas de uma criança. A notícia é do Diário de Notícias de hoje, citando jornais espanhóis. Em Portugal o Estatuto do aluno faz de conta que há multas.

Não ir à escola, ou sistematicamente faltar, ou precisar de ser suspenso por hábito, pode ou não ser fruto de (ir)responsabilidade dos pais? Devia ou não, poder ser abrangido pela ação penal? Quem diz sim, defende multas, ou o que seja, desde que funcione. Quem diz “não, nunca é assim”, acreditará no Pai Natal?

A escolaridade é obrigatória. E qual é a sanção para quem acha que não é? Ou quem acha que andar na escola é, para os seus filhos, sinónimo de andar à pancada aos colegas, assistentes ou professores?

Num país em que agredir um animal (e bem) dá sanção penal, qual é a pena para quem quotidianamente priva os filhos de aceder à escola?

Fez-se uma petição, que parece que ganhou a causa, mas a lei que existe sobre isso foi mal feita. A imagem com que se fica dos deputados é péssima, em geral. A sessão do parlamento a que assisti, por causa da petição, mais parecia uma aula de indisciplinados. Talvez por não ouvirem bem, por falta de atenção, ligaram pouco às subtilezas da questão.

Sala das Sessões Os deputados da esquerda e os da direita, não perceberam que não chegava escrever no Estatuto do Aluno, com pouca gramática, umas ocas balelas proclamatórias sobre responsabilização e pedagogia corretiva.
E quantas das propostas cidadãs acolheram os deputados para essa lei? Poupo o trabalho de ir ver: pouquíssimas. Até nenhumas. As poucas que leram, distorceram-nas, até serem inúteis. É esse exatamente o caso das multas aos pais, mesmo os criminosamente desleixados, que passaram a coimas e que só estão no Estatuto do Aluno para inglês ver. Adiante.

Outras notícias do dia em que faz de conta que arrancam as aulas

O JN faz eco das notícias governamentais que dizem: os professores estão colocados a tempo. É verdade, em geral, mas será caso para tanta pirotecnia? A subtileza do ministro (todos os solicitados pelas escolas”) diz tudo sobre o valor desta festa.Na educação especial, será que estão os que fazem falta? Todos?

O Público ecoa a toada ministerial. Ouviu diretores, que lembram que as aulas só começam mesmo na quinta-feira. Filinto Lima, presidente da Associação de Diretores, recorda que “como não querem arriscar, adiam o arranque lectivo.” 

Ângulo parecido pode ver-se na SIC ou TVI,  a qual fala dos 2900 auxiliares que renovaram contrato. O ministro fala de professores (aí correu razoavelmente), mas tem de defender o flanco nos assistentes operacionais. As associações de pais lembraram-no no início do dia. Jorge Ascensão, um homem sensato à frente da Confap, depois dos anos alucinados do presidente da Assembleia Municipal de Gaia, falou disso na RTP.

Tarde finda, o Governo lançou a girândola de efeito, na sessão de foguetório, que a TVI apanhou: notícia, já requentada, de 200 milhões de obras em 200 escolas. Dá um milhão a cada. Uma festinha perante a festança socrática. Mas venham eles. No meu agrupamento já pedíamos obrinhas há muito tempo.

Sonsice, espertezas saloias e crendice

A futura vereadora de Lisboa (esperemos que não da educação), Assunção Cristas, diz que o arranque de ano está a correr bem porque há um sindicato da CGTP a mandar no ministério da educação e, por isso, a pouca contestação é natural. Às tantas, ser mandado por quem sabe alguma coisa, poderia ser melhor do que utopias desconexas. Cristas mostra que não sabe o que dizer a sério sobre escola, apesar da prole numerosa.

A sonsice também foi tema no PSD para o alegado potencial líder, nas jornadas parlamentares, iniciadas, como se impunha, com uma visita a uma escola.Luís Montenegro acusou de sonsice  quem pede propostas ao partido. Coisa para a qual um partido realmente não serve: fazer propostas….

Depois da sonsice, o mesmo político, horas depois, afirmou que António Costa sofre de esperteza saloia a propósito dos números de entradas no ensino superior.Sonsos ou saloios espertos, eles lá sabem, mas, dizia o outro, os burros somos nós que os aturamos.

Pelo meio, Montenegro lá foi vincando que tanto se pode prestar serviço público nas escolas estatais e noutras que não são propriedade do Estado.” Volta, fraquinha, a conversa dos contratos de associação, também focada na Rádio Renascença, na entrevista ao ME, sugestivamente titulada Contratos de associação: Ministro da educação diz que vai poupar. Colégios não percebem como. Deve ser sonsice dos colégios, com certeza. A esperteza saloia foi no passado.

Na Renascença ministro volta à carga com a promoção do sucesso escolar. Por aí as espertezas saloias de alguns promotores do modelo que escolheu darão fartas notícias de interesse no decorrer deste ano. Há a sonsice e a crendice….

Agora temas sérios: segurança da Internet, IRS e Taylor Swift

De fundo mais sério, que este vazio politiqueiro, vale a pena ver o destaque do Público à segurança da Internet e na TVI 24 as explicações sobre despesas de educação no IRS. Depois da sonsice das mudanças do pomposo “novo IRS” convém andar atento.

No fim, Taylor Swift que, diz o JN, doou muito dinheiro a escolas públicas.

No passado havia quem fizesse isso em Portugal e pagasse, às vezes por inteiro, escolas públicas e professores. Parece que já não há. Fica a Taylor Swift para nos lembrar que há ricos que pagam escolas públicas e há quem queira que o público lhes pague as escolas para fazerem de ricos.

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