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“Dia Europeu da Mediação de Conflitos”

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No sábado, dia 21 de janeiro, celebrou-se o Dia Europeu da Mediação de Conflitos. A pensar neste dia, esta semana decidi falar um pouco sobre este método alternativo de resolução de litígios cada vez mais procurado e utilizado em Portugal.

Em termos genéricos é possível definir mediação como um “método de resolução de conflitos em que duas ou mais partes em confronto recorrem, voluntariamente, a uma terceira pessoa imparcial, o mediador, a fim de chegarem a um acordo satisfatório” (Torrego, 2003). É fundamental, e numa primeira fase, promover na sociedade a importância de submeter um conflito a um processo de mediação, principalmente pela mudança de mentalidades e de culturas de convivência que a mediação pode promover. Através da mediação de conflitos, e pensando especificamente no contexto escolar, cria-se um ambiente favorável ao encontro, à comunicação e ao entendimento entre as partes em conflito, permitindo a aquisição, manutenção e generalização de uma intervenção comportamental e cognitiva, no sentido da prevenção e intervenção dos conflitos nas escolas.

Importa perceber que o conflito sempre esteve presente nas relações humanas e essas mesmas relações estão em constante mudança, provocando alterações no contexto pessoal, relacional, estrutural e cultural dos alunos. Ou seja, impõe-se perceber o que o conflito pode mudar e quais as respostas construtivas que são desenvolvidas para o resolver.

É imprescindível passar a mensagem às escolas que através da mediação não se pretende ”eliminar” os conflitos na escola, mas sim modificar a abordagem aos mesmos e o promover a aprendizagem e o crescimento que a resolução destes permite. Na mediação o conflito é resolvido através de um facilitador da comunicação, o mediador, que ajuda os participantes envolvidos a chegarem voluntariamente a um acordo, mutuamente satisfatório, sendo percebido como eficaz e positivo. A mediação permitirá, então, estabelecer ou fortalecer relacionamentos de confiança e de respeito entre todos os agentes educativos (professores, alunos, assistentes operacionais, encarregados de educação). Na maioria das vezes, na mediação surgem relações em que os intervenientes se encontram de forma desigual na compreensão e na vivência do conflito e, por conseguinte, também no que diz respeito ao poder de solucioná-lo.

É por estes mesmos motivos que se deve submeter um conflito a um processo de mediação, pois só assim será possível focar um acordo e a satisfação individual das partes e transformar os alunos no sentido da (re)valorização pessoal, do (re)conhecimento da legitimidade do outro e por conseguinte, a longo-prazo levará à mudança de culturas de convivência na escola. Ou seja, o (re)solução passará apenas a ser uma consequência fomentada na reflexão, colaboração e comunicação das partes em conflito. Um processo de mediação permite o crescimento moral dos seus participantes, tanto pela capacitação, como pela capacidade de tomada de decisão consciente e o empowerment conjugado com o reconhecimento da situação e do outro ou livre reinterpretação da sua ação. Esta perspetiva é tão necessária nas nossas escolas, até porque a mediação promove um diálogo voluntário no qual as partes têm a possibilidade de compreender as razões do outro e da própria origem do conflito, abrindo-se um espaço de reconhecimento mútuo, ao mesmo tempo que se permite compreender a estrutura à qual estão submetidos. Essa perceção pode conduzir a uma igualdade de direitos e deveres sociais, que se constrói dialeticamente no processo de comunicação.

A mediação permite desenvolver a capacidade de ver as questões sem se deixar levar pelas exigências que as mesmas apresentam, como por exemplo pela urgência, que empurra para soluções rápidas ou pela ansiedade, que muitas vezes eleva o conflito. Também permite desenvolver a capacidade de pensar sobre a mudança sem estar condicionado a uma visão de curto prazo, assim como permite desenvolver a capacidade de representar as energias do conflito na lógica de abordar uma questão e construir outra ao mesmo tempo, identificando mais claramente os objetivos e procurando opções inovadoras para a ação.

Assim, a mediação nas escolas é claramente uma resposta positiva para a resolução dos conflitos que surgem neste contexto, pois representa uma oportunidade de exploração das opções disponíveis, de modo a encontrar soluções que satisfaçam as partes envolvidas e o crescimento das mesmas. Já o confronto das diferenças através de uma terceira parte facilitadora da comunicação, permite alcançar a satisfação equilibrada de interesses distintos, sem vencedores, nem vencidos, cultura que necessitamos de promover para que os intervenientes no contexto educativo assumam uma maior responsabilidade na resolução dos seus próprios problemas e se sintam mais motivados para a partilha de sentimentos.

Promovam e experienciem a mediação nas vossas escolas!

Mónica Nogueira Soares

 Psicóloga | Mediadora Familiar e Escolar | Formadora

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