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Currículos, o que é realmente importante?

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Os programas escolares vão sofrer alterações. Há muito que se ouve falar do assunto mas a realidade continua a mesma. Se é para fazer mudanças que sejam de fundo e que apresentem alguma lógica final. As operações estéticas têm várias finalidades mas, acima de tudo, são para melhorar. Até ao momento tudo tem sido camuflado, com uma maquilhagem que nem sempre funciona. Quase nunca.

Desde o início, o 1º ciclo, que se tem estragado aquilo que já se fazia com algum rigor e bons resultados. As crianças necessitam de entender, de perceber que a escola é para seu benefício e não para serem martirizadas. Os conhecimentos são úteis e positivos, servem para usar numa vida prática. Uma criança que termina o 4º ano devia estar apta a, pelo menos, saber fazer um troco mas tal não está a acontecer. É tudo tão teórico e tão repleto de distracções que aquilo que importa, passa-lhes ao lado.
O efeito bola de neve vai continuando e dispara até níveis elevadíssimos! Não gostam porque não percebem que estamos a falar de coisas reais. Na falta do livro de História, para responder a umas perguntas do caderno de actividades, dei um outro livro a um dos meus meninos. Disse-me que não era igual ao dele mas que contava as mesmas histórias. É isto que acontece. O passado, o que aconteceu é uma mera fantasia para aquelas cabeças.
Como é óbvio os alunos ainda não interiorizaram que básico quer dizer mesmo isso: o mínimo necessário para ser usado no futuro, no que for necessário. Consideram tudo desnecessário e normalmente encontram aliados nos seus progenitores. Esta atitude não é a mais adequada e sentindo-se de costas quentes, a situação entra em colapso.
No domingo, numa esplanada, estavam uma filha e um pai. Ela estudava Geografia e ele lia. Quando e rapariga fechou o livro o pai quis saber se tinha estudado tudo. Ela, muito calma, explicou tudo o que tinha lido e bem. O pai, perdido na sua ignorância, folheava o livro e escorregava em todas as armadilhas. Ela ensinava-o e ele, meio desconfiado, virava as páginas como se elas lhe segredassem ao ouvido. No fim pisquei o olho à miúda e ela sorriu.
Este episódio é muito significativo. Havia bastante interesse, de ambas as partes, funcionando de modo curioso. A filha perguntava ao pai e elucidava-o quando ele se engasgava. Não saber a diferença entre cheia e inundação pode não ser grave para o pai mas a natureza tem os seus próprios desígnios e esses devem ser apreendidos. Aluna atenta.
No secundário começam as dores de barriga a sério. Pensam que estão todos contra eles mas a verdade é aqui que começa a sua profissionalização, o seu estado semi adulto. Não se lembram de muitas matérias ou não as aprenderam porque decidiram que não faziam falta. Errado. Tudo é importante. A vida não tem manual de instruções e muito menos soluções para dar a resolução adequada aos problemas encontrados.
Na minha opinião, e este artigo é isso mesmo, uma opinião pessoal, os currículos das respectivas  áreas estão mal estruturados, sobretudo no que toca à matemática. Demasiada geometria para quem precisa de aplicar a álgebra e uma total ausência de funcionalidade na distribuição dos temas. Um aluno da área económica devia aprender matemática aplicada a casos concretos. O que se passa é que os alunos de Humanidades ficam melhor preparados para a realidade prática.
Para quem anda distraído, um aluno que tenha a disciplina de MACS, aprende a preencher o IRS, como se calculam os descontos para a Segurança Social, o IMI, ou seja, aquilo a que se chama impostos. Um aluno de Economia calcula a distância ente dois pontos, indica o declive da recta e descodifica a trigonometria, entre outros exemplos. Não se percebe o desfazamento com a realidade.
Querem dar mais ênfase às Ciências Sociais. Totalmente de acordo. É que, como vivemos numa sociedade, é capaz de ser boa ideia que se lembrem que somos humanos e que não somos nem bonecos e muito menos robots. Resta saber em que moldes vão ser leccionadas essas disciplinas e por quem. É preciso saber conquistar o aluno, lembrar-lhe que vive neste mundo e é aqui que acontecem as realidades sociais totais.
Espero é que, com tantas inovações, não se esqueçam do que é verdadeiramente importante, que é a vida como ela é. O Português, a língua que falamos, a nossa herança recebida dos antepassados, do grande Camões, não fique descurada nem maltratada. Isso é que seria bué da mau e era uma cena do tipo foleiro, tás a ver? Ia!
Margarida Vale

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