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Devem Os Alunos Definir As Regras De Sala De Aula?

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Calma e para o baile! Antes de começarem a dizer que é mais uma treta da flexibilização curricular ou lá que o valha, é preciso estabelecer uma regra central. Quem manda é o professor, ponto final!

Andava nas minhas pesquisas à procura de assuntos interessantes para abordar aqui no ComRegras e encontrei um artigo brasileiro com umas dicas sobre o uso do telemóvel, mantendo a disciplina em sala de aula (podem consultar as mesmas no final).

Algumas delas são um puro exercício de verdade de la palice, mas permitir que os alunos definam regras de sala de aula, permitirá que estes estabeleçam nas suas cabecinhas umas série de passos, fundamentais para que a aula em si corra efetivamente bem.

Integração do processo

É o mais óbvio, mas fazer parte do processo faz sentir os alunos valorizados, integrados e consequentemente comprometidos. Se me derem a possibilidade de falar e sentir que sou ouvido, vou sentir-me parte de algo integrado com os meus colegas.

Responsabilização perante o grupo

As crianças e jovens são extremamente sensíveis à opinião alheia, nomeadamente dos seus pares. Se a maioria do grupo definir um rumo, será muito difícil que um elemento queira rumar contra ele, correndo o risco de se sentir à margem ou criticado pelos seus colegas. A escola é um local de afirmação social, a integração faz parte dessa mesma afirmação.

Motivação

Se as regras incluírem a utilização de algo que os alunos valorizam tanto como se fosse um membro do seu corpo, tal como o telemóvel, os alunos vão sentir-se estimulados para o cumprimento das regras de sala de aula. Um pouco como a cenoura à frente do burro, com as devidas e óbvias diferenças.

Sucesso

Não existe ninguém no seu perfeito juízo, seja aluno, professor, novo ou velho, que não sinta prazer no sucesso e não se valorize com uma palavra positiva de terceiros, nomeadamente de quem é visto como uma autoridade como o professor. Faz parte da profissão docente potenciar o sucesso dos seus alunos, criando as condições para que este floresça de forma natural e salutar.

A pensar para os meus botões, sei que se partilhar esta ideia com um amigo meu também professor, a sua resposta vai ser “deixa-te de merdas, os putos têm de fazer o que a gente lhes diz e mais nada”. Não vou dizer que a sua postura não resulta, e que os seus alunos não têm sucesso. A sua relação com os alunos é de extrema franqueza e frontalidade, não há cá mas nem meio mas, é pão pão queijo queijo, e os alunos já sabem o que a casa gasta… professor ensina, aluno aprende! Funciona e os alunos gostam da sua forma autoritária mas que consegue ser doce e compreensiva no momento certo (ai se ele lê isto).

Porém, existe algo essencial nas relações entre alunos e professores. A necessidade que o professor tem de se sentir confortável com a sua forma de estar e lidar com os alunos. Se os alunos sentirem que aquele ser está a forçar algo que não sente, que não se identifica, vão virar a sala de aula ao contrário e esqueçam lá tudo o que escrevi anteriormente.

O mesmo se aplica com as reformas educativas, elas são impostas e como os professores não se sentem parte integrante do processo, muitas vezes não vestem a camisola, pois sentem-se desvalorizados naquilo que é a sua especialidade, a sala de aula.

Voltanto ao tema, os professores mandam, mas há aulas em que os alunos podem mandar mais… Isto tem um nome, chamo-lhe o “domínio consentido”, mas se for preciso  “rachar” e mostrar quem manda, quem dá tem a legítimidade e direito de tirar, a bem da aprendizagem, a bem dos seus alunos. É tudo uma questão de equilíbrios…

Ficam as prometidas dicas do artigo 7 dicas para manter a sala disciplinada mesmo com o celular liberado:

1) Defina o que é o uso pedagógico

A escola precisa entender em quais situações a tecnologia pode ser útil, seja no computador ou no celular. Então, é necessário explicar aos alunos a importância do uso racionado e quais são os objetivos daquela atividade. “É essencial que haja essa conscientização sobre a expressão ‘fins pedagógicos’, tão utilizada quando se fala de celular em sala de aula”, diz o professor Ademir.

2) Pense nos limites para cada etapa escolar

Em cada etapa, a experiência é diferente. Fundamental 1, Fundamental 2 e Ensino Médio devem ter uma liberdade que condiga com as responsabilidades que eles têm e com os conteúdos previstos no currículo. Neste caso, não adianta criar regras para a escola inteira. Cada série e cada sala terá a sua particularidade.

3) Deixe que os próprios alunos criem as regras e definam as consequências caso elas sejam quebradas

“Quando os limites vêm dos próprios alunos, eles respeitam mais, porque aquilo foi construído com os próprios colegas”, diz Ademir. “Na Educação, nada que vem de cima para baixo costuma dar certo. Se o professor impuser uma regra que não faça sentido, os alunos vão quebrá-la – principalmente quando falamos de tecnologia, que é um ambiente onde eles se sentem mais confortáveis do que os adultos”, explica. Ou seja, o mais indicado é trabalhar com combinados que façam sentido para a turma. Isso permite que o controle seja realizado entre os próprios colegas. “Quando um amiguinho não está prestando atenção na aula porque está no celular, o outro chama a atenção, inibe o uso, porque ele fez parte da criação daquele combinado”, exemplifica.

4) Eduque para o uso

Para Débora Sebriam, coordenadora de projetos do Instituto Educadigital, para manter a disciplina – e a segurança dos alunos – é imprescindível que se discuta a internet em si. Quais são os perigos e riscos da navegação sem controle, o que é cyberbullying, sexting e outras violências virtuais, como o plágio acontece no ambiente digital, etc. “Essas questões podem ser discutidas de forma interdisciplinar e integrada ao currículo. É a promoção da cidadania digital”, sugere.

5) Forme os professores

Assim como para as diferentes áreas da Educação, a formação dos educadores é essencial também para o sucesso das práticas pedagógicas ligadas à tecnologia. O aluno, que é mais jovem e, em geral, tem mais contato com internet e equipamentos eletrônicos, normalmente tem domínio maior do que o adulto. A formação, então, pode empoderar o professor e possibilitar que ele sinta mais confiança na hora de usar a tecnologia, porque ajuda o profissional a ter controle sobre o que está acontecendo com os alunos na sala.

Segundo Débora, do Educadigital, as escolas podem incentivar os professores a aprenderem com os próprios pares, ou seja, com outros profissionais da equipe que conhecem ou entendem melhor alguma ferramenta. “Há pesquisas que indicam que eles aprendem mais quando as experiências vêm de dentro daquele círculo”, diz Débora.

Para a diretora Alessandra, da EEF Augusta Knorring, em Brusque-SC, quando um professor começa a utilizar a tecnologia em sala de aula, os outros se sentem motivados a fazer o mesmo.

6) Invista em tecnologias de controle

É possível aproveitar as vantagens que a tecnologia proporciona. Existem aplicativos e sistemas que ajudam o professor a controlar o uso, a bloquear o acesso a determinados sites (desde que os alunos estejam conectados na rede da escola) ou até mesmo interromper a conexão de um aparelho específico.

No entanto, esta medida não depende apenas da gestão escolar, e sim, de um investimento da rede educacional. “Precisa de infraestrutura, de uma rede de wifi que suporte mil alunos conectados ao mesmo tempo, por exemplo, de um profissional de tecnologia da informação para fazer a gestão dos filtros de segurança, entre outros”, exemplifica Débora.

7) Transforme a indisciplina em desafio

Na escola do professor Ademir, os alunos sempre dão um jeito de descobrir a senha de acesso à rede de internet da secretaria. É uma prova de que mesmo com a proibição, o uso acontece. Além disso, o exemplo mostra que os jovens estão à frente quando o assunto é tecnologia, e que lutar contra isso dificilmente trará bons resultados.

Neste caso, Débora, do Educadigital, sugere que a escola aproveite o caso para estimular os alunos. “Eles querem descobrir a senha porque se sentem desafiados. Então, por que não incentivar uma atividade de probabilidade, por exemplo? Perguntar ‘Quantas senhas são possíveis com essa combinação de letras e números’ é um exemplo de como a escola pode transformar o problema em atividade pedagógica.”

Alexandre Henriques

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