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Cuspir para o chão, está a dar e não só.

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Temos regredido descomedidamente na forma selvagem como nos comportamos, em casa, em família, no trabalho, na rua, em todo e qualquer local.

portugal-cuspirSe notarmos voltou a ser tão usual – tinha deixado de o ser – vermos pessoas na rua a cuspir para o chão, e sem o mínimo de cuidado se o que lhes sai da boca não irá acertar no transeunte que vem atrás, ou até ao lado. E, este é um dos muitos exemplos em como estamos “numa” de nada respeitar, de nos comportarmos de forma muito pouco civilizada.

Valerá, talvez, e se o conseguirmos, dado não estar fácil, pensar como tantos nossos iguais passeiam os seus cães de estimação que defecam nos passeios, deixando lá o cocó, que se não tivermos cuidado calcaremos. Tal como o “cuspo” do senhor anterior, são mais eles que elas, neste caso do “cuspo”, cães já é o contrário.

Os jardins verdes que poderiam – deveriam – ser espaços para as crianças brincarem, e até os velhos – raça a abater! – estarem e passearem, é um antro de cocó de cães, ditos de estimação. Num tempo em que tantos estes, são muito mais estimados, que as Pessoas, mormente seus familiares, seus velhos, que raio, que nunca mais morrem. Tudo isto demasiado normal. Demasiado usual.

A forma como cada um berra em lugares públicos, independentemente da idade, para falar, falar e todos que por perto estão, incomodar, é o uso e costume. Bem como tantos que falam ao telemóvel sem colocar a mão na frente obrigando todos a termos que os ouvir. Ou, como agora “pegou em moda, em velhos e novos” que é colocar o aparelho em alta voz, e já nem sequer o encostar ao ouvido, para não danificar as ondas cerebrais, e sem pretendermos estamos a “ter” que ouvir, a conversinha toda do que está a berrar do outro lado e do que está ao nosso lado, que nem sabemos nem queremos saber quem são.

Estes, são alguns dos comportamentos, que trespassam todas as idades, que estão a “dar”, e sem sequer nos querermos aqui e agora, lembrar como se conduz neste país, que mais parece que ninguém fez exame de condução para estar habilitado a conduzir – na Índia conduz-se melhor que em Portugal, há mais respeito na desordem – , dado que vale tudo em permanência, menos respeitar as normas de trânsito, para implicitamente  nos respeitarmos, e, respeitar o outro.

Estamos todos excessivamente selvagens e agressivos. Estamos todos, a não nos respeitarmos e muito menos o “outro”. E sem termos pressa, temos que não ter paciência de esperar, temos que passar à frente, temos que estar mal-dispostos, e obrigar os outros a sê-lo, para não sermos “comidos” por lorpas, ou esmagados por bom comportamento.

Talvez houvesse necessidade de todos nos aquietarmos, de todos estarmos um pouco menos agressivos, menos virados sobre nós mesmos, e tentar não cuspir para o chão, para amanhã não cuspir directamente na cara do outro, não atirar o papel para o chão com uma papeleira próxima.

Temos que readquirir algumas normas de boa conivência e convivência entre nós. Para termos espaço e melhor qualidade de vida, ou não! E se não, seremos um autêntico Jardim Zoológico, onde seremos nós os animais, para sermos visitados por outros mais civilizados, terrestres ou extra-terrestres.

Augusto Küttner de Magalhães

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