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Deixem as Expressões respirar…

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Estamos numa fase crítica de todo o processo de recuperação da dignidade perdida por parte das Expressões. É nesta fase que se colocam as cartas na mesas e que os Velhos do Restelo descem do alto dos seus palanques, invocando mil e um argumentos tresandando a mofo, gaguejando com o receio de perder estatutos (mal) adquiridos no tempo de Nuno Crato.

Temos de ter noção do que está em causa, as crianças de hoje já pagaram um preço demasiado alto pela obsessão em centralizar o ensino em duas áreas. Português e Matemática.

Nada tenho contra o trabalho dos meus colegas e dos alunos, não é isso que está em causa. Os resultados obtidos no PISA provam que o trabalho realizado foi competente, mas pagou-se um preço demasiado alto… A Educação não se resume ao PISA, os alunos não devem ser enfiados num tubo, despejando-lhes apenas parte do que precisam para uma formação completa, harmoniosa e salutar. As Expressões precisam de recuperar o espaço perdido, os alunos precisam de voltar a ser alunos completos e sem amputações ideológicas, criminosas e que vão custar muitos milhões de euros ao erário público a médio longo prazo.

Os números são assustadores, a obesidade nos alunos e as doenças associadas atingiram níveis históricos. A incapacidade motora e inaptidão em desempenhar simples tarefas é escandalosamente preocupante. Ainda na semana passada tinha uma aluna de 7º ano que queria enviar uma bola de costas para o cesto e por 3x, atirou a bola… para a frente… mais caricato que isto não pode existir!!! Mais assustador que isto é impossível!!!

Não se trata de colocar as Expressões acima das restantes áreas curriculares, trata-se de aceitar as diferentes inteligências e dar oportunidade aos alunos para as desenvolver, a bem de uma formação transversal e completa.

Não vamos perder nada, vamos apenas recuperar o que foi perdido.

Deixem as Expressões respirar…

11 COMMENTS

  1. Ia a meio do texto e disse para mim: “cheira-me que está a falar em causa própria.”
    Continuei a ler e confirmou-se.
    Gosto sempre de ler o argumento da obesidade dos alunos. Com aulas de Ed. Física 3x por semana vão ficar uns modelos!….Só precisam é de comer menos Mcdonalds e afins.
    Todos sabemos que a base de todas as outras são o Português e a Matemática.
    Sabemos, mas queremos relevar também o resto, porque queremos ser todos importantes.
    Eu sugiro até que se elimine estas duas nucleares, assim o sucesso será garantido.

    • Eu não sugiro, o Português e a Matemática são muito importantes, tão importantes como as Expressões… A minha causa são os alunos, não tenho mais nenhuma!

      • Não são nada. A Matemática só é preciso para fazer umas contas na mercearia e para isso já há máquinas de calcular.
        O Português, para quê? Basta saber falar e saber escrever para assinar cheques.
        Já o Napoleão dizia “O avanço e o aperfeiçoamento das Expressões estão ligados à prosperidade do estado.”

        • Quer me parecer que a base é a motricidade. Acho que o início é feito de aprendizagem de movimentos antes de aprender a falar, contar e escrever. Assim a base de tudo é a motricidade e se soubessem as implicações que tem no desenvolvimento das supostas disciplinas “base”, isto era um não assunto.

  2. Eu acho que nunca há problema em falar em causa própria, principalmente quando os dados são esmagadores: segundo os dados do Observatório Nacional de Educação Física, cerca de 70 por cento das escolas não dava, no ano transato, a disciplina de Expressão e Educação Físico Motora, que faz parte do currículo de todos os alunos do 1.º ciclo, delegando essa função nas Atividades de Enriquecimento Curricular, onde naturalmente nem sequer estão todos os alunos presentes. Esse é um facto indesmentível – e se fosse Português ou Matemática? – e as provas de aferição do 2.º ano de escolaridade nas áreas da Expressões, uma medida de coragem desta equipa governativa, estão a provar exatamente isso, com o conjunto de questões operacionais que tem vindo a ser levantadas pelas Escolas e Agrupamentos.

  3. ” Ministério não vai fazer nenhuma reforma curricular,” Notícia do jornal Público! É uma risota! Mas andam a discutir o quê? Ainda não perceberam que nenhum ministro vai colocar a cabeça no cepo, ou melhor, arriscar a cair no ranking do PISA? Há duas questões importantes, ou mais algumas que não terei tempo de esmiuçar, no meio desta conversa fiada do aluno do século 21, etc e tal… A primeira: é necessário mexer na organização das escolas para preparar a municipalização. Segunda: vem aí um novo pacote de ajudas comunitárias que serão canalizadas para a educação. Dentro desta segunda: as autarquias serão uma peça chave na candidatura a este quadro comunitário de apoio; nesta mesma segunda: é necessário criar a ideia , criar uma necessidade, de que as escolas estão muito arcaicas e é necessária muita formação… Para colmatar a ignorância de forma moderna … o que fazer? Assessorias aos Agrupamentos em coisas muito à frente como: Meditação mildefulness e lançamento de búzios para alunos selváticos e indisciplinados; aprender a ler e a escrever através de técnicas de yoga; reformatar professores arcaicos através da meditação transcendental; a ciência através e a leitura dos signos astrais; aprender a aprender através de jogos coletivos…. e criativos; como te tornares no Friedrich Gauss através de uma aplicação do telemóvel ”bué da fixe” … Escrita Criativa: como te tornares no novo Proust sem ler secas de rimas de livros… São só algumas ideias…

  4. Não se se sabe que existe uma recomendação do governo de José Sócrates, da então ministra MLR, onde expressamente se remetem as Expressões para o tempo das AEC. Saberá também, certamente, que o currículo está desenhado de modo a que as Expressões sejam , de facto, residuais: Sou o primeiro a apoiar as Expressões a terem um outro lugar no 1º Ciclo. Mas, que fique claro, não se deve sacrificar a monodocência , nem partir mais o 1º Ciclo. Muito menos acho piada à ideia, se é que alguns a têm, de retalhar este Ciclo de Ensino só porque poderá mais um jeitinho para completar horários!
    Já agora não há coragem nenhuma em meter uma prova de aferição ao nível das Expressões: não passa de uma ”diabrite” do governo para se demarcar do anterior governo. Quando forem chamados à pedra, goste-se ou não, bem sabemos a que disciplinas vão ser pedidos resultados! Muito menos entendo que se faça a prova, como alguns dão a entender, para ” apanhar em falta” os” madraços” do 1º Ciclo! Todas os finais têm um enredo e parece que alguns só lerem as legendas finais. Era bom que se informassem.

    • Concordo. Que as Expressões sejam lecionadas no tempo letivo e todos sabemos o que se passa no 1º ciclo, a prova de aferição não irá comprovar nada.

    • “Mas, que fique claro, não se deve sacrificar a monodocência , nem partir mais o 1º Ciclo. Muito menos acho piada à ideia, se é que alguns a têm, de retalhar este Ciclo de Ensino só porque poderá mais um jeitinho para completar horários!”

      Certo.
      Retalhar o 1º ciclo é o mesmo que retalhar a infância.

  5. Parece-me que o sr. Zé Augusto só conhece um tipo de aluno. As capacidades humanas vão muito além das línguas e matemáticas. Se descurarmos a aptidão de cada individuo teremos apenas os génios da escrita e ciência, e todos os outros, os burros, que deverão seguir estes “génios” com duas palas nos olhos. Assim estaremos a criar, ou melhor a perpetuar, os eternos problemas da sociedade.

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