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Covid-19: Escolas não estão a contribuir para o aumento de surtos em Espanha

Ao fim de três semanas de aulas, um estudo da Universidade Politécnica da Catalunha, entregue na Comissão Europeia, descarta que o regresso à escola tenha contribuído para o aumento do número de infeções de SARS-CoV-2 no país.

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Ao fim de três semanas de aulas, um estudo da Universidade Politécnica da Catalunha, entregue na Comissão Europeia, descarta que o regresso à escola tenha contribuído para o aumento do número de infeções de SARS-CoV-2 no país.


As três primeiras semanas de aulas não tiveram um impacto significativo na evolução da pandemia em Espanha, conclui um relatório entregue na Comissão Europeia pelo grupo de Biologia Computacional e Sistemas Complexos da Universidade Politécnica da Catalunha.

“Se as escolas tivessem funcionado como amplificadores de infeções, já seria observável o seu impacto na incidência global”, uma vez que já foi ultrapassado o período de duas semanas que é usado como indicador da fase de incubação da doença, lê-se no documento.

A investigação analisou os dados relativos à Andaluzia, Catalunha, Madrid, Comunidade Valenciana e Castela e Leão, que representam mais de 60% da população escolar espanhola.

“É importante ressalvar que se trata de uma primeira análise e que tudo pode mudar. Mas o que vemos é que a abertura das escolas em si não mudou significativamente as tendências. Nas comunidades onde a incidência aumentava, ela continuou a crescer na mesma proporção, e as que vinham diminuindo continuaram a decrescer”, afirma a física Clara Prats, uma das autoras do relatório, ao jornal El País. “Pode haver uma mudança mais sutil que veremos nas próximas semanas mas, por enquanto, esta é a fotografia”, acrescentou.

 É importante ressalvar que se trata de uma primeira análise e que tudo pode mudar. Mas o que vemos é que a abertura das escolas em si não mudou significativamente as tendências

CLATA PRATS, COAUTORA DO ESTUDO REABERTURA DAS ESCOLAS EM TEMPOS DE PANDEMIA

Os resultados devem ser interpretados com cautela não só por se referirem a um curto período de tempo, mas também por terem coincidido com semanas de bom tempo, o que facilitou, por exemplo, o arejamento das salas de aula.

Realidades diferentes

O estudo Reabertura das Escolas em Tempos de Pandemia analisa a evolução da pandemia ao longo do mês de setembro. Além de contabilizar o número de casos por 100 mil habitantes em cada semana, também avalia a variação das infeções na população entre os zero e os 18 anos.

Durante o período analisado, houve um ligeiro aumento do número de casos entre a população em idade escolar da Andaluzia e da Catalunha – cerca de três pontos percentuais – que os investigadores acreditam dever-se a um “maior esforço de diagnóstico” após o início das aulas.

Na Comunidade Valenciana (que realiza testes de diagnóstico PCR a todas as pessoas que contactem com um caso positivo) verificou-se uma ligeira queda das infeções – cerca de um ponto percentual – junto dos menores de 18 anos.

Já em Castela e Leão a situação é mais preocupante. As infeções na faixa etária entre os zero e os 9 anos aumentaram dez pontos percentuais, representando 22,8% do total de infetados. De acordo com os investigadores, tal pode dever-se à subida das infeções nas escolas desta região, mas também ao aumento dos testes de diagnóstico ou o subdiagnóstico de outros grupos.

As autoridades da Educação de Castela e Leão detetaram 173 infeções de estudantes desde o início das aulas. E garantem que raramente foram encontradas cadeias de transmissão nas escolas.

A análise por faixa etária só inclui os territórios de Andaluzia, Catalunha, Comunidade Valenciana e Castela e Leão, os únicos que dispõem de dados desagregados. Como tal, Madrid só foi incluída na primeira parte do relatório, que analisa a evolução geral da epidemia no território desde o início das aulas.

Apesar de Castela e Leão exigir mais atenção, os investigadores consideram que se registou uma baixa transmissão da Covid-19 nas escolas. E apontam algumas razões para isso, como as medidas de prevenção aplicadas nas escolas, (em tudo semelhantes às de Portugal, como o uso de máscara e o distanciamento físico), mas também a probabilidade de as crianças terem uma menor capacidade de infetar os outros.

Esta quarta-feira, 7, a Direção-Geral da Saúde deu conta de 23 surtos de Covid-19 em escolas portuguesas.

Já na Catalunha, de acordo com os dados recolhidos nas duas primeiras semanas de aulas, 87% dos primeiros casos detetados (a partir dos quais se procura estabelecer a cadeia de transmissão) não geraram mais nenhum caso na mesma turma, o que pode ser indicativo de se terem infetado fora da escola. Apenas foi identificada mais uma infeção na escola em 7% dos casos (mais duas em 4% e mais três em 1%).

Os investigadores não avançam explicações para o facto de haver tão poucas infeções e de as correntes de transmissão serem tão curtas, mas destacam a eficácia de medidas como a obrigatoriedade de professores e alunos, a partir dos seis anos (em Portugal é a partir dos 10), usarem máscara o dia todo, exceto para comer.

Esta quarta-feira, 7, a Direção-Geral da Saúde deu conta de 23 surtos de Covid-19 em escolas portuguesas. Sete em escolas localizadas na região Norte, três no Centro, doze em Lisboa e Vale do Tejo e um no Algarve. Estes surtos envolvem 136 pessoas infetadas, mas não foi revelado o número de pessoas em isolamento.

De acordo com a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, ainda não é claro o impacto da reabertura das escolas na evolução da pandemia, mas “não parece ser grande”. Até ao momento, a transmissão parece estar a acontecer, sobretudo, dos familiares para as crianças e entre os funcionários escolares e não entre alunos.

Fonte: Visão

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