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De volta

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1Ora cá estamos – cá estou – para mais um ano. Este primeiro texto deste ano letivo é, uma vez mais, qualquer coisa como folha de princípios. Ou seja, algumas orientações, critérios, regras, opções pelas quais me irei reger na escrita e na troca de ideias com quem por aqui passa.

Depois da experiência inicial, ano letivo de 15/16, para este não elevo a fasquia, não pretendo entrar no top 10 do ComRegras, nem criar qualquer tipo de fidelização que não seja pelo debate, pelo questionar as situações ou dos assuntos que aqui me trazem. Mas não deixo de pretender realçar aquele que é o meu olhar, a minha perspetiva sobre a educação, de um modo geral, e a escola, de forma muito particular.

Deste modo, destaco o campo por onde deixo e deixarei texto e ideias, o das políticas educativas. Entendo-as enquanto conjunto de opções que se assumem em face da relação que os diferentes atores, num dado contexto, identificam entre problemas e soluções. É aqui que estão muitos anos da minha formação pós graduada e todo um conjunto de saberes (por via da teoria como da prática) sobre o que faço.

Dentro das políticas educativas há uma área que centra quase toda a minha escrita e o pensar que faço sobre ela, o papel da escola (dos professores, das suas opções e estratégias) no processo de passagem do aluno a cidadão social. Processo visto e analisado mediante o conjunto de opções que localmente se assumem, umas vezes em claro processo de conformidades administrativas, de cumprimento das regras e orientações gerais, noutros em processo de (re)criação dessas regras e desses procedimentos. Noutros ainda em processos nem sempre claros entre cumprimento das regras e a sua (re)criação.

A minha perspetiva de análise vai (quase) sempre para os comportamentos e a relação que cada aluno institui com a escola – e a escola com o aluno. Esta perspetiva decorre, por um lado, de ser “mais fácil” perspetivar a ação sobre os comportamentos como meio de construção do cidadão social. Por outro lado, por serem eles, há muito, a grande preocupação da escola e da sociedade divididos que se têm mostrado entra a autonomia e a conformidade, a criação e a tradição, o progresso e a estabilidade.

Contudo e quero aqui destacar a ideia que faço das políticas educativas, abrangem diversificadas áreas educativas e/ou escolares. Áreas que vão do currículo à avaliação, passando pelo conjunto de opções didáticas, estratégias de promoção do sucesso, organização do trabalho (de professores e alunos). Vão além de regras e regulamentos, normas e preceitos. Estas são importantes mas não exclusivas para perceber e analisar como se instituem as relações sociais num contexto particular. Um outro destaque que faço diz respeito ao facto de valorizar processos em detrimento de resultados. São os processos que conduzem a resultados não podendo os resultados valer por si.

Um traço comum oriundo do ano letivo passado persiste, mantenho-me disponível para trocar ideias, para ouvir, ler e perceber outras perspetivas. Isto por que a única certeza que tenho reside no conjunto de dúvidas que me orientam no meu trabalho.

De resto o enorme privilégio que sinto ao regressar a um espaço que tem marcado e irá continuar a marcar, de forma pró ativa, as conversas sobre educação.

Manuel Dinis P. Cabeça

5 de setembro, 2016

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