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Desconstruir a Ignorância destes tempos…

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“Aquele que se sabe profundo esforça-se por ser claro; aquele que gostaria de parecer profundo à multidão esforça-se por ser obscuro. Porque a multidão acredita ser profundo tudo aquilo de que não pode ver o fundo.”

Friedrich  Nietzsche

 

A verdade é que a escola não serve só para passar o tempo de todos a “aprender”. Sou do tempo em que a palavra “estudante” imperava. Hoje só quero que a escola tenha um papel fundamental no ensino dos miúdos. Que os esclareça. Que os ilumine. Tudo isto porque, neste início de ano parei para pensar um pouco sobre esta coisa do “educar”. Li de relance um artigo do Pacheco Pereira sobre a “nova” ignorância. Discordo dele só numa coisa: que a culpa é das novas formas de comunicação. Houve um tempo em que os homens achavam que a terra era plana e que as bruxas eram reais e não tinham facebook. E lia também uma reflexão sobre a necessidade de um novo iluminismo. Pensei para mim mesmo, olhando para os pequenitos cá de casa, perguntando-me se não foi esse o propósito inicial da “escola”. Iluminar, esclarecer, trazer a recém-nascida ciência aos homens do futuro novo para os tornar um pouco mais sábios. Ora, a escola, neste momento é quase tudo menos isso. Esse lugar de esclarecimento. E precisamos disso como de água em dias de seca. De realçar a ideia que estudar não é coisa fora de moda ou que o mérito de se ser estudante pode ser esbatido pelo de ser conhecido. Num tempo de imagem e de instantes demasiado imediatos o futuro pertencerá, assim, a quem souber ler e escrever. É estranho alguém que esteve do outro lado olhar para a escola agora como esse lugar de desigualdades. A ignorância é hoje um dos maiores perigos que cada professor enfrenta na sua sala de aula e cada pai na resposta que dá a um filho. Quando se “cita” – uma coisa que se viu numa rede social – não se está a citar uma fonte, está a citar-se uma conversa ou algo que por si só não tem validade. Assusta-me que esta cultura de ignorância se estenda ao único lugar onde isso não pode nem deve ser usado: a escola. É função de cada professor combater esta imensa coisa negra que cria verdadeiramente desigualdade entre aqueles que conseguem (pela cultura, informação e conhecimento) descontruir uma “pós-verdade” que em seu tempo se chamou de propaganda ou desengano e aqueles que acham mesmo que tudo o que lhes aparece como “escrito” é verdade e real. A escola tem hoje um dos maiores dilemas de sempre. Equilibrar o jogo entre o conhecimento e a crítica/análise em modo contínuo em que vivem os miúdos. O professor é um elemento chave neste processo. Como são os pais. A verdade é que este é o tempo onde a cultura é uma velha pobre e o conhecimento seu irmão mais velho. O triunfo da ignorância só tem uma gigante para a travar: a escola. Ou… triunfará.

João Lima

Pai

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