Home Rubricas Costa Inclinou-se Para A Prioridade Aos Exames.

Costa Inclinou-se Para A Prioridade Aos Exames.

24
0

No dia 9 de abril o governo decidiu como vai ser o ano letivo, aulas na RTM Memória até ao 3º ciclo, sem exames e provas de aferição, e aulas presenciais para para o secundário, em data a definir, com uma alteração na forma dos exames onde passa a ser possível escolher questões para obviar a matérias que tenham sido pouco aprofundadas ou mesmo não dadas.

O meu comentário a estas medidas é que os exames são uma prioridade educativa para este governo. Reconheço que os exames são um fator de equilíbrio entre as várias escolas com vista a seriar os alunos no acesso à universidade, aliás opinião que partilho com Santana Castilho conforme o expressou esta manhã num dos canais televisivos.

Mas, aqui não posso deixar de salientar uma certa esquizofrenia entre esta opção e  o perfil do aluno, as medidas universais e a autonomia pedagógica, pois se os exames são importantes para uniformizar, as outras medidas vão no sentido de personalizar o aluno e tirar dele uma competência específica ou adaptar o ensino ao seu ritmo de aprendizagem. Exemplifico um aluno com jeito para a música, um dos perfis previstos no fim do secundário não precisa dos exames para o seu futuro.

Depois, quero salientar que ao contrário de outros países europeus que deixaram cair os exames e recomeçam a escola pelas idades inferiores, a relevância dada aos exames fez o governo começar pelos mais velhos, os do secundário. Julgo que os outros governos dão prioridade à economia e assim faz todo o sentido tomar conta dos mais novos para os pais poderem regressar ao trabalho, enquanto o nosso ao dar prioridade aos exames faz regressar à escola os mais velhos.

A haver regresso às aulas em maio teremos de reorganizar as turmas para diminuir o risco de infeções. Não percebi se vai haver só aulas presenciais para as disciplinas que tenham exames, o que permitiria desdobrar as turmas para se ficar com os alunos respeitando o 1,5 metro de distância, sendo esta opção coerente com a prioridade dada aos exames.

Concluindo, os defensores dos exames e da uniformização ganharam este round e os defensores da personalização perderam, quando aparentemente a equipa da educação se inclinava para o outro lado da diferenciação/personalização. Ou isto é um interregno para não criar divisões – com o Presidente? – em época de pandemia, ou a equipa da educação viu a sua política desautorizada.

Rui Ferreira

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here