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Desafios Do Ano Escolar: Ver, Imaginar, Criar

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No início de mais um ano escolar, e num tempo de almejada renovação da educação em Portugal, importa refletir sobre os desafios que se colocam às escolas. Entre muitos passíveis de serem enunciados, destaco sete, que sucintamente explicito:

  1. Num sistema tendencialmente cego, é imperativo atender à singularidade, diversidade e heterogeneidade dos alunos.
  2. Isto implica elevar a eficácia do diagnóstico pessoal de cada aluno, equacionar formas mais flexíveis e eficazes de os agrupar, de lhes alocar docentes, de gerir os tempos e os espaços escolares para, assim, podermos também recorrer a estratégias de ensino e de avaliação que não deixem ninguém para trás;
  3. Romper com as rotinas paralisantes. Há uma imagem de escola e de professor na qual fomos sendo socializados e que tem vindo a contribuir para a cristalização das práticas escolares. Este facto acaba por minar, em muitas escolas, qualquer tentativa de inovação, procurando-se a manutenção da velha ordem. O desafio é o de ousarmos sair da nossa zona de conforto (que é, quase sempre, uma zona de paralisia) e percebermos as inequívocas vantagens, para professores e alunos, de desenharmos novos mapas mentais;
  4. Criar comunidades profissionais de aprendizagem. Cada escola deve ser uma comunidade de aprendizagem, ou seja, um local onde todos aprendem: alunos, professores e funcionários. Mas para tal, é importante criar tempos e espaços para que as pessoas se conheçam e se reconheçam, construindo condições para um trabalho colaborativo que a todos enriqueça. Aprender e desaprender juntos é uma condição essencial de renovação e metamorfose;
  5. Dar sentido ao trabalho escolar. As escolas, mais do que qualquer outra instituição, deveriam ser organizações inteligentes. No entanto, ainda assistimos, em muitos casos, a um défice de pensamento estratégico e a uma ausência de questionamento que impedem o seu crescimento e desenvolvimento. Será importante que cada vez mais as escolas se questionem sobre o sentido do trabalho que é proposto aos alunos, mas também aos docentes, sob pena de se tornarem organizações paralíticas e acríticas e falharem, portanto, na sua missão central;
  6. Criar e manter uma cultura de avaliação sistemática. Os processos de auto-avaliação das escolas são centrais para uma tomada de decisão informada e eficaz. O desafio é o de instituir processos de avaliação que, mais do que servir para construir gráficos e estatísticas, tornando-se um fim em si mesmos, sirvam as pessoas e as organizações, promovendo uma reflexão sistemática e a adoção de práticas mais eficazes. Avaliar para compreender, para conhecer e para melhorar é uma dimensão essencial do desenvolvimento das organizações educativas;
  7. Abrir-se às forças vivas da comunidade local. Uma escola será tanto melhor quanto mais tiver a capacidade de se inserir territorialmente, abrindo-se a uma cooperação saudável com outras instituições de educação e formação locais que possam potenciar a sua ação e a sua eficácia. Este pode ser o outro nome da autonomia, isto é, uma interdependência que faz das escolas motores solidários do desenvolvimento local;
  8. E, por fim, mas talvez o mais importante dos desafios, será o de assumir uma profissionalidade docente consciente, que liberte os professores de uma ordem vassálica e lhes permita ser autores e criadores de oportunidades de aprendizagem mais bem-sucedidas para todos. Isto significa, entre outras coisas, assumir a liberdade de criação e de libertação de uma ordem centralista que, sob a capa da autonomia e flexibilidade, coarta as possibilidades de desenvolvimento.

Estes são alguns dos desafios que farão das escolas “comunidades educativas”, dos professores sujeitos mais autores do seu destino e dos territórios locais dinâmicas mais promissoras de realização humana e social.

Fonte: Publico

1 COMMENT

  1. Esta conversa da treta” escola arcaica e cristalizada”, inovação e ”quejandos” vem, por norma, dos mesmos lados de uma certa universidade confessional da Cidade Invicta… Já não há paciência para aturar tanta prosápia de quem pensa que tem a ciência infusa na área das ciências da educação…
    Eles , os sábios do pensamento moderno e inovador, estão do lado bom da força, os outros,uma larga maioria de professores, são o lado obscuro que tenta minar os ”amanhãs que cantam” de uma minoria predestinada… O problema do ensino em Portugal são sempre de más práticas levadas a cabo por professores reaccionários e avessos à mudança… Nesta visão tão boa querem ignorar o que dizem os estudos,no âmbito da Sociologia da Educação, e da relação directa entre meio económico e desempenho académico ! E é assim em Portugal e na amada Finlândia, podem-se minorar os efeitos da proveniência social através da intervenção académica, mas, para isso, era necessário também dispor dos recursos disponíveis pelos países do norte da Europa e a mentalidade dos seus cidadãos… Provavelmente lá os académicos também não tentam criar uma permanente acrimónia com os professores, nem argumentar que a questão metodológica, que é apenas uma opção, é o alfa e o ómega do sucesso ou insucesso académico!
    Esta má vontade para com os professores por gente que , por norma, não põe os pés numa sala de aula é sintomático de que os docentes portugueses têm bom senso, não se deixam enredar em pseudo-ciência, que rejeitam práticas e discursos gongóricos, que têm muita intenção mas pouca substância; que sabem a diferença entre inovação e simples tentativas de mudança metolológica patrocinadas por indivíduos, ou grupos, que parece que descobriram agora o Freinet ou o Movimento da Escola Moderna. Deviam saber que os professores, como profissionais qualificados, têm autonomia pedagógica, friso muito, autonomia pedagógica, consagrada no artigo 5º do Estatuto da Carreira, cito, alínea C :
    ” O direito à autonomia técnica e científica e à liberdade de escolha dos métodos de
    ensino, das tecnologias e técnicas de educação e dos tipos de meios auxiliares de ensino
    mais adequados, no respeito pelo currículo nacional, pelos programas e pelas orientações
    programáticas curriculares ou pedagógicas em vigor;”.
    O desgosto de alguns é que uma boa parte os professores tem juízo, não professa na sua igreja, nem embarca em projectos mirabolantes carregados de demagogia…
    Ainda bem que pensam por sua cabeça!

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