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segmentaçãoFinalmente e depois de abordar a mediação pedagógica e os dispositivos tecnológicos enquanto suportes às dimensões sociais do saber escolar, um último apontamento sobre os processos de diferenciação.

Começo por ser aquilo que habitualmente gosto de ser, provocador. Provocador no sentido de tornar algo indistinto o que são os processos de diferenciação. Nesse contexto algumas notas que não me canso de repetir.

A escola tem como um dos seus objetivos a uniformização e a homogeneização de quem a frequenta. Daí não virá mal ao mundo se entendermos e situarmos historicamente esses processos no contexto de uma língua e de uma cultura e, em particular, quando os tempos eram unos e uniformes, lentos e estandardizados. Mas a escola tem também com um dos seus objetivos e  suprema contradição ensinar para a autonomia (pessoal e social) desde que enquadrado nas regras e nos padrões de uma norma social (que é também escolar e política).

Ora considero que os tempos não são nem uniformes, nem tendem para a homogeneização, como educar para a autonomia pressupõe romper com as regras e os critérios ditos normais.

Hoje não temos uma cultura, mas culturas. Hoje o politicamente correto é considerar as minorias enquanto elementos de afirmação e diferenciação, sejam elas de credo, cor da pele ou sexuais para já não falar em étnicas ou sociais.

Contudo, a escola nos seus preceitos para básicos continua e persiste em se organizar de modo a ensinar a muitos como se de um só se tratasse e a atirar para as suas margens (cada vez mais frequentadas, diga-se) os que nela não se enquadram. Os conteúdos (currículo, programas, metas, ou o que seja) continuam a ir no sentido da preservação e conservação das lógicas instituídas (de uma pretensa normalidade) e a escola, por dificuldades de diferenciação e segmentação continua a penalizar os que aí não se enquadram. As dinâmicas de aula e de organização escolar e pedagógica continuam a insistir em processos de subserviência, acatamento de cumprimento sem respaldes das normas, indicações ou determinações dos docentes. Insiste-se quando não mesmo se afirmam processos de menorização do aluno, que todos recusam a ver como objeto mas que poucos (muito poucos) assumem como sujeito.

Por muito incrível que possa parecer a alguns são estas mesmas caraterísticas organizacionais e pedagógicas da escola que fomentam as situações de indisciplina. É a recusa de inserção de uma pessoa nas correntes dominantes (no chamado mainstream) que provoca fricção e tensão tanto na sala de aula, como na escola. É a afirmação pessoal e individual das minorias pela sua voz e na procura do seu espaço que provoca o desalinhar das rotinas e a recusa dos procedimentos instituídos, dando origem a procedimentos disciplinares, à procura das conformidades.

Neste contexto e para encerrar uma sequela de escrita, considero que tanto o docente, se assumido enquanto mediador e não mero (re)transmissor de conteúdos e informação e os dispositivos tecnológicos podem ser elementos essenciais, senão mesmo fundamentais, ao respeito pela diversidades, a garantir e assegurar o respeito pelas minorias.

A definição de processos de mediação escolar, conjugados com a mobilização de dispositivos tecnológicos (desde o simples correio eletrónico às plataformas de rede) podem assegurar a implementação de processos de diferenciação escolar e social, pedagógica e individual.

A escola vive, no início deste século XXI, na contradição que criou e que está na base do seu sucesso, a uniformização cultural. Ela mesma, nos seus processos de organização deverá garantir o seu próprio futuro mediante a integração das tecnologias para garantir o que sempre teve como objetivo, om respeito e a integração cultural. Agora não numa cultura mas em todas aquelas que um dado contexto possa ter e suportar.

Os dispositivos tecnológicos, o software como destaquei há uma semana atrás, se orientados para a partilha e organização, juntamente com o papel de mediador do docente, poderão ser elementos essenciais na gestão dos comportamentos, no contrariar a indisciplina.

Manuel Dinis P: Cabeça

21 março, 2016

boa primavera

2 COMMENTS

    • a questão, caro antónio, é que não há soluções de fundo, apenas a corrida (escolar e pedagógica) é de fundo, todas as soluções, todas as propostas, todas as ideias são sempre limitadas, circunscritas, com data de validade, o desafio é experimentar e mudar e avaliar e recomeçar tudo de novo
      obrigado irei seguir

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