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“Daqui a nada meto um 102º só para conseguir preparar as minhas aulas”

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Quem é professor percebeu rapidamente a “piada”, para quem não é professor, passo a explicar.

O artigo 102º permite a um professor faltar (de forma limitada esclarece-se) quando surge um imprevisto, descontando posteriormente nas suas férias.

Um amigo em conversa desabafava que o trabalho tem sido tão intenso nestas duas semanas de aulas que ainda não conseguiu parar, refletir, analisar e preparar as suas aulas.

Sei que este ano é atípico, mas não é apenas este ano, pois não? São todos os anos…

Falta a defesa intransigente do TEMPO para o professor refletir, estudar e preparar com calma as suas aulas. É tudo a correr, sustentado no amor à camisola que obriga a trabalhar noite dentro.

É preciso respeitar a componente individual, é preciso respeitar que o professor também precisa de ser pai, mãe, mulher, marido, irmão, etc. Há anos que afirmo que o professor precisa de estar equilibrado emocionalmente para ser um melhor professor…

O tema não é novo, é recorrente e é isso que mais chateia, tornou-se “normal”, mas isto não é nada normal, nada mesmo…

3 COMMENTS

  1. Desculpem, mas não é piada. Só agora! ao tempo que os professores fazem isso, principalmente nas disciplinas teóricas, fora as noites em branco e as insónias causadas pelo desajuste das horas de sono. Claro que estas disciplinas não são padrão de nada e andam a toque de caixa das disciplinas práticas. Ser professor hoje mede-se pela profusão de papéis que se inventam para os outros preencherem, como forma de empalhar o tempo e picar o ponto, não vão os outros trabalhadores dizer que os professores estão de férias o tempo todo. O “bom” professor mede-se pelo seu grau de alienação e pelas horas inúteis e improdutivas que ocupa na escola. É a forma de eclipsar a nobreza da nossa profissão, cujo trabalho deveria consistir apenas em aprender e ensinar. Quem não tem tempo nem energia para aprender o que tem para ensinar?
    Claro que a aprendizagem dos professores deve resumir-se à licenciatura, Ufa! ufa! desta já me livrei e aos cursos creditados para passar de escalão.
    É esta escola pública residual que nos vai entregar de mão beijada nos braços do Chega, à imagem do que acontece no Brasil, EU e em moldes mais refinados na Inglaterra.

  2. A denúncia é velha. A escola morreu, como anunciou José Gil em Serralves, no consulado de Maria de Lurdes Rodrigues.
    A escola é um ambiente hostil para professores (quantos se reformariam se pudessem?) e alunos (as estatísticas dizem que não gostam da escola)!
    Manter a sanidade mental é o desafio de todos os dias, há muito. Este ano, será mais difícil ainda.
    Dada a situação e a indiferença de quem pode, só se pode concluir que ensinar não é uma prioridade, apesar do discurso obsessivo sobre a promoção do sucesso escolar!
    Sofrem, e muito, os professores que o querem ser! Só resta uma estratégia para atravessar o quotidiano, um dia de cada vez…

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