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Dia D – A importância do primeiro dia

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dia 1O mês de setembro é sinónimo de regresso, de novas perspetivas e de novos começos. Terminado o merecido descanso, as aulas regressam em breve, o trabalho recomeça e muitas vontades e resoluções são projetadas para este ano letivo. Está na altura de arregaçar as mangas e abraçar este 2016/2017 com coragem, garra e energia.

A pensar nisso, achei que seria importante refletirmos um pouco sobre a importância do primeiro dia com os alunos e alguns fatores a considerar.

Na relação professor/aluno os primeiros contactos destinam-se a recolher informação necessária à confirmação das expetativas até aí geradas. Essas expetativaspodem ter sido geradas, por exemplo, nos conselhos turma do início do ano letivo entre professores (“Eh pah, aquele aluno é terrível”, “Tens de ter cuidado com ela”, “Se não fizeres assim, não fazes mais nada com ele o resto do ano”, etc), nos corredores entre alunos (“Ei, vais ter esse stôr?! É um cromo”, “Txi, a sério que vais ter essa stôra?! É uma seca… Não se faz nada nas aulas dela”, etc) ou simplesmente de experiênciasde anos anteriores.

Por muito que possamos racionalmente considerar que o que se segue é esterotipado, talvez até mesmo preconceituoso, a verdade é que a ciência define vários fatores que contribuem para formar as primeiras impressões. Falamos de índices físicos (alto/baixo; gordo/magro; louro/moreno), índices verbais (linguagem utilizada, sotaque, calão); índices não verbais (forma de vestir, postura, gestos, sorrisos) e índices comportamentais (comportamentos específicos e individuais observados no sujeito).

Por isso é importante adotar comportamentos minimamente neutros e coerentes com a postura e atitude com a qual nos identificamos e que pretendemos assumir ao longo do ano letivo (não devemos fingir algo que não somos).

Na primeira abordagem os alunos observam o tom de voz, a aparência, o discurso, as exigências, a forma como o professor reage… Desta forma definem em que ‘categoria’ o professor se insere (“é porreiro, é mau, é exigente, é fixe, é mal disposto”) e criam expetativas que vão determinar os seus comportamentos perante o professor em aulas posteriores.

A partir daí o professor estará na “fase do teste”, em que os alunos testam a autoridade do professor, tentando perceber quais os limites do aceitável e onde inicia a zona de conflito. Os alunos tentam determinar até que ponto o professor consegue manter a ordem dentro da sala de aula.

A fase da estabilização surge finalmente quando confirmam, ou não, as expetativas iniciais, baseando-se em juízos de cariz afetivo, relacional e instrumental, construídos ao longo dos momentos de interação até ao momento e são estes juízos que irão determinar os comportamentos ao longo do ano letivo.

A existência de regras é inerente a qualquer interação e é indiscutível que o professor é o líder, é quem toma decisões e quem mantém a disciplina. Só assim os alunos desenvolvem a capacidade de lidar com o poder desigual, inerente às hierarquias com as quais terão de lidar ao longo das suas vidas.

Espera-se do professor compreensão, diálogo, tolerância, empatia e boa comunicação, mas nunca falta de liderança.

Desejo a todos um ano letivo 2016/2017 cheio de trabalho produtivo, motivação e boas convivências!

Mónica Nogueira Soares
Psicóloga | Mediadora Familiar e Escolar| Formadora
mediação de conflitos

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