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“Dia 18 virá um novo capítulo, que seja apenas mais um de um longo livro ainda por escrever…”

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Com o devido respeito por médicos e enfermeiros e sem querer de todo misturar funções e níveis de contágio. A verdade é que a partir de 2ª feira teremos docentes e não docentes na linha da frente enquanto outros irão permanecer na retaguarda. Tal verifica-se principalmente nos professores, pois a maioria irá continuar com o ensino à distância.

Naturalmente que ninguém é culpado de nada, nem ninguém deve sentir algum tipo de incómodo por ficar em casa, ou por estar inserido num grupo de risco. A realidade é o resultado de inúmeras circunstâncias que ninguém controla.

É verdade que os riscos serão acrescidos para quem vai regressar às escolas e por muitos cuidados e procedimentos que se tenha, ninguém pode garantir que regresse a casa tal como saiu.

Dentro dos professores que vão regressar, alguns irão por apenas uma manhã, uma tarde, um dia, dois ou três. Os funcionários terão uma presença ainda mais assídua e vão lidar diretamente com a desinfeção, tendo em si uma responsabilidade que nunca pensaram alguma vez ter.

A escola vai mais uma vez ser posta à prova e mais uma vez irá mostrar que nunca será a escola a falhar perante a sociedade.

A título de exemplo, recebi um horário de um docente, onde é visível que a sua presença física na escola será significativa. Neste caso, o professor em causa se seguir as boas práticas sanitárias, terá de utilizar duas mudas de roupa às 5ª e 6ª feiras, a fim de manter o seu habitáculo free covid.

Este pequeno texto não pretende comparar nada ou ser mais um onde os profissionais da Educação são vistos como uns coitadinhos.  Serve apenas para mostrar e lembrar que a partir de 2ª feira, o risco de contágio irá aumentar na nossa sociedade, pois as escolas são um “terminal” de passagem de centenas de pessoas.

Continuo a achar que esta necessidade de retoma era escusada e nem mesmo o argumento da economia colhe, pois estes alunos do 11º e 12º ano não precisam de babysitter para ficarem em casa. Quanto às creches, a ver vamos se vão efetivamente regressar, por aquilo que fomos mostrando aqui no blogue e lendo as notícias, muitos pais não vão deixar as suas crianças nas escolas.

Os discursos que hoje correram nas notícias do Ministro da Educação e Primeiro-Ministro, lembram os discursos dos Generais antes de enviarem os soldados para a guerra, sem saber muito bem, quantos iriam regressar. É um exagero naturalmente, mas foi o que me ocorreu.

Dia 18 virá um novo capítulo, que seja apenas mais um de um longo livro ainda por escrever…

Cuidem-se! Nada mais importa que a vossa/nossa saúde…

Alexandre Henriques

2 COMMENTS

  1. 2ª f lá estarei, na linha da frente, para que se possam experimentar em carne e osso, os prós e os contras desta decisão, faremos laboratório para ver como as coisas funcionam, assim em setembro, quando as massas regressarem à escola, ainda com Covid às costas, o experimentalismo de maio-julho terá trazido ensinamentos e os necessários ajustamentos.

  2. Exato as escolas deixaram de ser um lugar onde se ensina e aprende para passarem a tubo de ensaio…há muito tempo que os nossos direitos a nível da educação têm sido destruídos…agora somos ratos de laboratório para a economia avançar😨

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