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Desde O Início Do Ano Professores Recusaram 2530 Horários E Isto É Apenas O Começo

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Em novembro de 2018 escrevi o artigo Há Professores Que Estão A Pagar Para TrabalharNão é por isso de estranhar a recusa em larga escala de horários incompletos. Só alguém que não esteja no seu perfeito juízo estará disposto a abandonar a família e pagar para trabalhar, ainda por cima quando os descontos para estes professores à segurança social são claramente prejudiciais.

O Ministério da Educação ao dizer que tem autorizado horas extraordinárias às escolas que o têm solicitado, manifesta que não tem uma solução para o que se está a passar. O problema é estrutural e não se resolve em colocar pensos rápidos, atirando horas extraordinárias para cima de professores já por si exaustos.

Estamos a assistir a uma consequência natural dos ataques constantes e respetiva desvalorização da classe docente. Lembro que a OCDE afirmou que apenas 1,5% dos jovens quer ser professor atualmente e no nosso tempos, 80% gostariam de ser professores.

A escola mudou, a sociedade mudou, os políticos por outro lado persistem no erro e acredito que neste momento chegámos ao ponto de não retorno.

Alexandre Henriques


Há turmas sem professores desde o primeiro período

Nas escolas das regiões de Lisboa, Algarve e Alentejo, a falta de professores é sentida de forma transversal deste o 2.º ciclo.

Há casos de turmas sem um dos professores desde o primeiro período, adiantam ao Jornal de Notícias o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamento e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Mota, e o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira.

Os diretores têm cada vez mais dificuldade em substituir professores de baixa. Segundo o diário, Inglês, Matemática, História, Geografia ou Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) são os grupos de recrutamento com reservas “vazias ou quase vazias”.

O Ministério da Educação assume o problema, afirmando que há de facto muitas dificuldades na substituição de docentes, e sublinha que, por esse motivo, tem autorizado horas extraordinárias para fazer face a essa situação.

Em Setúbal, a Escola Secundária de Bocage é um dos casos que evidencia este problema. Em agosto do ano passado, uma professora com gravidez de risco foi colocada num horário completo para Geografia (seis turmas do 3.º ciclo). “Nem foi à escola. Só consegui professor em dezembro, mesmo antes das férias”, conta o diretor Pedro Tilde.

Atualmente, duas turmas do 12.º ano estão sem professor de Matemática. O horário não foi preenchido nem nas reservas de recrutamento nacionais, nem na contratação da escola. O diretor adianta que, a partir do terceiro período, vai mudar um professor que dá aulas a uma turma de 10.º e 8.º para que os alunos do 12.º ano, que têm exame, possam recuperar a matéria. Se isso acontecer, os outros estudantes devem ficar sem aulas.

Filinto Mota afirma que a falta de professores foi umas das principais preocupações colocadas em cima da mesa pelos diretores nas reuniões que a ANDAEP promoveu com diretores de Lisboa, Algarve e Alentejo. Por sua vez, no Norte e Centro do país, há maior concentração de docentes e o problema não se faz sentir.

No entanto, Mário Nogueira refere que é tudo uma questão de tempo: “Ainda não se sente, mas vai sentir“. O sindicalista aponta como causas o envelhecimento da classe, a delapidação da carreira e cursos superiores desertos.

O problema tem-se vindo a agravar de forma progressiva nos últimos dois anos “e vai atingir extrema gravidade daqui a quatro anos” com a saída de, pelo menos, 11 mil professores para a aposentação até 2023, remata.

No entanto, em Lisboa e no Algarve há agravantes – mesmo quando há candidatos, há cada vez mais docentes que recusam horários por causa do preço das casas nestas regiões.

“Há diretores que têm de ser agentes imobiliários e ter uma lista de casas” pronta para enviar aos colocados, descreve Filinto Lima. Segundo o Ministério da Educação, desde 7 de setembro até final de janeiro foram recusados 2530 horários.

Fonte: ZAP

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4 COMENTÁRIOS

  1. .
    Não existe falta de “educadoras” e de “professores primários”.

    A falta de professores faz-se sentir no Ensino Secundário de Licenciados em Universidades (Inglês, Matemática, História, Geografia ou Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), Direito, economia….) e com competências para desenvolverem trabalho no sector privado.

    Há muita gente formada nas ESEs e outros Institutos com o curso de babás, professores primários e ginástica….e aqui não há falta, mas sim excesso.
    .

      • .
        É a verdade meu caro Lawrence.

        É a realidade. Cada vez será mais assim devido à maior empregabilidade de Licenciados formados por Universidades e Cursos (a sério).

        Se os Licenciados conseguem empregos com melhores salários e sem andar com a casa às costas, aproveitam.

        Se há falta de Licenciados de Física, Química, Economia, Direito, Geografia, História….é porque fazem outras opções com maior racionalidade económica.

        Quem tirou cursos direccionados para o ensino como o caso de babás e professores primários é óbvio que nada mais lhes resta do que irem aturar meninos. É a vida….ou a vidinha….
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        • Sr(a) ave rara: não percebeu porque é uma verdadeira ave rara. Para mim não necessita de voltar a repetir o conteúdo do 4º parágrafo. É óbvio, se bem que licenciados em Direito, muitos também são formados por Universidades pouco recomendadas! Para terminar, pode-me explicar quais são os cursos destinados à formação de “babás” e “professores primários”? Ah, já agora pode-me explicar também que curso é esse de “professor de ginástica”?

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