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Creches A Régua E Esquadro

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Acredito (sei) que a DGS tem a melhor das intenções. Acredito, inclusivamente, que saiba que os modelos matemáticos importantes para criar relações neste vírus não conseguem ser aplicados em vários modelos sob a pena de cortar relações. Acredito que algumas medidas foram pensadas dentro de um quadrado analítico de prevenção, mas há sítios onde os quadrados não se regem pelo número exato de lados e forma, mas são antes uma casa, uma poça, um castelo. Dos 0 aos 3 anos os quadrados não têm limites.

O vínculo emocional, os abraços a partilha são ponto assente (devem ser), mesmo que figurativos, no sistema de ensino. Nos primeiros anos de vida são o pilar onde assenta toda a educação. A DGS sabe disto, tem de saber e está a fazer o seu papel. Um papel que tem de ser adaptado a uma realidade excecional. Todos sabemos os pontos praticamente irreais do plano de retorno às creches e também sabemos que na impossibilidade de se concretizarem colocam educadores e crianças num limbo de fragilidade e de desafio incomparável. A todos colocou.

O plano traçado, que será reavaliado quinzenalmente, é conhecido e entendido como forma de reabrir a economia. Há mais mortes (também figurativas) para além das causadas pela Covid 19. Tendo sido opção reabrir creches e jardins de infância e sabendo que terá de ser num regime verdadeiramente excecional não poderemos trabalhar num critério de opostos. Não poderá existir o mesmo contacto (tão necessário) assim como não poderão ser implementadas determinadas medidas que impliquem distâncias irreais e não partilha de objetos. Todos fizemos concessões nas nossas relações neste período e dentro deste campo, os pólos devem ser ouvidos num processo de construção. Perceber o que pode ser exequível dentro do tempo em que vivemos minimizando todos os riscos, quer seja a reabertura em moldes muito específicos com consequências que poderão ser inevitáveis ou o seu adiamento.

Não pode haver bodes expiatórios e um atirar de pedras indiscriminadamente. É dever de todos o comprometimento de procura de soluções, sem soberba e sem diletantismo, assumindo que durante um período de tempo as vidas, com ou sem confinamento, estão ainda suspensas, com poucas partilhas e, em muitos casos, a bem mais de dois metros.

Maria João Almeida

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