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Défice de Formação (a ler)

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Défice de Formação
Nunca houve tanta gente com diploma de curso superior. Porém a aljava instrumental e técnica não basta para educar cidadãos e profissionais exemplares. Para isso exige-se ‘Formação’. O que é esta? Aprecio a noção elaborada por Wilhelm von Humboldt (1767-1835), destinada a refundar a ideia da universidade da era moderna. Não a exponho por ser longa; para elucidar o seu teor, recorro a Platão: “O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê.”
‘Formação’ é o resultado do processo de transmissão e assimilação de conhecimentos e habilidades, aquilo que forma o aparato referencial de valorações e opções dos alunos e estudantes, e comanda a sua conduta. É a competência basilar para a compreensão e o entendimento, tal como define Miguel Torga: “Compreender não é procurar no que nos é estranho a nossa projeção ou a projeção dos nossos desejos. É explicar o que se nos opõe, valorizar o que até aí não tinha valor dentro de nós. O diverso, o inesperado, o antagónico, é que são a pedra de toque dum ato de entendimento.”
A ‘Formação’ (não a instrução funcionalizante em alta), diz Manuel Ferreira Patrício, é ‘Antropagogia’ cuidadora do ‘quem’, ínsito no Ser Humano; intenta dar-lhe a forma de exigência axiológica e cósmica única, que possibilita:
• Questionar o inquietante, alargar o olhar além da mão, do imediato, palpável e curto alcance, almejar a distância, a amplitude, diversificação e imensidão;
• Perceber o perdurável, infinito, intangível, simbólico e não revelado, os ‘a priori’ iluminadores dos ‘a posteriori’;
• Atribuir significados, deixar-se seduzir pelo belo, pela amabilidade, amenidade e moderação, pela alegria do encontro, da empatia, simpatia, compaixão, partilha e identificação com o outro, com o seu lugar, experiência e vivência.
Chama-se ‘Formação’ à aspiração de verdade que não consente o mentir, associa meios e fins, julga as ações como boas ou más, pondera as respetivas consequências, encoraja a escolher as primeiras e rejeitar as segundas. É ela que caracteriza o ‘Homem de saber ampliado’, experimentado e multiplicado.
A ‘Formação’ responsabiliza a ação, implica estudo e leitura, recolhimento e reflexão, acuidade e abrangência da visão. Sem estes elementos, a vida enreda-se num acionismo estapafúrdio e letal, o indivíduo afoga-se nos particularismos e descamba para imbecil especializado.
Fonte: Facebook (Jorge Bento)

 

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