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Quem deve motivar os alunos? Os pais ou os professores?

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Eu ando todos os dias na escola e conheço o meio como muitos dos professores conhecem. A realidade, aquela que não vem nos livros, é que existe um “acusa acusa” de professores e pais sobre quem é o principal responsável pela motivação, empenho e desempenho escolar.

Na minha opinião a resposta é simples, TODOS. O desempenho escolar depende de três fatores essenciais, pais, professores e alunos. Os três são pilares para a aprendizagem e por muito que se queira responsabilizar uma das partes, a minha experiência diz-me que só um equilíbrio entre todos permite obter resultados.

Existem outros fatores como as infraestruturas, o contexto sócioeconómico, o nível académico dos pais, etc, mas a forma como se encara a escola é decisiva.

O investigador e professor Joaquim Azevedo criticou nesta quinta-feira quem acusa os pais de não “colocar motivação nas mochilas” dos alunos, defendendo que esse trabalho cabe às escolas e professores, que estão desactualizados.

“A escola não pode ser o que era há 30 anos”, alertou o ex-secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, durante a sua palestra no 1.º Congresso de Escolas, que está a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Para o investigador do Centro de Estudos do Desenvolvimento Humano, “tudo está a mudar à volta da escola”, mas a escola pouco mudou e este desequilíbrio faz com que muitos alunos acabem por se afastar do ensino.

Joaquim Azevedo também acusou a escola, os professores e os partidos políticos de estarem desatualizados. É verdade, é verdade que continuam a existir professores que escrevem no quadro e os alunos apenas copiam, mas também é verdade que essa realidade começa a ser esporádica. Os professores e as próprias escolas têm feito um esforço significativo para se adaptarem a um novo perfil do aluno. Um aluno muito mais tecnológico e com acesso a conteúdos em todo o lado e a toda a hora. É um caminho que está a ser feito, que precisa ser feito, mas tenhamos a consciência que é muito difícil para as escolas e seus professores, nem que seja pelas limitações das infraestruturas e o elevado número de alunos por turma.

“Há uma realidade em profunda transformação”, disse o especialista, criticando escolas e professores, mas também partidos políticos e Governo por não se adaptarem aos tempos modernos.

Joaquim Azevedo censurou os partidos políticos por “não perceberem as mudanças” que ocorreram nas últimas décadas e por continuarem a nortear-se por paradigmas desactualizados.

“É preciso um banho de realidade. É preciso perceber o que se está a passar à nossa volta”, criticou.

Investigador critica quem acusa pais de “não colocar motivação nas mochilas” dos filhos

(Clara Viana – Público)

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