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Covid-19. Professores transformaram-se em “autênticos doutores em informática”

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A maioria dos professores nasceu há mais de meio século, num tempo em que os computadores eram utensílios raros, mas a pandemia de Covid-19 obrigou-os a dar aulas à distância e muitos transformaram-se em “autênticos doutores em informática”.

Mais de um milhão de alunos trocaram, em março, as aulas presenciais pelo ensino à distância e muitos docentes tiveram de se habituar às tecnologias. O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, lembrou que o uso de material digital nas aulas era já uma prática comum, mas passar a ensinar através de um ecrã revelou-se um desafio e esta foi uma aventura positiva.

A passagem da sala de aula para o virtual aconteceu em apenas quatro dias. Uma mudança que alterou o dia-a-dia dos quase cem mil docentes que trabalham nas escolas, sendo que a maioria tem mais de 50 anos, segundo dados do Conselho Nacional de Educação divulgados no mês passado.

O presidente da ANDAEP, que é também diretor de um agrupamento de Vila Nova de Gaia, desmistificou a ideia de que a idade avançada dos docentes podia ser um entrave ao uso das novas tecnologias.

“Os professores não prescindem de usar material digital nas suas aulas. Muitos que não eram adeptos do online, até um pouco avessos a estes instrumentos, tiveram que arrepiar caminho e hoje são autênticos doutores em informática”, explicou.

A ideia foi corroborada pelo diretor do agrupamento de escolas de Barcelos, Jorge Saleiro. Embora 52,9% dos docentes tenha pelo menos 50 anos “a idade não foi obstáculo” e “todos deram uma resposta profissional exemplar”, reforçou.

Também Jorge Rio Cardoso, professor universitário e autor de obras sobre educação, fez um balanço positivo da resposta da classe docente ao ensino à distância, referindo que “os professores mais velhos, que tinham pânico em relação às tecnologias, se adaptaram bastante bem para aquilo que era expectável. Hoje em dia até estão entusiasmados”.

Mas nem tudo correu bem. Apesar da motivação, o esforço “teve um impacto financeiro não compensado” e implicou “uma sobrecarga enorme de trabalho, que não foi reconhecida pelo Ministério”, defendeu o presidente da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva.

Sem formação prévia sobre ensino à distância, os docentes tiveram de lidar com situações variadas, desde alunos que se mantinham toda a aula com a câmara desligada a estudantes que invadiam a sala de aula virtual para destabilizar a turma.

Jorge Rio Cardoso olha para as situações de indisciplina no ensino à distância como “malandrices” que continuam a existir e dá como exemplo “o tal houve falha de Internet e o aluno desliga a câmara e vai dar uma volta”.

O empenho dos docentes é também aplaudido pelo psicólogo, Eduardo Sá, que os considera “uma peça única” na sociedade, pois deram um exemplo “inacreditável” durante a pandemia: “Fizeram uma coisa que mais nenhuma profissão fez como dar aulas num pinhal qualquer para terem sinal de rede e chegarem aos seus alunos”, recordou.

Fonte: Observador

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