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Depois da tempestade vem a bonança?

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bonançaAté estou com medo de começar para aqui a dizer bem do Ministro, mas eu não sou daqueles que está sempre contra tudo e contra todos, principalmente os que habitam na Assembleia da República e respetivos Governos, só porque está in e tal. Não posso deixar de aplaudir a notícia que ontem surgiu sobre a eventualidade de uma redução da carga letiva nos alunos do ensino básico, e aqui dirijo-me principalmente ao 1º ciclo.

Considero grave, bastante grave o que se está a fazer às crianças do 1º ciclo, a quantidade de horas que estas passam em ambiente letivo, levando para casa um bónus de TPC por vezes em dose industrial, mostra que o modelo atual visa principalmente a quantidade. Sim eles precisam de repetição, sim eles precisam de hábitos de estudo, mas tudo deve ser gradativo e não se compreende que uma criança do 1º ano passe mais horas na escola que um jovem do 12º ano. Ainda por cima quando no 1º ciclo as expressões são o parente pobre do currículo, onde por exemplo a disciplina de Educação Física é lecionada em AECs, em horário pós-letivo, impossibilitando a redução do tempo de prática de papel e caneta.

Cá em casa já sinto os efeitos, a criança que agora entrou para o 1º ano passa a vida a dizer que “estamos sempre sentados e a fazer fichas”, que “os intervalos são muito pequenos”, “que a escola é uma seca”, etc. Mas para provar que não estou a ser vítima de uma qualquer contaminação protecionista inerente à minha paternidade, podem ler aqui um artigo que escrevi há já algum tempo e verificar dois gráficos que comprovam o abuso que está a ser cometido.

Ainda nestas férias de Natal, uma amiga minha disse-me que a sua filha que está no 2º ano de escolaridade, levou para casa 50 fichas de TPC, 50 fichas!!! Essa professora devia corrigi-las todinhas, uma por uma e entregar a respetiva correção aos encarregados de educação. Haverá limites?

E já sei o que estão a pensar, que muitos professores irão para o desemprego e que é mau para a classe. Sou professor, sou corporativista (não tenho medo da palavra), mas não sou cego e a minha ideologia de professor e de funcionário público é de servir e de bem servir. A escola tem de pensar em primeiro lugar nos alunos, com rigor, exigência, dando as condições para que estes progridam de forma equilibrada e sustentada. Os professores são peça chave, e estes são necessários mais do que nunca. As turmas apresentam um tamanho elevado para que um verdadeiro ensino, progressivo e individualizado permita aquilo que todos pretendemos – a aprendizagem. Para o efeito, reduza-se o número de alunos por turma, utilize-se a codocência se necessário e vão ver que ninguém fica desempregado e a qualidade do nosso ensino melhora a olhos vistos.

Fica a notícia e o documento do GOP 2016 aqui

GOP2016: Alunos do ensino básico terão menos carga disciplinar

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2 COMENTÁRIOS

  1. “onde por exemplo a disciplina de Educação Física é lecionada em AEC”
    No meu agrupamento há 45 semanais das Expressões para Educação Física e no 4º ano é lecionada em coadjuvação por um professor da disciplina. Já nos restantes anos, constato que alguns professores não leciona Educação Física e preferem outras Expressões.

    • O problema está aí… umas dão outras não, umas dão a um ano outras dão a outro… É uma fase fundamental para as crianças e elas precisam de atividade física diária.

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