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Cursos vocacionais. Baralhar e voltar a dar…

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baralharEm apenas alguns dias do novo Governo, podemos concluir que a politica reformista irá manter-se em força na educação. Hoje faz capa no DN, que o PS arrasa a aposta educativa do anterior governo, referindo-se aos cursos vocacionais do 2º e 3º ciclo. E este é um dos principais problemas da Educação em Portugal – as constantes correntes educativas – fruto das diferentes ideologias políticas. Não vou cantar vitória, pois apesar de reconhecer que o modelo atual não vai ao encontro das necessidades do sistema, como referi neste breve texto Vocacional ou esfregona vileda? e num testemunho do que é ser DT de um vocacional, o ensino vocacional também tem vantagens, a principal, a forma como funciona como um filtro, “protegendo” as restantes turmas.

De forma sintética, podemos tipificar os alunos em 3 áreas:

1º os ditos “normais”;

2º os alunos que apresentam dificuldades cognitivas significativas;

3º os alunos que além das dificuldades cognitivas apresentam comportamentos desviantes.

Para os primeiros, o ensino tradicional é a resposta, apesar de também este precisar de alguns ajustes… Checked!

Para os segundos, o ensino regular durante todo o ensino básico é suficiente. Desde que as escolas sejam dotadas dos recursos necessários para dar um apoio direcionado e continuado. Posteriormente, a via profissionalizante permitirá a esses alunos adquirir os princípios básicos de uma profissão, ingressando de seguida no mercado de trabalho. Checked!

Os terceiros, aqueles que apresentam graves problemas de comportamento, precisam de uma alternativa que vá ao encontro das suas características. Not checked!

Eles existem, são cidadãos deste país e não podemos nem devemos ignorá-los. A opção que consta na notícia, de colocá-los no ensino regular, vai apenas condená-los ao insucesso, criando ondas de choque pelas restantes turmas. O modelo vocacional, apesar de ter graves problemas, como a elevada carga letiva e dimensão das turmas, o excesso de disciplinas de caráter teórico e um modelo que potencia não só incumprimento, mas também a irresponsabilidade, em virtude da não retenção no 1º ano do curso e as sucessivas segundas e terceiras oportunidades para quem se balda não atinge os objetivos. Apesar de tudo isso, tem permitido um avanço, muito graças à elevada capacidade de sofrimento dos professores.

Mas o verdadeiro problema, é que continuamos a tentar apagar o incêndio em vez de apostar na sua prevenção. O problema não está na escola, o problema está em casa. Nenhum curso, por mais bem estruturado que seja pode substituir os pais, e essa é a questão central. O problema é estrutural, o problema é cultural, e vai demorar uma/duas gerações a ser resolvido e se for resolvido… Tentar colocar alunos numa sala de aula que não têm a mínima noção do “saber estar”, é como e desculpem a comparação, colocar animais selvagens numa jaula e tentar ensinar-lhes a ler e a escrever. Não faz qualquer sentido…

Haja bom-senso!

 

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