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Devemos Monitorizar Aquilo Que As Crianças Vêem Na Internet?

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Num mundo em que as crianças são expostas à Internet de forma cada vez mais precoce, uma pergunta impõe-se: devemos monitorizar aquilo que as os mais novos vêem online? A questão concerne todos os educadores, mas diz respeito aos pais em particular. A Internet é uma fonte quase inesgotável de conhecimento, uma plataforma essencial para a aprendizagem, e uma das tecnologias mais importantes do mundo. No entanto, também acarreta vários perigos, e em especial quando pensamos nos mais novos. Entre sites com conteúdos pedagógicos e benéficos e sites cujo teor não é aconselhado a menores de 18 anos vão apenas 2 ou 3 meros cliques de distância. Mas se assim é, como podemos confiar que os nossos filhos e alunos passem horas todos os dias a navegar na Internet de forma segura?
A Internet não é por si só uma tecnologia moral. Se quiséssemos ser redutores, podíamos mesmo dizer que uma criança bem-educada usaria a Internet para práticas boas, enquanto que uma criança mal-educada a utilizaria de forma menos saudável. No entanto, mesmo que a Internet não tenha por si só influência na educação dos mais novos, o acesso livre que esta oferece pode estar na origem de comportamentos perigosos. A limitação da actividade das crianças na Internet traz por isso benefícios óbvios a nível de segurança; mas está também no centro de uma questão ética essencial: é justo controlarmos aquilo que os nosso filhos e alunos podem ou não ver online?

Liberdade ou segurança?

A polémica liberdade-segurança é uma das velhas questões da filosofia moral. Quando somos responsáveis por crianças, seja enquanto pais ou educadores, devemos dar prioridade à liberdade dos mais novos ou à sua segurança? Como mais de 2 mil anos de tratados filosóficos parecem indicar, não existe uma resposta definitiva para esta pergunta. Na verdade, esta polémica, com raízes na filosofia da Grécia Antiga, acaba por ser mais complexa do que os seus primeiros estudiosos preconizaram. Em alguns casos sim, devemos proteger os nossos filhos de acederem a determinados conteúdos; noutros casos, no entanto, é importante respeitar o seu espaço privado e o tempo passado online.
Mas se assim é, como podemos determinar que sites podem ou não os mais jovens visitar? Onde é que se traça a linha?

No meio está a virtude

O ideal passa por procurar um equilíbrio. Entre os sites óbvios que devemos proibir as crianças de visitar encontram-se sites com conteúdos para adultos, como sites que expõe vídeos ou fotos +18 ou sites em que são partilhados conteúdos violentos. A expressão “rekt”, muito usada em redes sociais como o 4chan ou o Reddit, deve representar um sinal de alarme. Os conteúdos “rekt” são todos os conteúdos para maiores de 18 que expõe vídeos ou fotografias gráficas de violência real. Estes conteúdos vão desde brutais agressões filmadas publicamente através de telemóveis até verdadeiras cenas de guerrilha. Um exemplo popular de conteúdo “rekt” são os vídeos de estrangulamentos publicados por organizações terroristas. Existem milhões de sites com conteúdos “rekt” na Internet, e muitos deles encontram-se totalmente abertos a todos os visitantes.
Se é praticamente impossível defender a exposição de crianças a conteúdos deste género, por outro lado é importante não exagerar no que toca às limitações do acesso online dos nossos filhos e alunos. A Internet, tal como o mundo, é uma plataforma diversa que comporta constantes lições. Há muito para ver, aprender e conhecer online, e seria errado vedarmos o acesso dos mais jovens a informações pelas quais estes se interessam apenas porque estas não são coerentes com o nosso modelo moral. Um pai religioso, por exemplo, pode sentir-se tentado a bloquear sites com conteúdos ateístas que possam influenciar o seu filho a distanciar-se da fé que lhe foi incutida. No entanto, negar o acesso a ideias – mesmo ideias com as quais não concordamos – pode ser visto como imoral e contribuir para a ignorância. A melhor maneira de educar os mais jovens continua a ser através da exposição a diferentes ideias. Conhecer os dois lados da moeda, mesmo em discussões altamente polarizantes, é uma das melhores maneiras de compreender de forma profunda aquilo que estas representam.

Segurança online tem vindo a aumentar

Sim, a Internet continua a ser perigosa para os mais novos. Mas a segurança do mundo online tem vindo a aumentar ao longo da última década. Em Portugal, por exemplo, tem-se vindo a assistir à criação de cada vez mais legislação orientada para o mundo digital, um cenário que não se verificava nos anos 90 e 2000. Os sites de casino online são licenciados e expostos a regras rígidas, as burlas e esquemas na Internet são penalizados de forma cada vez mais eficaz, e as redes sociais estão cada vez mais sensibilizadas acerca da sua própria responsabilidade cívica e de segurança. Mesmo assim, é sempre aconselhável prestar atenção à maneira como os nosso filhos e alunos passam o seu tempo na Internet.

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