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Dia do Perfil do Aluno | Que professores? Que alunos? Que família? Que escola?

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O Dia do Perfil do Aluno, segundo as palavras do Ministro Tiago Rodrigues, foi uma ideia que partiu das Associações de Estudantes com o intuito de abrir o debate a toda a comunidade educativa. Tirando a parte das figuras públicas, como o Fernando Santos, a Catarina Furtado como mediadora e o espetáculo mediático propriamente dito, o Dia do Perfil do Aluno permitiu a professores a alunos debaterem Escola, de forma livre, honesta e olhos nos olhos. Pelo menos foi isso que eu presenciei na minha escola. Uma escola que tem esta capacidade, é uma escola que respira democracia, que é capaz de se auto criticar, pensar e corrigir o que vai mal, é uma escola humilde e uma escola para os seus alunos.

Os alunos têm voz e precisam de ser ouvidos e incentivados a falar. O diálogo entre professores e alunos permite a compreensão de ambas as partes, das “dores” que ambos sentem… Mesmo que em alguns momentos se perca um pouco o fio à meada, o debate sobre o que deve ser a escola, o Perfil do Aluno no final da escolaridade obrigatória, é fundamental e é bem-vindo.

Enquanto ouvia os intervenientes pensei para mim que a escola de hoje, já não é a escola de ontem e que a escola não consegue acompanhar o ritmo que os alunos exigem e precisam. A sociedade queixa-se que a escola não prepara os alunos para a sociedade real e tenho de aceitar e concordar com esse argumento. Se no espaço de 2/3 anos tudo muda, como é possível a escola adaptar-se quando não existe sequer uma estabilidade nas políticas educativas?

É verdade que a escola nunca conseguirá preparar o aluno de forma individual, não tem recursos para isso. Mas a escola pode e deve atualizar-se, focando-se em áreas que são transversais e cada vez mais essenciais nos dias que correm – tecnologia, cidadania, empreendedorismo, etc…

O paradigma entre a necessidade e a realidade frustra alunos e professores, uma escola que continua escrava de exames e que apesar das suas vantagens reguladoras, inibe o principal foco, a preparação de alunos para vida, para a sociedade, para o ingresso no mercado de trabalho.

O Perfil do Aluno é apenas mais uma etapa nas muitas reformas pelas quais a escola passou deste o 25 de abril. Para a mudança acontecer, professores e alunos precisam de acreditar que a mudança é efetiva e duradoura, só que daqui a 10 anos a probabilidade de estarmos a falar de Perfis de Aluno é muito diminuta.

Aos professores, cabe reconhecer que precisam de abdicar mais vezes o comando da sala de aula, saindo da sua zona de conforto, aceitando que a informação já não é da sua exclusividade e está disponível em todo o lado. Os professores precisam de se tornar cada vez mais moderadores e orientadores. Por sua vez, os alunos precisam de estar preparados e querer assumir a responsabilidade de estar na linha da frente, comandando, participando, intervindo, saindo do esconderijo de Facebooks e afins…

Achei muito bom o Dia do Perfil do Aluno, mas fiquei com a certeza que também é preciso o Dia do Perfil do Professor e o Dia do Perfil da Família…

É que o perfil do aluno, depende tanto ou mais do perfil do professor e do perfil da pamília…

Alexandre Henriques

 

Os alunos têm mais a dizer do que as pessoas pensam

Escolas estão a adaptar as aulas às dificuldades individuais de cada aluno

Ministro garante que flexibilização curricular está a ser monitorizada para poder ser alargada de forma sólida

(Público)

7 COMMENTS

  1. Uma grande encenação mediática ( para isto há dinheiro…) para vender o peixe da flexibilidade curricular… E no Agrupamento dos meus filhos, uma grande patetice… que parece que irá continuar em debates posteriores… É claro que o meu filho, o meu filho, não será figurante em encenações mediáticas com uns quantos ”charutos” da universidade e um discurso bacoco…
    Flexibilidade Escolar= a flexibilidade laboral…
    Estou contra, já expliquei várias vezes porquê, não alinho… O documento não passa de uma emaranhado de banalidade para criar ignorantes… Mais dizem que isto é que bom , mas não há uma prova válida que o justifique… Não passa , pois , de uma crença… O problema é quererem fazer os professores engolir, a bem ou mal, algo em que não acreditam…
    Já agora Alexandre Henriques porque não lança um inquérito, já lançou vários, se os docentes estão a favor ou contra o Novo Perfil do Aluno e a Flexibilidade Curricular?

  2. … preparam o tempo das máquinas e indivíduos ignorantes e capazes de uma nova escravatura: estabilidade zero e sempre prontos a aceitar o que apareça… Que muitos não o compreendem a estratégia já percebi…

  3. … Quanto à monotorização da Flexibilização curricular… é para rir! Há turmas do 1º ano, conheço bem , muito bem casos, onde as crianças sabem quase zero… Mas também não importa fazem coisas bué de modernas… Só digo uma coisa, e digo-o de um modo muito sério, com o meu filho NÂO!

  4. ” Os professores precisam de se tornar cada vez mais moderadores e orientadores.” Mas explique-me lá, com argumentos científicos, com estudos, com provas concretas, com evidências, que é melhor assim do que outra maneira… Onde estão os estudos? Aponte-me um!
    Tudo isso não passa de uma crença! Se eu disser exatamente o contrário o valor é o mesmo!

  5. Muito bem é uma opinião. Tem todo o direito… O problema é que ” uma opinião”, não falo de si Alexandre Henriques , é ”vendida” como ” A verdade”… Basta ver a propaganda do ME!

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