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David Justino diz que a indisciplina é um “problema circunscrito”. Ai é?

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varrer para debaixo do tapete

Ontem foi apresentado o Estado da Educação pelo CNE referente a 2015. Em vez de vos maçar com 310 páginas de um relatório que basicamente faz uma compilação de dados já conhecidos, mas certamente deu muito trabalho, aponto as vossas energias para a introdução de David Justino.

Como o projeto aQeduto tem vindo a divulgar, os alunos portugueses estão entre os que têm maior percentagem dos que se sentem “felizes” na escola, que têm um bom relacionamento com os professores e onde é mínima a percentagem dos que se sentem “postos de parte”.

Por isso, este perfil é algo contraditório com as representações expressas pelos diretores escolares – reveladas pelo inquérito PISA 2012 – quanto à dimensão dos fenómenos de “indisciplina” e de “falta de respeito”. O problema não é exclusivo das escolas e dos alunos portugueses, encontra-se um pouco das suas expressões nos diferentes países europeus, só que se torna fácil ampliá-lo a partir de casos isolados, de experiências pessoais ou testemunhos dramatizados que transformam um problema circunscrito numa marca generalizada a todo o sistema de ensino.

Sobre a felicidade, o mesmo estudo indica que as crianças finlandesas são “infelizes” na escola…  confesso que estes dados deixam-me simplesmente perplexo levando o meu lado mais mauzinho a questionar a veracidade destes dados. Mas isto é problema meu.

O que me preocupa é a desvalorização que David Justino deu à problemática da (in)disciplina. Tirando o estudo que fiz o ano passado, não existem dados concretos sobre a indisciplina em Portugal dentro das escolas. Talvez o CNE esteja a realizar um estudo sobre o assunto e sabe coisas que nós ainda não sabemos. Se assim for estará de parabéns, mas caso assim não seja, David Justino tira uma conclusão perigosa dando a entender que existe muito fumo e pouco fogo.

O problema é que este fogo arde e arde bem… Lembro que em apenas 4,4% das escolas públicas portuguesas (50 mil alunos) ocorreram mais de 9000 participações disciplinares em 2014/2015 abrangendo quase 5 mil alunos, o que extrapolando para a totalidade das escolas ultrapassa as 200 mil participações disciplinares num só ano… Além disso, os encarregados de educação e diretores escolares apontaram no estudo ComRegras, a indisciplina como um dos principais problemas/áreas a melhorar na educação em Portugal. E se somarmos os últimos dados da Escola Segura (2014) chegamos à conclusão que temos um efetivo problema na escola pública.

( …)participações por violência em ambiente escolar que subiram de 4932 para 5361 (mais 429) – e que foram recebidas no âmbito do programa Escola Segura.(…)

Mas em Portugal é assim que se faz, a indisciplina é sistematicamente desvalorizada, criando nos professores uma sensação de orfandade pois não sentem o apoio das altas individualidades do sistema educativo, nem interesse em resolver o assunto. A indisciplina está associada a inúmeros fatores e causas, sem dúvida, sendo  uma das principais o varrer sistemático para debaixo do tapete.

De facto assim não vamos lá…

1º Estudo Sobre Indisciplina em Portugal com Dados das Escolas

A (in)Disciplina na Família

Palavra aos Diretores e Presidentes de Conselhos Gerais – Inquérito

Queixas por violência no namoro em meio escolar aumentam em 50% num só ano

2 COMMENTS

  1. A tolerância militante, por parte de alguns encarregados de educação e de diretores, de comportamentos inadmissíveis de determinados alunos deu nisto… As crianças e o jovens não são todos iguais mas o que deveria ser igual era a atitude de alguns encarregados de educação: toleram comportamentos da pedra lascada aos seus educandos ! Eu não admito, seja o professor dos ”bué de fixes” carregado de tablets, ou dos mais ”obsoletos”, que os meus filhos tenham comportamentos desrespeitosos com um professor dentro da sala de aula! Ponto final!
    Já agora… muitos dos problemas disciplinares dos ”meninos”, principalmente da classe média, são varridos para debaixo do tapete porque certos papás não admitem um corretivo , mesmo que ligeiro, aos futuros einsteins (como diria ao outro…) que amorosamente vão ensebando…

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