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Covid-19: António Costa alerta que o país vai entrar “numa fase crítica”

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O primeiro-ministro alertou hoje que o país vai entrar “numa fase crítica” devido à mudança de estação, início do ano letivo e recomeço de muitas atividades, apelando ao cumprimento das regras para controlar a pandemia.

“Vamos estar num momento crítico porque vai aumentar o número de pessoas em atividade, depois do regresso das férias, vamos entrar no outono e as aulas vão recomeçar, logo necessariamente o risco de contágio vai aumentar”, disse António Costa.

O chefe do Governo falava aos jornalistas à entrada da reunião sobre a evolução da covid-19 em Portugal que junta peritos, políticos e parceiros sociais e que decorre esta tarde, no Porto, com transmissão aberta das intervenções iniciais dos técnicos.

O encontro junta o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, líderes partidários, patronais e sindicais.

Esta reunião ganha “grande importância” no atual momento porque, considerou Costa, na fase em o país está é fundamental ouvir de novo os especialistas, não só sobre o atual ponto da situação, mas sobre o que se passa no conjunto da Europa e porque razão mais cedo do que muitos esperavam há um aumento significativo dos casos.

“É um bom momento para relembrarmos a todas e a todos que, até haver uma vacina, a pandemia não passou e é essencial manter todos os cuidados, desde uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social”, referiu.

O primeiro-ministro lembrou que se todos cumprirem as regras consegue-se controlar o aumento substancial da pandemia, o que é essencial para que não haja uma sobrecarga excessiva dos serviços de saúde.

É fundamental manter a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS), sublinhando que o Governo tem vindo a reforçar essa mesma resposta.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 889.498 mortos e infetou mais de 27,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.843 pessoas das 60.507 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Fonte: LUSA


Fonte: Jornal I


Peritos apontam trajetória “em crescendo” desde meados de agosto

aria João Brito, do Hospital Dona Estefânia, falou da covid-19 nas crianças e deixou um apelo: “Não metam as crianças dos zero aos 22 anos todas na mesma amostra”. Ou seja, os diferentes níveis de ensino, da creche ao pré-escolar, o ensino básico, secundário e superior não devem ser tomados como um todo (por exemplo no encerramento das escolas) dado que estas faixas etárias apresentam comportamentos diferentes face ao vírus.

“Nas crianças muito pequenas a taxa de transmissão é menor”, referiu a pediatra, citando um estudo realizado na Coreia do Sul, que apontou para uma transmissão “limitada” por parte das crianças – “a transmissão secundária não é frequente na pediatria”.

“Habitualmente não são as crianças que infetam os adultos dentro de casa”, mas o inverso, acrescentou, sublinhando que estas conclusões “podem ser reconfortantes nas decisões sobre a reabertura das escolas”.

Rui Santos Ivo, presidente do Infarmed, avançou que há atualmente 176 vacinas em desenvolvimento, das quais 33 estão em fase de avaliação clínica (ou seja, já estão a ser testadas em pessoas) e oito estão na última fase de testes, antes de serem apresentadas às autoridades de saúde. O responsável do Infarmed garantiu que nenhuma vacina será disponibilizada às populações sem ser sujeita a uma avaliação de segurança e eficácia.

Agosto aponta para “trajetória em crescendo”

Pedro Pinto Leite, especialista em Saúde Pública da Direção-Geral de Saúde, abriu a intervenção dos técnicos, debruçando-se sobre o período entre 17 e 30 de agosto, em que se registaram 3909 casos positivos. “Tem-se observado aquilo que parece ser uma trajetória em crescendo”, afirmou. Lisboa e Vale do Tejo foi a região com maior incidência (56% dos casos), seguida pelo norte (31%). 64% dos infetados tinha menos de 50 anos.

Quase metade dos infetados neste período (49%) disse ter tido contacto com a covid em ambiente familiar e 16% em contexto laboral.

Sobre os óbitos, Pedro Pinto Leite sublinhou que a maior parte das mortes se concentra na fase inicial da pandemia. Num total de 1822 mortes, 67% ocorreram na faixa etária acima dos 80 anos e 28% na faixa etária entre os 70 e os 79 anos. “A 30 de agosto, a letalidade nacional estima-se em 3,1% e deve-se principalmente ao grupo com 80 ou mais anos e ao grupo 70-79 anos”, rematou.

O especialista da DGS defendeu um reforço das medidas preventivas, não farmacológicas, para evitar o contágio – “o distanciamento físico, a higienização das mãos, o uso de máscaras ou outros equipamentos de proteção individual, o arejamento de espaços, evitar tocar com as mãos nos olhos, no nariz e na boca, e a desinfeção dos locais. Todas devem ser reforçadas, especialmente no grupo de 80 ou mais anos, cuja incidência está acima das restantes idades, como no grupo de 20-29 anos, que lidera estas incidências”.

Ausenda Machado, do Instituto Nacional de Saúde dr. Ricardo Jorge (INSA), que falou a seguir, sublinhou que desde junho têm sido feitos mais de 80 mil testes de diagnóstico à covid por semana, identificando um “aumento da proporção de positivos” nas últimas semanas, o que está em linha com a evolução epidémica.

A especialista adiantou também que “o tempo mediano entre o início de sintomas e a notificação – que permite ter uma ideia do número de dias em que indivíduos infecciosos estão na comunidade – passou de 11 dias em março para quatro dias no final de abril, tendo-se mantido nesse valor desde então”. Uma alteração que atribuiu a um “grande esforço” das equipas de saúde pública.

Estes encontros estão a ser retomados esta segunda-feira, depois de terem sido interrompidos há cerca de dois meses. A reunião está a ser transmitida em direto no canal de YouTube do Governo.

Na plateia, a ouvir as explicações dos especialistas, que estão agora a iniciar-se, estão o Presidente da República, o primeiro-ministro, o presidente da Assembleia da República, a ministra da Saúde e o titular da Educação, deputados dos partidos com representação parlamentar, além de representantes dos parceiros sociais – sindicatos e confederações patronais.

Fonte: DN

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