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Dar voz aos alunos

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Se os professores e o pessoal não docente são consultados institucionalmente pelos sindicatos que os representam, sobretudo no que se refere às relações laborais ou em matérias da competência das diversas associações (profissionais…), já os alunos manifestam falta de auscultação por parte da tutela, em assuntos que lhes dizem diretamente respeito.

As escolas vão colmatando esta falha pois, frequentemente, os diretores reúnem em assembleia com os delegados de turma (algumas vezes no contexto do Parlamento Jovem) e com as associações de estudantes, relativamente a assuntos escolares para os quais a sua ação tem competência, resolvendo grande parte dos problemas ao considerar as opiniões e sugestões de quem conhece bem a sua escola: os alunos.

É, justamente, por esta razão que realço a iniciativa do Ministério da Educação que, no âmbito do Currículo para o Século XXI, decidiu ouvir os alunos do 1.º ao 12.º ano, durante uma conferência onde estiveram presentes dezenas de discentes interessados em opinar sobre matérias fulcrais do seu quotidiano, como seja, currículo orientado para o essencial, desenvolvimento do espírito crítico, espaço de debate para a educação formal e não formal, o currículo e a matriz direcionada para a cidadania.

Foram apontadas algumas soluções para favorecer o processo ensino-aprendizagem e preparar melhor o aluno para a vida ativa: redução da carga horária (quer dos alunos, quer dos professores), flexibilização curricular, redução de alguns conteúdos para aprofundar outros de maior relevância, alteração das metodologias tradicionais, articulação vertical e horizontal entre as diversas áreas curriculares (espaços de debate alargado, assembleias-gerais de alunos, visitas de estudo, trabalho experimental, trabalho de pesquisa individual ou em grupo…), interdisciplinaridade e exploração de temas transversais; desta forma, alguns dos constrangimentos indicados pelos participantes seriam menos visíveis, indicando-se como exemplos: sobrevalorização dos testes, excessiva carga horária, áreas muito específicas e fechadas, pouca importância dada à relação professor/aluno imprescindível para um clima de abertura, sentido crítico, iniciativas empreendedoras, primando por uma constante e salutar interação entre si.

Aulas mais práticas e com recurso às novas tecnologias (tablet, telemóveis…), turmas mais pequenas, algumas tardes livres, aulas de 60 minutos, intervalos maiores, conteúdos mais apelativos que os preparem para o futuro, participação em projetos fora do tempo escolar, aprendizagem de língua gestual, inserção de áreas diversificadas tais como robótica, xadrez, teatro, poesia, dança… são algumas das características do ensino e das escolas do futuro.

Para isso, pedem professores simpáticos, motivados, criativos, bem preparados, talentosos, exigentes, compreensivos, empáticos, perseverantes, capazes de abordar temáticas para além do currículo e que “nunca desistam dos seus alunos, mesmo que isso seja difícil”. Na verdade, pretendem superprofessores, aqueles que todos os dias estão ao seu lado.

A visão dos alunos nunca deve ser menosprezada, antes valorizada e, simultaneamente, complementada com atitudes do poder governamental indiciadoras da aposta que, de uma vez por todas, estamos à espera: descongelamento das carreiras, diminuição do número de alunos por turma, atribuição às escolas do número suficiente de funcionários… enfim, tudo a que têm direito.

Saibam, caros alunos, que devem continuar a estudar e a esforçar-se, cientes de que a pedra basilar é o trabalho. Os professores estão ao vosso lado!

As famílias devem reconhecer que a escola é um lugar de aprendizagem e de construção do vosso futuro. Devem estar sempre ao lado dos professores, que tudo fazem para que os alunos atinjam os seus objetivos. Estão também na escola pública os professores mais bem preparados, mais habilitados e mais experientes… dos melhores!

Com as opiniões de todos, as decisões que se tomarem só podem ser positivas, nunca colocando qualquer interesse acima do cerne da educação: o aluno.

Filinto Lima

Professor/Diretor

In Jornal de Notícias

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